A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) apresentou na passada semana o percurso da Volta a Portugal de 2026, no qual se destacam um prólogo em Lisboa e o final no Porto, consagrando a ida de Norte a Sul do país com a presença de Albufeira como representação do Algarve. Ao contrário dos últimos anos, com incumbência da Podium em contactar a maioria das autarquias, desta feita a FPC empenhou-se na negociação e a empresa que tem a concessão da corrida, a EME Sports, de Ezequiel Mosquera, tem o desenho final, competitivo, a seu cargo. A demora para a apresentação das partidas e chegadas justificou-se, em grande parte, por negociações de última hora. Nas últimas semanas, o DN tem contactado fontes da vereação em Lisboa e Porto, que confirmaram que o prólogo inicial, na capital, e a etapa final, com final nos Aliados, não estavam previstas até há bem pouco tempo. Na altura do anúncio, essas mesmas fontes relataram a surpresa por ver a confirmação no percurso final. O DN procurou ter acesso aos valores envolvidos no pagamento à Federação para acolher a prova, mas nenhum dos gabinetes de Carlos Moedas ou Pedro Duarte responderam às perguntas.Depois de contactar os vários municípios tradicionais na corrida, fica claro que a etapa da Torre, a 4.ª em linha, com partida de Figueiró dos Vinhos, estava desde cedo pensada, assim como a penúltima, na Senhora da Graça, que está orçamentada desde 2025 no documento apresentado aos vereadores em Mondim de Basto, apurou o DN. De seguida, também o salto de Fafe esteve sempre nas cogitações e ficou reservado para o nono dia. Viana do Castelo e Montalegre estavam disponíveis para acordo por “valores semelhantes” aos praticados habitualmente, declararam os autarcas ao DN, mas tanto Santa Luzia como Montalegre não foram ativados. “Optámos por receber os Campeonatos Nacionais de Ciclismo, mas temos já contratualizada a prova para 2027”, informou o presidente da Guarda, Sérgio Costa, classificando a exclusão da capital de distrito como “opção concertada” entre Guarda e FPC.Sem Viseu, que optou por investir no Rali de Portugal, o plano era encontrar em Aveiro espaço para o contrarrelógio, uma negociação que não viu frutos. Foi decisivo para o projeto a parceria com a Bairrada, uma terra de ciclismo, de onde é natural Nelson Oliveira, e no qual se situa o Velódromo de Sangalhos. “Ligaram-me na sexta-feira passada [3 de julho]. Temos uma relação forte com a Federação, já recebemos partidas e etapas na Volta a Portugal e chegámos logo a entendimento”, revelou ao DN Jorge Sampaio, presidente em Anadia, dando conta de que a demonstração de intenções da FPC aconteceu a sete dias de apresentar o percurso. “São dois municípios em que a indústria de duas rodas é a de maior produção nacional. Falei com Águeda e foi uma decisão concertada”, adianta Sampaio, informando que depois da partida de Sangalhos existirão “algumas curvas” para se totalizarem os 17 km do contrarrelógio da etapa 5, com final em Águeda, terra base da equipa Anicolor, que venceu em 2024 e 2025 com Artem Nych. No dia seguinte, a ida a Santa Maria da Feira resulta de uma parceria histórica com outro projeto desportivo muito antigo. Recebe a partida após o dia de descanso, seguindo para o Peso da Régua, que não teve chegadas da Volta este século.Existem algumas dúvidas sobre como será a ligação entre a Lourinhã e Queluz, particularmente a meta do segundo dia de prova, mas as principais críticas estão na etapa de 13 de agosto, na incursão até ao Gerês. “Não serão só os ciclistas a atravessar a Mata de Albergaria [no concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga], uma das áreas mais sensíveis do Parque Nacional Peneda Gerês, mas também uma numerosa e ruidosa comitiva de acompanhamento”, questiona a Fapas, associação ambiental, que afirma que a sétima etapa está “sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.” O pedido foi feito e aguarda validação, pelo que o DN pôde saber..Regulamentos impedem desejada subida de escalão da Volta a Portugal em 2027 .Albufeira, Torre, Fafe e Senhora da Graça numa Volta a Portugal com dívida à UCI já saldada