Portugal joga esta terça-feira, 14 de abril, em Riga, o terceiro compromisso da fase de qualificação europeia para o Mundial feminino de 2027 com a ambição de consolidar a liderança do Grupo B3 da Liga B, mas sem subestimar uma Letónia que, apesar das duas derrotas nas jornadas inaugurais, mostrou capacidade competitiva e argumentos ofensivos suficientes para justificar prudência. A posição de Portugal à entrada para esta jornada é favorável. A equipa nacional arrancou a campanha com uma vitória por 2-0 sobre a Finlândia, a 3 de março, e reforçou a candidatura ao primeiro lugar ao bater a Eslováquia por 4-0, a 7 de março, somando seis pontos, seis golos marcados e nenhum sofrido nas duas primeiras rondas. Do outro lado, a Letónia perdeu por 2-3 com a Eslováquia e por 1-3 com a Finlândia, mas marcou em ambos os jogos, um dado que ajuda a explicar o tom cauteloso adotado pela equipa técnica portuguesa na antevisão. Foi precisamente nessa leitura do adversário que Francisco Neto baseou a sua análise. O selecionador nacional frisou que o essencial não é o rótulo de favorito. “Interessa o que analisámos, o que vimos e a competência e organização da Letónia, que fez dois jogos fora e compete muito bem. Fez golos nos dois jogos, com uma boa organização defensiva. Merecia outro resultado com a Eslováquia”, afirmou, antes de reforçar a exigência que impõe a Portugal: “Os jogos têm de ser jogados com competência” e “teremos de ser mais fortes para conseguirmos derrubar essa fortaleza da Letónia.” Na mesma linha, Neto ligou o desafio imediato ao objetivo maior da campanha: “O grande objetivo é ir ao Campeonato do Mundo. Para isso temos de ser competentes em pelo menos 10 jogos.” As palavras do selecionador revelam a preocupação de preservar uma lógica de consistência competitiva que, nesta fase, pode ser tão importante como a diferença de golos: Portugal está na Liga B, onde os vencedores dos grupos não seguem diretamente para o Mundial, mas reforçam a sua posição rumo ao play-off, sendo que as três melhores equipas de cada grupo garantem essa presença na fase seguinte. .Dolores Silva, capitã da seleção, sublinhou exatamente essa necessidade de controlo emocional e rigor competitivo. A internacional portuguesa pediu “máxima concentração, máximo foco, máximo respeito”, lembrando que se trata de “um jogo fora, com um adversário com quem ainda não jogámos”. A média chamou ainda a atenção para a eficácia ofensiva da Letónia, salientando que essa vertente “é uma preocupação”, porque a equipa da casa jogará apoiada pelo seu público e quererá valorizar-se perante o líder do grupo. Os indicadores objetivos favorecem claramente a seleção nacional: melhor arranque, maior produção ofensiva, baliza inviolada e um plantel que reúne futebolistas habituadas a contextos competitivos exigentes. Mas há também sinais que aconselham cautela. A Letónia marcou três golos em dois jogos e mostrou capacidade para discutir momentos das partidas, sobretudo quando consegue baixar linhas, proteger a área e explorar transições ou lances de bola parada. Do ponto de vista estratégico, o desafio português deverá passar por duas frentes complementares: circular com velocidade suficiente para desmontar uma estrutura defensiva expectável e, em simultâneo, controlar bem a perda para não permitir à Letónia repetir a capacidade de criar perigo que já mostrou frente a Eslováquia e Finlândia. Este jogo com a Letónia integra uma dupla jornada que pode clarificar a hierarquia do grupo e aproximar Portugal do objetivo mínimo de assegurar presença no play-off. Ganhar na Letónia permite à seleção manter a trajetória perfeita e chegar à deslocação seguinte com vantagem reforçada e margem de controlo sobre a concorrência direta. .Seleção feminina de futebol inicia qualificação para o Mundial-2027 com receção à Finlândia em Vizela.Luso-espanhola Pauleta entre as novidades na seleção feminina de futebol