Decisão "resultou de uma análise técnica e jurídica cuidadosa e aprofundada"
Decisão "resultou de uma análise técnica e jurídica cuidadosa e aprofundada"Foto: FPC

Instituto da Conservação da Natureza e Florestas permite passagem da Volta a Portugal pelo coração do Gerês

Etapa 7 da prova de ciclismo prevê atravessar o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Associações prometem protestos.
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O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vai permitir a passagem da Volta a Portugal em bicicleta pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, embora de forma condicionada, exigindo aos ciclistas, às equipas e organização da 87.ª edição da prova "o cumprimento de fortes medidas de proteção da biodiversidade". Organizações como a Fapas e a Liga para Proteção da Natureza consideram inaceitável e ilegal a passagem do percurso por zonas sensíveis e de proteção parcial, como a Mata de Albergaria, e admitem protestos.

O percurso da 7.ª etapa atravessa o coração do Gerês, zona com elevado valor ecológico, mas segundo a análise do ICNF, o percurso proposto "coincide exclusivamente com uma via pavimentada já existente" e num troço onde "existe circulação motorizada regular, sem que daí tenha resultado, até à data, qualquer impacte negativo significativo conhecido sobre os habitats naturais, as espécies ou os valores ambientais presentes". Por isso decidiu permitir a passagem do pelotão com 119 ciclistas.

O Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês prevê um regime de autorização sujeito à apreciação caso a caso e nesse sentido, a autorização foi dada, mas condicionada ao cumprimento de um conjunto de medidas específicas que pretendem minimizar eventuais perturbações, "nomeadamente a limitação da circulação de veículos de apoio ao estritamente indispensável". E ainda, "a interdição da permanência de público em todo o trajeto que atravessa os setores ecologicamente mais sensíveis do percurso, a exclusão de meios aéreos em áreas de ambiente natural e outras medidas de gestão consideradas necessárias para proteção das espécies, habitats e restantes valores naturais". Ou seja o helicóptero da RTP que acompanha as etapas não poderá sobrevoar o Gerês.

Porque, segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, a decisão de permitir a passagem da Volta a Portugal pelo Gerês, "resultou de uma análise técnica e jurídica cuidadosa e aprofundada, realizada no quadro dos procedimentos legalmente previstos, num processo em que a proteção da natureza, dos habitats e das espécies presentes no Parque Nacional constituiu sempre a principal prioridade".

E garante que acompanhará a realização da prova, em articulação com as restantes entidades competentes, de forma a verificar o cumprimento integral das condições estabelecidas e a garantir a salvaguarda dos valores naturais do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

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