Sergio Ramos, Andrés Iniesta e Xabi Alonso eram alguns dos nomes da geração de ouro espanhola campeã em 2010.
Sergio Ramos, Andrés Iniesta e Xabi Alonso eram alguns dos nomes da geração de ouro espanhola campeã em 2010.Foto: Alex Livesey/FIFA

História dos Mundiais. Em 2010, vuvuzelas, Jabulani e "Waka Waka" embalaram o primeiro título de Espanha

O primeiro Mundial disputado em África ficou marcado pela bola mais polémica da história, pelos golaços de Diego Forlán, pela nova geração alemã e pela consagração espanhola.
Publicado a
Atualizado a

Ah, o Mundial de 2010: que experiência única. Disputado pela primeira vez em solo africano, na África do Sul, o torneio apresentou ao mundo uma atmosfera irrepetível 16 anos depois. As vuvuzelas transformaram os estádios num enorme zumbido permanente, "Waka Waka", de Shakira, tornou-se banda sonora daquele verão, e a famosa Jabulani entrou para a história como a bola mais controversa de sempre.

Fabricada pela Adidas, a bola dividiu opiniões desde o início do torneio. Guarda-redes e jogadores de linha queixavam-se da trajetória imprevisível, dos remates que mudavam de direção e da dificuldade em controlar a bola. O brasileiro Júlio César chegou a compará-la a uma bola de supermercado. Se muitos guarda-redes sofreram, houve quem aprendesse a tirar proveito da situação. Nenhum jogador o fez melhor do que Diego Forlán.

O uruguaio transformou os remates de longa distância numa das imagens da sua marca daquele Mundial. Combinando potência, efeito e precisão, Forlán marcou alguns dos golos mais espetaculares da competição e terminou eleito o melhor jogador do torneio. Não foi o único. A Copa da África do Sul ficou marcada por uma sucessão de golaços que ajudaram a compensar uma final pouco inspirada.

Tshabalala fez o primeiro golo do Mundial 2010.
Tshabalala fez o primeiro golo do Mundial 2010.Foto: FIFA/Christof Koepsel

A Espanha era uma das principais favoritas e perseguia um sonho antigo. Apesar do título europeu conquistado em 2008, ainda existiam dúvidas sobre a capacidade da seleção espanhola para vencer um Mundial. E os receios aumentaram logo na estreia, com uma inesperada derrota por 1-0 frente à Suíça.

A partir daí, porém, a equipa encontrou o seu caminho. Com Xavi, Iniesta, Busquets, Xabi Alonso, David Villa e Casillas, uma das melhores gerações de sempre, a Espanha transformou a posse de bola numa forma de domínio absoluto. Nem sempre encantava, mas controlava os jogos como poucas equipas conseguiram na história recente. Nos oitavos-de-final eliminou Portugal por 1-0, graças a um golo de David Villa, e nos quartos-de-final sobreviveu a um enorme susto frente ao Paraguai, num jogo tenso com penáltis falhados para ambos os lados. Depois superou a Alemanha nas meias.

Portugal, aliás, orientado por Carlos Queiroz, teve logo na fase de grupos um grupo complicado na África do Sul. Empatou com Costa do Marfim e Brasil, goleou a Coreia do Norte por 7-0 - a maior vitória portuguesa em Mundiais - e avançou para os oitavos-de-final. O percurso terminaria justamente frente à futura campeã.

Outra grande história da competição veio da Alemanha. Sem Michael Ballack, lesionado antes do Mundial, poucos acreditavam que os alemães pudessem lutar pelo título. Mas foi precisamente ali que surgiu uma nova geração. No entanto surgiram jovens como Thomas Müller, Mesut Özil, Sami Khedira e Toni Kroos, que começaram a mostrar ao mundo o talento que marcaria a década seguinte. A equipa de Joachim Löw encantou pela velocidade e qualidade ofensiva, goleando Inglaterra por 4-1 e Argentina por 4-0.

