O escocês Che Adams tenta roubar a bola a Granit Xhaka.
O escocês Che Adams tenta roubar a bola a Granit Xhaka.FOTO: FIFA

Escócia de volta 28 anos depois ao Mundial em busca de passar pela primeira vez a fase de grupos

Steve Clarke cumpriu a meta depois de chegar a dois Europeus e tem um meio-campo comandado por McTominay que impõe respeito. Curiosamente, o Brasil é adversário tradicional.
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Steve Clarke levou a Escócia a dois Europeus, o que era inédito, e conseguiu a proeza a que se candidatou quando entrou ao leme: chegar, finalmente, a um Mundial. Os escoceses não marcavam presença no certame desde 1998. 28 anos depois ficou garantido o apuramento com golos fabulosos no prolongamento frente à Dinamarca, entregando, naquela que se prevê a despedida do técnico, a grande meta. Nos Europeus 2020 e 2024, porém, a Escócia com Clarke não conseguiu vencer.

Há o aliciante de fazer história já que, nas oito presenças anteriores, a Escócia nunca conseguiu superar a fase de grupos. Arranca contra o Haiti a participação, jogo no qual terá de ganhar embalo para os confrontos mais exigentes com Marrocos e Brasil. Há a curiosidade de reencontrar o Brasil, com quem perdeu em 1998 e em 1982, e o qual anulou em 1974. Essa história de 1974 é mesmo a mais bonita, ainda que agridoce. Kenny Dalglish, Billy Bremner e Joe Jordan pontuavam nessa Escócia, que partia com ambições elevadas. Os empates com Jugoslávia e Brasil foram destaques dado o potencial dos adversários, mas a magra vitória por 1-0 contra o Zaire, hoje República Democrática do Congo, teve custos. Pela diferença de golos, ainda que invicta, a Escócia não conseguiu o apuramento. Nunca mais se aproximou dessa equipa que fazia sonhar.

Na baliza, Angus Gunn foi titular no Europeu de 2024, mas não tem sido opção principal no Nottingham Forest. Craig Gordon, aos 43 anos, manteve a presença em fases finais, ele que já tem 83 internacionalizações, podendo ser o segundo mais velho a alinhar em Mundiais.

"Não me sai da cabeça Diogo Jota, meu amigo, para sempre", disse Andy Robertson, lateral e capitão dos escoceses, acreditando que 2026 era a última possibilidade de ir ao Mundial. O jogador do Liverpool é uma das referências da equipa, que terá também Tierney, do Celtic, como destaque na defesa. Robertson pode vir a alinhar mais à frente.

O pontapé de bicicleta de McTominay que ajudou a Escócia a bater a Dinamarca e a chegar ao primeiro lugar do grupo C de apuramento é sintomático do maior talento atual. O outrora médio defensivo no Man. United subiu no terreno no Nápoles e acumula golos e assistências. É a figura principal num meio-campo que pode ser considerado o setor mais forte dos escoceses, já que McGinn, com 85 internacionalizações, se tem elevado no Aston Villa e é primordial para Clarke. Billie Gilmour, também no Nápoles, e Ryan Christie, do Bournemouth, dão excelentes garantias para as posições intermédias. O mais jovem, com 19 anos, é Findlay Curtis, do Rangers, para abanar com o jogo nos corredores. Espera-se que um dos médios mais convencionais jogue descaído no corredor e que Gannon-Doak, de 20 anos no Bournemouth, tenha possibilidade de ocupar a faixa contrária. Lennon Miller, da Udinese, foi uma das ausências notadas.

Na frente, Dykes vai com um golo nos últimos 20 jogos pela Escócia e Che Adams - com o nome inspirado em Che Guevara - chega do Torino com sete golos. Shankland, com 15 golos em 28 jogos no Hearts, que perdeu o título para o Celtic na derradeira jornada, está também entre os eleitos.

Esta é a lista completa de convocados da Escócia.

Guarda-redes: Angus Gunn (Nottingham Forest), Craig Gordon (Heart of Midlothian), Liam Kelly (Rangers)

Defesas: Aaron Hickey (Brentford), Nathan Patterson (Everton), Andy Robertson (Liverpool), Kieran Tierney (Celtic), Grant Hanley (Hibernian), Jack Hendry (Al-Ettifaq), John Souttar (Rangers), Scott McKenna (Dinamo Zagreb), Dom Hyam (Wrexham), Anthony Ralston (Celtic)

Médios: Scott McTominay (Napoli), John McGinn (Aston Villa), Billy Gilmour (Napoli), Ryan Christie (Bournemouth), Lewis Ferguson (Bologna), Kenny McLean (Norwich), Ben Gannon-Doak (Bournemouth), Findlay Curtis (Rangers)

Avançados: Che Adams (Torino), Lyndon Dykes (Birmingham City), Lawrence Shankland (Hearts), George Hirst (Ipswich Town), Ross Stewart (Southampton)

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