Adversário do Sporting no Troféu Cinco Violinos, marcado para este sábado, às 20h30, no Estádio José Alvalade, o AS Monaco tem no banco de reservas um velho conhecido dos adeptos brasileiros: Filipe Luís. Treinador desde 2024, quando assumiu o Flamengo, clube pelo qual conquistou quatro títulos, o antigo lateral-esquerdo é atualmente um dos mais promissores técnicos do futebol brasileiro. A ascensão meteórica acontece num momento de crise dos treinadores do país, que fez deste Mundial o primeiro sem representantes brasileiros nos bancos de suplentes - com a própria seleção a ser comandada por um estrangeiro, o italiano Carlo Ancelotti.Responsável por um estilo de jogo de muita agressividade pós-perda, variações táticas e disciplina, Filipe Luís rapidamente se caracterizou pela ofensividade das suas equipas e pela versatilidade nos momentos mais desafiadores. Ao longo dos 14 anos como jogador no futebol europeu, recorde-se, sempre deu indícios de que poderia seguir carreira à beira dos relvados. Entre os treinadores que o marcaram estiveram nomes como Jorge Jesus, no próprio Flamengo, e Diego Simeone, comandante dos tempos no Atlético de Madrid.Após encerrar a carreira como jogador no Flamengo, em 2023, Filipe Luís teve uma ascensão meteórica no clube como treinador. Dois meses depois de pendurar as botas, assumiu o comando do sub-17, onde, em junho de 2024, conquistou a Copa Rio, o primeiro título da nova carreira. Na sequência, passou para o sub-20 e voltou a ser campeão, desta vez da Copa Intercontinental. Em setembro daquele ano, chegou à equipa principal para substituir Tite, menos de um ano depois de encerrar a carreira como jogador.A partir daí, Filipe Luís somou os títulos da Taça do Brasil (2024), do Campeonato Carioca (2025), da Taça Libertadores (2025) e do Brasileirão (2025). Também chamou a atenção pela campanha do Flamengo no Mundial de Clubes de 2025, quando venceu o Chelsea - o futuro campeão daquele torneio - por 3-1 na fase de grupos, numa atuação coletiva que despertou olhares muito além do Brasil. Neste ano, no entanto, a história foi diferente e, após um início de época conturbado e divergências com a direção, acabou por deixar o Mengão. Desde então, deixou claro o desejo de treinar no futebol europeu e, após sondagens de clubes como Fenerbahçe, Besiktas e Bayer Leverkusen, acabou por acertar com o Mónaco, onde foi apresentado há pouco mais de duas semanas e conquistou a primeira vitória em amigável frente ao Saint-Priest (5-2), no último sábado (19).Curiosamente, um dos últimos treinadores de língua portuguesa a fazer grande sucesso no Principado está hoje justamente no clube que moldou os primeiros passos da carreira de treinador de Filipe Luís. Leonardo Jardim, que substituiu o antigo técnico do Mengão numa decisão controversa da direção rubro-negra liderada pelo também português José Boto, fez história na época 2016/17 ao levar a equipa monegasca às meias-finais da Liga dos Campeões.Naquele ano, Jardim foi responsável por montar uma equipa que até hoje desperta saudades nos adeptos apreciadores de um futebol ofensivo. Aquele Monaco tinha jogadores como Fabinho, Bernardo Silva, Falcão García e um certo adolescente chamado Kylian Mbappé. Além da brilhante campanha europeia, os monegascos terminaram a época como campeões franceses, feito que até hoje não se repetiu. Aliás, além daquele Monaco, apenas o Lille, uma única vez (2020/21), foi capaz de tirar o título nacional ao PSG nos últimos treze anos.Agora, com um plantel muito menos estrelado - mas nem por isso desinteressante -, o brasileiro terá a missão de manter a equipa do Principado competitiva no campeonato e, quem sabe, voltar a colocar o clube na principal competição europeia. Vale lembrar que o Monaco terminou a última época na sétima colocação. À sua disposição, conta com o francês Maghnes Akliouche como principal destaque, numa equipa que tem ainda outros jovens como Folarin Balogun, envolvido no polémico cartão vermelho do Mundial 2026, e o médio defensivo senegalês Lamine Camara. Eric Dier, Flávio Nazinho, ex-Sporting, e Vanderson, presença frequente na seleção brasileira, são outros nomes conhecidos do público luso-brasileiro.Acima de tudo, a missão de Filipe Luís passa por ajudar a recuperar o prestígio do treinador brasileiro na Europa. Com uma crise de técnicos no futebol brasileiro, hoje dominado por profissionais portugueses e argentinos, os treinadores brasileiros passaram a ter ainda menos espaço no futebol europeu - cenário que, ao contrário dos jogadores do país, nunca conseguiram dominar. Em Portugal, Otto Glória, nos anos 60, e Luiz Felipe Scolari, já nos anos 2000, alcançaram enorme reconhecimento, mas poucos outros conseguiram destacar-se Europa afora, como Vanderlei Luxemburgo, cuja passagem pelo Real Madrid foi frustrante. Um exemplo recente de relativo sucesso é Sylvinho que, apesar de não ter deixado boas memórias no Lyon, realizou um interessante trabalho à frente da Albânia nos últimos anos. Ainda assim, é muito pouco para um país que respira futebol.Para já, porém, se depender do currículo de Filipe Luís, um treinador que soma menos de três anos de carreira e cinco títulos, há razões para acreditar que o futuro poderá ser promissor. Uma das primeiras amostras poderá ser vista já este sábado, em Portugal..Como o Flamengo se tornou o destino favorito dos treinadores portugueses no Brasil.Crise? Treinadores brasileiros ficam fora de um Mundial pela primeira vez em 96 anos