Paulinho tomou uma decisão incomum: a de largar Portugal para ir em busca do sonho de protagonismo no México. Os 32 golos das primeiras duas épocas e meia de Sporting aconselharam Ruben Amorim a encontrar uma solução e Gyökeres roubou-lhe o palco na frente de ataque dos leões.Apesar dos 21 golos, muitos deles a partilhar o ataque com o sueco, em 2023/24, Paulinho não tinha a aura do homem da máscara, por isso, foi para o Toluca procurar o palco principal. E alcançou-o, apontando à testa, como sempre fez, para celebrar golos, sem precisar de uma máscara típica da “lucha libre” mexicana. Galvanizou o Toluca, conquistando Apertura, Clausura e Supertaça, e ainda a Taça dos Campeões da Concacaf, que opõe o vencedor da MLS e o Campeão dos Campeões do México. Além disso, foi o melhor artilheiro português em 2025, acumulando 33 golos nesse ano civil.A euforia tem sido crescente, os meios de comunicação mexicanos têm apelidado o avançado, natural de Barcelos, como "Rei" e, quando celebrou de trivela um golo frente ao Monterrey, que valeu a conquista do Torneio Apertura, ouviu cânticos de “mago” e “artista”.A história de amor improvável consumou-se quando passava férias em Cancún e Renato Paiva, que na altura orientava o Toluca, convenceu os dirigentes a pagarem um salário convincente e a compensarem o Sporting com perto de oito milhões de euros, sendo que os leões tinham investido o dobro, por 70% do passe, ao Braga em 2021/22.Contratar um jogador acima dos 30 anos saiu recompensado tendo em conta os golos: 54 em 79 jogos, acrescentando 12 assistências. Dos golos no campeonato, por exemplo, apenas um de penálti, reforçando a importância na bola corrida. Por isso, esta semana pede-se, no México, a convocatória para a seleção, já que Portugal defrontará os mexicanos. Se não acontecer, o Mundial está fora de hipótese, mas a confirmar-se a chamada, Paulinho ampliaria as três internacionalizações que tem, que datam de 2020, e poderia ir à sua primeira fase final.Álvaro Magalhães converteu o médio em avançado e gostava de o ver no MundialOuvido pelo DN, o ex-internacional português Álvaro Magalhães valida a opção. “Não há muitos pontas-de-lança que possam dizer que estejam em melhor forma. Paulinho tem feito boas épocas no Toluca, foi eleito o Melhor Jogador em 2024/25. Tem feito um excelente trabalho no seu clube e tem características que o tornam um jogador interessante. A idade [33 anos] tem vantagens, apesar de as pessoas apontarem essa questão da idade como se fosse um problema. Só parece não ser um problema para o Cristiano Ronaldo”, valorizou o homem que adaptou Paulinho, no Gil Vicente, à posição de avançado, convencendo-o de que o destino seria frente à baliza. A partir daí, a carreira deu o salto que todos conhecem.Apesar de Roberto Martínez reconhecer que está de olho no ponta-de-lança, Álvaro Magalhães prefere não criar expectativas. “Se não chamou até agora, não tenho grandes esperanças de que o chame. O selecionador tem dado continuidade aos jogadores que são mais habitualmente convocados. Pode fazer sentido ter três pontas-de-lança, mas parece-me mais fácil justificar a ida de Fábio Silva, mas destacaria também Gonçalo Guedes, que está a jogar muito bem [nove golos esta época] e vai agora à final da Taça do Rei”, detalha o treinador, sublinhando que a idade não é problema, até porque Ronaldo, com 41 anos, continua a ser convocado. O possível pretexto de que o México seja uma liga periférica não acolhe compreensão. “Não anda perto da verdade, porque o Campeonato Mexicano pode ser bem mais competitivo do que o da Arábia Saudita. Aliás, o futebol sul-americano e na América Central destaca-se pela agressividade, pela competitividade”, vinca Álvaro Magalhães ao DN..Renato Paiva revela como “apostou a 200%” em Paulinho: “No início disseram-me que não”