Luís Figo pediu a demissão imediata de Gianni Infantino da presidência da FIFA, num contundente artigo de opinião publicado esta quarta-feira (5 de agosto) pelo jornal britânico Daily Mail. O antigo capitão da seleção portuguesa acusa o dirigente suíço de ter degradado o cargo que ocupa, de ter perdido a confiança do mundo do futebol e de ter colocado interesses pessoais acima dos da modalidade, numa das mais duras críticas públicas dirigidas ao presidente da FIFA desde que assumiu funções, em 2016.O antigo internacional português abre o texto sem rodeios: "Podia escrever 10 mil palavras sobre os problemas da FIFA. Mas a solução resume-se a três: Infantino deve sair."Figo, que em 2015 chegou a candidatar-se à presidência da FIFA, afirma que a crise desencadeada nas últimas semanas pelo projeto FIFA Forward Enterprise (FFE), entretanto retirado, expôs a forma como, na sua perspetiva, o organismo tem sido governado. O antigo jogador considera que o plano para vender 20% dos direitos comerciais dos Campeonatos do Mundo a investidores privados foi conduzido sem transparência e sem que as federações-membro tivessem sido devidamente informadas sobre os riscos e as consequências da operação.No artigo, Figo deixa uma das críticas mais contundentes a Infantino: "Fui jogador profissional durante 20 anos e, acreditem, cruzei-me com alguns vigaristas ao longo da minha carreira neste desporto. Mas o que vi ser revelado nos últimos dez dias é o comportamento mais baixo, enganador e cobardemente egoísta que alguma vez testemunhei."O antigo internacional português questiona ainda a forma como o projeto foi preparado, perguntando por que motivo nunca foi apresentado de forma transparente às federações reunidas antes da final do Campeonato do Mundo. Figo acusa igualmente Infantino de nunca ter explicado os riscos da operação e de não ter esclarecido as alegadas vantagens pessoais que poderia retirar do novo modelo de gestão comercial da FIFA.Ao longo do texto, o antigo jogador critica também outras decisões tomadas durante o mandato de Infantino, sustentando que estas contribuíram para desgastar a reputação da FIFA e do futebol mundial. Entre as críticas, refere alegados favorecimentos, decisões disciplinares controversas e uma governação que, na sua opinião, privilegiou interesses particulares em detrimento dos princípios que deveriam reger a organização.Na parte final do artigo, Figo endurece ainda mais o tom e escreve: "Infantino degradou o cargo de presidente da FIFA, que prometeu enaltecer. Mentiu, enganou e tentou enriquecer à custa do desporto que deveria servir." Acrescenta ainda que o dirigente "perdeu o apoio da sua equipa diretiva, dos seus conselheiros mais próximos e da grande maioria das pessoas que dedicam a vida a este desporto", concluindo com um apelo direto: "É demasiado tarde para salvar a sua dignidade, mas ainda é possível salvar o futebol. Deve ir-se embora. Agora."O artigo surge numa altura de forte contestação interna à liderança de Gianni Infantino, depois de a FIFA ter abandonado o projeto FIFA Forward Enterprise, na sequência da oposição manifestada por vários responsáveis do futebol internacional. A polémica abriu uma das mais profundas crises da atual presidência e intensificou o debate sobre a governação e a transparência do organismo que tutela o futebol mundial..Federações da Europa retiram apoio a Gianni Infantino.UEFA diz ter "perdido a confiança" em Infantino e agrava crise na FIFA