Fórmula 1: Hamilton critica postura e "falta de mentalidade" de colega Leclerc no GP do México
O GP do México coroou Kimi Antonelli, da Mercedes, como mais jovem campeão do mundo da Fórmula 1, mas a luta pela vitória da corrida esteve entregue a Max Verstappen e Lewis Hamilton. O quatro vezes campeão mundial venceu o britânico, que logrou sete títulos mundiais. Porém, o desfecho da corrida para o atleta da Ferrari tem dedo decisivo do colega Charles Leclerc.
O monegasco utrapassou à margem das regras, fora de pista, o companheiro, fez Hamilton passar de primeiro a terceiro classificado, sendo penalizado posteriormente pela manobra. Acabou fora do pódio. Os pilotos estão forçados a um certo recato, mas Hamilton, já ao volante, apontava ter sido "empurrado pelo próprio colega" e que existiriam "problemas quando a corrida acabasse."
No final da corrida, Hamilton criticou o colega. "Antes de entrar para esta equipa, quando estava na Mercedes, testemunhei o braço de ferro entre o Charles Leclerc e o Carlos [Sainz]. Várias corridas em que lutavam tanto que o piloto da frente acabava por fugir, e eles tinham ritmo para vencer efetivamente a corrida. Uma coisa é isso acontecer em quarto e quinto lugar, outra é em primeiro e segundo, e perdes a vitória. Isso é significativo. Este tipo tem 28 anos, por isso não é uma questão de idade. Acho que é uma questão de mentalidade. É do tipo 'tudo ou nada'. Ou ganho eu ou nenhum de nós ganha, e não devia ser assim", atacou duramente Hamilton, piloto de 41 anos que considera que no México a Ferrari "devia ter conseguido uma dobradinha", lembrando que em Silverstone colaborou e não tirou o colega de pista, facilitando a vitória de Leclerc.
O britânico tem contrato até 2027, possibilidade de estendê-lo até 2028, mas há uma notória clivagem com o companheiro. Ganhou na Catalunha pela Ferrari este ano, pela primeira vez pela Scuderia.
Já o próprio Leclerc deixou o tema em aberto. "Vou falar com o Lewis. Acho que ambos não fizemos bem a curva. Achei que valia a pena manter a primeira posição e ver o que acontecia. Foi o que fiz. Também podia ficar chateado com o quanto ele me empurrou para fora da pista na curva 1, mas acho que faz parte da corrida. Quando estás a lutar por uma vitória, é assim mesmo que deve ser", resumiu, em tom insatisfeito o monegasco, piloto de longa data da Scuderia, ainda sem um título mundial para amostra. Contudo, renovou em junho um contrato até 2030.
Fred Vasseur, diretor desportivo da Ferrari, não estava feliz. "Estou com dificuldades em engolir isto porque, sinceramente, acho que é uma falta de respeito. Uma falta de respeito pela marca, uma falta de respeito por todos os que trabalham aqui e por todos os esforços que fazemos. Demos um verdadeiro passo em frente em termos de desempenho, e acho que deitar fora uma vitória desta forma é difícil de aceitar. Teremos tempo para nos sentarmos e conversar cara a cara, mas, agora mesmo, está a custar-me muito a ultrapassar isto", começou por dizer, recusando "apontar o dedo a alguém", mas recordando que os pilotos "não correm apenas para eles."
A Ferrari não vence o Mundial de pilotos desde 2007, com Kimi Raikkonen, e o Mundial de Construtores desde 2008. Hamilton está a dois pontos do segundo posto de Verstappen no Mundial e a equipa encontra-se a 126 pontos da Mercedes, que está em rota de se sagrar campeã nesta tabela também, mas com avanço ainda superior para a Red Bull na conservação do segundo lugar.

