Nova Zelândia retira apoio a Infantino e abre nova frente na crise da FIFA
Facebook FIFA

Nova Zelândia retira apoio a Infantino e abre nova frente na crise da FIFA

Federação neozelandesa demarca-se da posição da Oceania, retira formalmente apoio à candidatura do presidente da FIFA em 2027 e exige uma investigação independente ao projeto FIFA Forward Enterprise.
Publicado a
Atualizado a

A contestação a Gianni Infantino ganhou esta sexta-feira novos desenvolvimentos. A Federação de Futebol da Nova Zelândia (NZF) retirou formalmente o apoio à candidatura do suíço a um novo mandato na presidência da FIFA, aprofundando uma crise que nas últimas semanas tem colocado o dirigente de 56 anos sob crescente pressão internacional.

A decisão assume grande significado por partir da principal potência futebolística da Oceania e por contrastar com a posição adotada pela Confederação de Futebol da Oceania (OFC), que reconheceu os progressos alcançados na região durante a atual liderança da FIFA e acolheu favoravelmente a decisão de abandonar o polémico projeto FIFA Forward Enterprise (FFE).

A Federação neozelandesa foi mais longe e anunciou igualmente que pretende uma investigação independente ao processo que conduziu à criação do FFE, defendendo que as decisões tomadas no interior da FIFA contribuíram para uma quebra de confiança e para o aumento das divisões no futebol internacional.

No comunicado em que anunciou a retirada do apoio a Infantino, a NZF considera que este é também o momento para as federações nacionais defenderem uma governação mais forte, maior responsabilização e mais transparência na administração do futebol mundial.

Andrew Pragnell, diretor executivo da Federação neozelandesa, explicou à Reuters que o objetivo é impedir que a análise ao processo fique exclusivamente nas mãos da própria FIFA. O dirigente considera essencial que a investigação seja verdadeiramente independente e que permita esclarecer tanto o processo de decisão como os mecanismos de supervisão relacionados com o projeto.

No centro da polémica está o FIFA Forward Enterprise, iniciativa através da qual Infantino pretendia vender a investidores privados uma participação de 20% nos direitos comerciais das competições da FIFA, procurando captar cerca de 4,2 mil milhões de dólares (aproximadamente 3,6 mil milhões de euros).

O plano contemplava ainda uma verba de 20 milhões de dólares para cada federação no ciclo financeiro seguinte, montante que poderia duplicar para as associações que aderissem ao negócio.

A proposta provocou uma forte reação no futebol internacional e acabou por ser retirada. UEFA, Confederação Asiática de Futebol (AFC) e CONCACAF, que em conjunto representam 136 das 211 federações com direito de voto na FIFA, contestaram a forma como o processo foi conduzido e reclamaram uma revisão. A própria FIFA pediu desculpa às federações pelos erros cometidos na condução do projeto.

A posição assumida agora pela Nova Zelândia introduz, porém, uma fratura dentro da própria Oceania. A OFC saudou o abandono do FFE e reconheceu a necessidade de aproveitar a revisão do processo para identificar e concretizar eventuais mudanças, mas destacou simultaneamente o desenvolvimento alcançado pelo futebol da região durante a última década sob a liderança da FIFA.

Apesar da crescente oposição, Infantino conserva apoios importantes. As confederações africana e sul-americana manifestaram apoio à sua continuidade e seis presidentes de federações árabes, entre os quais dirigentes do Qatar e de Marrocos, também se posicionaram recentemente ao lado do suíço.

Gianni Infantino vai tentar um quarto mandato na presidência da FIFA no Congresso de 2027, numa eleição em que terão direito de voto as 211 federações nacionais. A decisão da Nova Zelândia acrescenta agora mais uma voz à contestação e mostra que a crise desencadeada pelo FIFA Forward Enterprise chegou também a uma região onde o presidente da FIFA continua a encontrar apoio institucional.

Nova Zelândia retira apoio a Infantino e abre nova frente na crise da FIFA
Irlanda retira apoio a Infantino. Aumenta pressão sobre presidente da FIFA
Nova Zelândia retira apoio a Infantino e abre nova frente na crise da FIFA
Federação norueguesa exige demissão imediata de Gianni Infantino
Nova Zelândia retira apoio a Infantino e abre nova frente na crise da FIFA
Confederação Africana de Futebol manifesta apoio a Gianni Infantino
Diário de Notícias
www.dn.pt