Seleção feminina de futebol inicia qualificação para o Mundial-2027 com receção à Finlândia em Vizela
A Seleção Nacional feminina inicia esta terça-feira a qualificação para o Campeonato do Mundo de 2027, com um duelo frente à Finlândia, marcado para as 18h45, no Estádio do FC Vizela. O encontro assinala o arranque de uma caminhada que tem como meta o apuramento para a fase final a disputar no Brasil, e foi projetado esta segunda-feira pelo selecionador nacional, Francisco Neto, e pela capitã, Dolores Silva.
Na conferência de imprensa realizada no Centro de Treino e Formação Desportiva Jorge Costa, no Olival, o técnico destacou a importância do apoio nas bancadas em Vizela. “Acima de tudo, esperamos uma casa bem composta, com uma energia positiva muito grande e que seja contagiante para as nossas jogadoras. Aquilo que pedimos às jogadoras foi exatamente isso: muita energia, bom espírito e alegria. Depois, queremos aquilo que nos tem caracterizado nos grandes jogos: muita organização, muita competitividade e muita vontade de vencer”, afirmou.
Portugal defronta uma seleção que ocupa uma posição imediatamente abaixo no ranking e que, tal como a equipa lusa, esteve presente na última fase final do Campeonato da Europa. Para Francisco Neto, isso é revelador da qualidade da formação nórdica. “É uma equipa que tem vindo a crescer muito, que nos últimos anos começou a exportar jogadoras para a liga inglesa e para a liga sueca, o que fez com que as suas jogadoras crescessem bastante. Será, com certeza, um jogo muito difícil contra uma equipa forte, mas em nossa casa queremos vencer”, sublinhou.
O selecionador, que cumpre 12 anos à frente da equipa principal feminina, salientou ainda que os ciclos de resultados fazem parte do percurso competitivo. “Toda a gente gosta de ganhar. Já passámos por momentos melhores e piores e sabemos que os ciclos não duram para sempre. A responsabilidade do passado dá-nos muita ambição para o futuro. Já fomos capazes e queremos repetir”, disse, reforçando a ambição de marcar presença no Mundial de 2027: “É uma caminhada longa, com muitos jogos e desafios.”
Em termos estratégicos, o técnico foi claro quanto à abordagem desejada para o encontro. “O grande desafio será controlar o jogo, dominar o jogo, não permitir que se torne num duelo muito físico e de muitas transições, que não é onde nos sentimos mais confortáveis. Queremos ter bola, empurrar a Finlândia para zonas mais próximas da sua baliza. Quanto maior for a nossa capacidade de assumir o jogo, mais dominantes seremos.” Sobre a gestão do plantel, garantiu que as decisões serão tomadas em função do rendimento apresentado e do plano delineado para a partida, afastando qualquer gestão física antecipada.
Também Dolores Silva evidenciou confiança na resposta da equipa das Navegadoras. “Estamos confiantes e motivadas. Sabemos que será um jogo exigente, mas temos experiência e união. Queremos aproveitar a energia do público e mostrar a nossa melhor versão em campo”, afirmou a média internacional.
A capitã reconheceu a solidez da Finlândia, mas assegurou que Portugal está preparado para impor o seu jogo. “Sabemos que é uma equipa sólida e com jogadoras de qualidade, mas estamos preparadas para impor o nosso jogo e controlar as principais situações de risco. Cada jogo é uma oportunidade para mostrar o nosso crescimento e a nossa capacidade de lutar até ao fim. Queremos os três pontos em nossa casa.” Quanto à identidade da equipa, reforçou: “O nosso foco é manter a posse de bola, ser agressivas sem perder o controlo e apoiarmo-nos umas nas outras em todas as fases do jogo.”
O histórico de confrontos entre Portugal e Finlândia revela equilíbrio. Em 18 jogos disputados desde 1994, as Navegadoras somam cinco vitórias, sete empates e seis derrotas, com 20 golos marcados e 24 sofridos. O primeiro encontro realizou-se na Algarve Cup de 1994, com triunfo português por 2-0. Nos duelos mais recentes tem prevalecido a igualdade, incluindo empates na qualificação para o Europeu de 2022 e em jogos de preparação.