Miroslav Klose e Thomas Müller; seleção alemã foi semifinalista do Mundial.
Miroslav Klose e Thomas Müller; seleção alemã foi semifinalista do Mundial. Foto: DR/FIFA

A Argentina, diga-se, mais uma vez com uma fortíssima geração, era comandada por Diego Maradona. Como treinador, o antigo campeão mundial liderava uma equipa recheada de estrelas como Messi, Tévez, Higuaín, Agüero e Mascherano. A campanha parecia promissora até ao encontro com a Alemanha, onde os argentinos foram completamente dominados e despediram-se do torneio com uma pesada derrota.

O Brasil também alimentava esperanças de voltar ao topo. Sob comando de Dunga, a seleção apostava num futebol mais pragmático e eficiente, com Kaká e Robinho como principais destaques. Depois de eliminar o Chile, parecia ter as quartas-de-final controladas frente aos Países Baixos quando abriu o marcador por intermédio de Robinho.

Mas a Holanda virou o jogo em poucos minutos e eliminou os brasileiros, encerrando o sonho do hexacampeonato. Os neerlandeses também foram um das protagonistas da competição, com uma geração liderada por Arjen Robben, Robin van Persie e, especialmente, Wesley Sneijder, que já havia levado a Internazionale ao título da Liga dos Campeões daquele ano.

O Uruguai de Diego Forlán foi uma das grandes histórias do Mundial realizado na África do Sul.
O Uruguai de Diego Forlán foi uma das grandes histórias do Mundial realizado na África do Sul.Foto: FIFA/Jamie McDonald

Nas meias-finais, os neerlandeses eliminaram o Uruguai de Forlán, que havia chegado à esta fase por um dos momentos mais emblemáticos da história de todos os Mundiais. No último minuto do jogo empatado contra Gana, nos quartos de final, o avançado Luís Suárez evitou o golo de Asamoah Gyan com as mãos: penálti para os ganeses e expulsão para o uruguaio, que assistiu do banco o próprio Gyan mandar a Jabulani no poste e, na decisão por penalidades, sua seleção superar os africanos. Suárez foi de vilão à herói.

O Mundial ficou também marcado pelos fracassos das duas seleções que tinham disputado a final de 2006: Itália e França foram eliminadas ainda na fase de grupos. Os italianos não venceram qualquer jogo, enquanto os franceses viveram uma crise interna que envolveu conflitos entre jogadores, federação e equipa técnica que acabaram por manchar a campanha.

A final colocou frente a frente Espanha e Holanda, ou seja, o Mundial ficaria com um campeão inédito: o jogo, cheio de faltas e confrontos físicos, esteve longe de ser um primor técnico, aliás, há quem diga que ao lado da final de 1990 foi uma das mais entediantes. Mas quando os penáltis pareciam inevitáveis, aos 116 minutos, Fàbregas encontrou Andrés Iniesta na área.

O médio rematou cruzado para o fundo das redes e escreveu o momento mais importante da história do futebol espanhol. Para os neerlandeses, foi a terceira chance perdida de conqusitar um título do mundo, após as derrotas nos Mundiais de 1974 e 1978.

Mais de uma década depois, o Mundial de 2010 é daqueles que mantém saudades nos apaixonados por futebol: foi a Copa das vuvuzelas, da Jabulani, de Shakira, do polvo Paul - que acertou todos os resultados da Alemanha e ainda previu o título espanhol - e dos golaços de Diego Forlán. E o Mundial que transformou a Espanha na oitava campeã do mundo da história, feito que os comandados por Luis de La Fuente tentarão repetir neste ano.

Os espanhóis estão no Grupo H, ao lado de Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai. Faltam 4 dias para o arranque do Mundial de 2026.

VEJA AQUI OUTROS MOMENTOS DA HISTÓRIA DOS MUNDIAIS

Sergio Ramos, Andrés Iniesta e Xabi Alonso eram alguns dos nomes da geração de ouro espanhola campeã em 2010.
História dos Mundiais. Em 1990, a Alemanha conquistou o tri e Maradona dividiu a Itália
Sergio Ramos, Andrés Iniesta e Xabi Alonso eram alguns dos nomes da geração de ouro espanhola campeã em 2010.
História dos Mundiais. Em 1974, ‘Laranja Mecânica’ entrou para a eternidade, mas título ficou com os alemães
Diário de Notícias
www.dn.pt