Portugal apresenta-se com ambição reforçada nos Campeonatos do Mundo de pista curta de atletismo, que se decorrem entre esta sexta-feira, 20 de março, e domingo em Torun, na Polónia. A seleção nacional terá a maior delegação de sempre em competições indoor. São 19 atletas que representam uma geração em clara ascensão, num momento em que o atletismo nacional evidencia uma diversidade competitiva que vai muito além do tradicional meio-fundo e fundo. Para o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Domingos Castro, o cenário é claro: Portugal entra em competição com atletas com legítimas aspirações a subir ao pódio. “Portugal tem dos melhores atletas do mundo”, sublinhou, reforçando que “são atletas candidatos a medalhas”. “E esses estão cá”, sublinhou. Ainda assim, o dirigente adota um discurso equilibrado, lembrando a imprevisibilidade da alta competição: “Nem sempre as coisas correm como têm planeado.” .Apesar dessa cautela, Domingos Castro não esconde o entusiasmo: “Nós somos candidatos a ganhar medalhas. Quantas? Logo se verá.” E acrescenta, com evidente satisfação: “Sinto-me um presidente feliz por termos na nossa comitiva atletas com tanta qualidade.” O perfil competitivo da seleção nacional também mudou significativamente. Tradicionalmente forte nas provas de meio-fundo e fundo, Portugal apresenta agora resultados relevantes nas disciplinas técnicas e de velocidade. Para Domingos Castro, esta transformação resulta de uma mudança estratégica ao nível dos clubes: “Houve uma aposta nas disciplinas técnicas e o fruto é este. Por todo o lado a aposta é mais nessa área e os resultados são evidentes.” .Ainda assim, a federação procura manter o equilíbrio entre áreas: “Hoje, a federação está a fazer um bom trabalho para que o meio-fundo e fundo também volte, não deixando de apoiar cada vez mais todas estas disciplinas.”No plano das infraestruturas, o dirigente reconhece limitações, mas mostra-se confiante quanto ao futuro. A tempestade Kristin, que recentemente comprometeu uma das principais instalações nacionais, em Pombal, evidenciou fragilidades, mas também acelerou planos de desenvolvimento. “Infelizmente não temos as condições ideais, mas acredito que em dois, três anos Portugal vamos ter condições de excelência para a prática destas disciplinas”, afirmou. Entre os projetos em curso estão melhorias em Braga, a requalificação da pista indoor de Pombal e novas soluções em Gaia e Lisboa. “Estou muito convicto de que dentro de pouco tempo vamos ter entre duas a três arenas para a pista curta”, garantiu, acrescentando que algumas dessas infraestruturas poderão ter carácter multiusos, assegurando a sua sustentabilidade. Paralelamente, a federação trabalha também na criação da chamada “casa das seleções”, um espaço dedicado ao alto rendimento. “Já estamos a trabalhar com muita força e dentro de pouco tempo teremos algo visível”, revelou. .Portugal soma 17 medalhas em Campeonatos do Mundo indoor, incluindo cinco títulos. A última medalha foi conquistada por Patrícia Silva, com o bronze em Nanjing 2025. Perante este histórico e a qualidade da atual geração, as expectativas são elevadas, mas Domingos Castro mantém uma visão realista: “Eu acredito que temos atletas que podem lutar por quatro medalhas.” Ainda assim, reforça que o sucesso não pode ser garantido: “Se não acontecer aquilo que digo, eu como atleta sei que é normal. Estou dos dois lados.”.Atletismo. Salomé Afonso bate recorde europeu de pista curta que durava desde 1998.Isaac Nader bate recorde nacional dos 800 metros em pista curta