Alemanha 7 - 1 Brasil marcou o Mundial de 2014.
Alemanha 7 - 1 Brasil marcou o Mundial de 2014. Foto: Alex Livesey - FIFA

História dos Mundiais. Em 2014, o tetra da Alemanha ficou marcado por uma humilhação histórica para o Brasil

O Mundial regressou ao Brasil após 64 anos, mas acabou marcado pelo inesquecível 7-1 no Mineirão, antes de a Alemanha confirmar o quarto título mundial no Maracanã.
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O Mundial de 2014 prometia ser uma celebração do futebol brasileiro, o maior campeão do mundo. Sessenta e quatro anos depois do 'Maracanazo' de 1950, o Brasil voltava a receber a maior competição do planeta com a esperança de exorcizar os fantasmas do passado. O que ninguém imaginava era que a seleção sairia do torneio com uma ferida ainda mais profunda.

Doze anos depois, os efeitos daquele Mundial continuam vivos na memória coletiva brasileira. O resultado de 7-1 transformou-se numa expressão popular, numa piada recorrente e numa metáfora nacional para qualquer fracasso retumbante. "Todo dia um 7 a 1 diferente" tornou-se um dos memes mais duradouros da história da internet no Brasil.

Mas antes de chegarmos à meia-final traumática para os brasileiros, recordemos que o Mundial de 2014 foi muito mais do que isso: disputado perante estádios novos cheios e um ambiente festivo, o torneio ofereceu futebol ofensivo, zebras, grandes jogos e algumas das histórias mais marcantes do século XXI.

A Alemanha chegou ao Brasil com uma geração extraordinária depois de surpreender em 2010. Manuel Neuer revolucionava a posição de guarda-redes, Philipp Lahm era um dos jogadores mais inteligentes do mundo, enquanto Hummels, Boateng, Schweinsteiger, Kroos, Özil, Müller e Klose formavam uma equipa que misturava experiência e talento. Sob comando de Joachim Löw, os alemães vinham amadurecendo desde 2006 e pareciam prontos para dar o último passo.

Curiosamente, aquela seleção entrou para a história até pela estatura dos seus jogadores. A linha defensiva formada por Mertesacker, Boateng, Hummels e Höwedes era a mais alta já registada numa Copa do Mundo, e traduziam o que era uma equipa poderosa fisicamente sem abdicar da qualidade técnica. Pelo caminho, os alemães atropelaram Portugal por 4-0 na estreia, eliminaram a França nos quartos-de-final e chegaram às meias-finais para enfrentar o anfitrião Brasil.

O que aconteceu em Belo Horizonte continua difícil de explicar. Sem Neymar, lesionado, e sem Thiago Silva, suspenso, o Brasil entrou em campo embalado pelo apoio de todo um país que acreditava no fator casa e, especialmente, no multi-campeão treinador Luiz Felipe Scolari. Mas o que se viu foi uma tragédia: aos 29 minutos, o marcador já assinalava 5-0 para a Alemanha.

O resultado final foi um impensável 7-1, a maior derrota da história brasileira em Mundiais e uma das maiores humilhações já sofridas por uma potência do futebol. Um dia de luto e de perplexidade para todos os brasileiros.

O 'Mineiraço', como rapidamente ficou conhecido, entrou para o vocabulário do futebol ao lado do Maracanazo. Se em 1950 o Brasil perdeu um título, em 2014 perdeu algo ainda mais raro: a sensação de invulnerabilidade que sempre acompanhou a seleção mais vencedora da história.

Messi levou a Argentina à final do Mundial 2014.
Messi levou a Argentina à final do Mundial 2014.Foto: Matthias Hangst/FIFA

A Argentina aproveitou o caminho aberto e alcançou a final pela primeira vez desde 1990. Liderada por Lionel Messi, a equipa de Alejandro Sabella eliminou Bélgica e Países Baixos e aproximou-se do sonho do tricampeonato. Muitos acreditavam que aquele seria finalmente o Mundial de Messi.

Houve ainda outras histórias marcantes. A Costa Rica protagonizou uma das campanhas mais surpreendentes da história dos Mundiais ao liderar um grupo com Itália, Inglaterra e Uruguai e alcançar os quartos-de-final. James Rodríguez, da Colômbia, encantou o planeta com seis golos e conquistou a Bota de Ouro. E Miroslav Klose tornou-se o maior marcador da história dos Mundiais ao chegar aos 16 golos, ultrapassando Ronaldo Nazário.

James Rodríguez foi uma das grandes figuras daquele Mundial.
James Rodríguez foi uma das grandes figuras daquele Mundial.Foto: Christopher Lee/FIFA

Para Portugal, a campanha terminou cedo. Inserida no grupo da Alemanha, a seleção de Paulo Bento sofreu uma pesada derrota por 4-0 na estreia, empatou com os Estados Unidos e venceu o Gana na última jornada. Os quatro pontos conquistados não chegaram para ultrapassar alemães e norte-americanos, ditando uma eliminação prematura que ficou aquém das expectativas geradas pela presença de Cristiano Ronaldo.

A final, disputada no Maracanã, colocou frente a frente Alemanha e Argentina. Messi, Higuaín e Palacios desperdiçaram algumas das melhores oportunidades da partida até aos 113 minutos. Foi então que André Schürrle cruzou da esquerda e Mario Götze dominou no peito antes de rematar de primeira para o fundo das redes. O golo garantiu o triunfo por 1-0 e devolveu os alemães ao topo do futebol mundial 24 anos depois, contra o mesmo rival de 1990.

Seleção alemã saiu com o título no Maracanã.
Seleção alemã saiu com o título no Maracanã.Foto: Matthias Hangst/FIFA

A Alemanha tornou-se a primeira seleção europeia a conquistar um Mundial disputado em solo sul-americano e confirmou o sucesso de um projeto construído ao longo de mais de uma década. Mas, para milhões de adeptos, 2014 será sempre recordado por outra razão. Foi o Mundial em que um dos maiores países futebolísticos do planeta descobriu que certos traumas podem ser ainda maiores do que aqueles que julgava impossíveis de superar.

Faltam 2 dias para o arranque do Mundial de 2026.

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