FIA aponta “atos inseguros” e pune organização do Rali de Portugal em 15 mil euros
Foto: José Coelho / Lusa

FIA aponta “atos inseguros” e pune organização do Rali de Portugal em 15 mil euros

“O Diretor de Prova explicou que foi apurado que um veículo de assistência/reboque se dirigia para recolher um concorrente que tinha desistido do rali”, lê-se no comunicado.
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A FIA aplicou uma reprimenda e uma multa de 15.000 euros, com pena suspensa até ao final de 2027, à organização do Rali de Portugal. Em caso estão os incidentes com os veículos de segurança na sexta-feira.

Em comunicado, o Colégio de Comissários da Federação Internacional do Automóvel (FIA) considera que aconteceram “atos inseguros e falha na adoção de medidas razoáveis, resultando assim numa situação insegura (Artigo 12.2.1.h do Código Desportivo Internacional da FIA 2026)”.

Em causa, a entrada em pista, no sétimo setor seletivo, de um reboque da organização, a cargo do Automóvel Club de Portugal (ACP), quando os pilotos disputavam já o troço Arganil 2, bem como a entrada, no mesmo troço, poucos minutos depois, de um segundo veículo de segurança, também ligado à organização.

No mesmo comunicado, lê-se que “o Diretor de Prova explicou que foi apurado que um veículo de assistência/reboque se dirigia para recolher um concorrente que tinha desistido do rali”.

“O condutor introduziu as coordenadas GPS e o sistema de navegação encaminhou-o pela SS7. O condutor do camião desconhecia que tinha entrado numa especial de classificação que se encontrava a decorrer. Ainda assim, o camião conseguiu ultrapassar várias barreiras que assinalavam a especial”, lê-se na descrição dos factos.

Os comissários dizem ainda que, “como o camião saiu rapidamente para uma estrada secundária e a situação foi controlada, a classificativa não foi interrompida”. “Aproximadamente 35 minutos depois, um segundo veículo, pertencente à mesma empresa do camião de assistência e alegadamente a caminho para o auxiliar, também ultrapassou as barreiras e entrou na SS7 à frente do carro n.º 21. A especial foi então imediatamente interrompida com bandeira vermelha por razões de segurança”, lê-se.

O Diretor de Prova e o representante da organização “apresentaram desculpas pelos incidentes ocorridos”. “Declararam que a Organização tinha estabelecido acordos com a autoridade civil competente para garantir a segurança e o corte de estradas nas classificativas do rali. Confirmaram ainda que a investigação às circunstâncias deste incidente continua em curso”, adianta o mesmo documento.

O Diretor de Prova confirmou igualmente que, “em nenhum momento, a entrada destes veículos na classificativa foi comunicada ao Controlo do Rali”. A FIA adverte que “é imperativo que os oficiais responsáveis pela gestão de uma classificativa (quer sejam comissários, quer prestadores de serviços contratados) estejam conscientes de que estão vinculados ao protocolo acordado”.

“Isto implica não apenas impedir o acesso de veículos não autorizados, mas também o dever de comunicar imediatamente ao Controlo do Rali qualquer entrada de veículos na classificativa, sempre que as especiais estejam encerradas e em disputa. Essas comunicações constituem um dos aspetos mais importantes da segurança num rali, uma vez que são a única forma de garantir que os concorrentes possam ser avisados atempadamente de quaisquer perigos imprevistos”, lê-se.

A FIA lembra ainda que “não obstante a organização ter acordos com uma entidade terceira para a gestão do encerramento das estradas das classificativas, continua responsável pelos oficiais que nomeia e o Diretor de Prova mantém a responsabilidade de conduzir o evento de acordo com os regulamentos aplicáveis, devendo assegurar que os oficiais estejam nos seus postos e disponham da informação necessária para desempenhar as suas funções”.

“Os Comissários Desportivos consideram que a falta de comunicação da entrada dos veículos na classificativa constituiu atos inseguros que conduziram a uma situação insegura, configurando, assim, uma infração ao Artigo 12.2.1.h do Código Desportivo Internacional da FIA 2026”, sublinha ainda o documento.

Por essas razões, a FIA decidiu aplicar uma reprimenda à organização do ACP, bem como uma multa de 15 mil euros, suspensa até 31 de dezembro de 2027. Foi ainda decidido requerer “de forma formal à organização que implemente melhorias na edição” deste ano para evitar mais problemas de segurança.

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