A Arábia Saudita vai concentrar, entre janeiro e abril de 2026, um conjunto alargado de grandes eventos internacionais nas áreas do desporto, cultura e entretenimento. A programação, apresentada como “Unreal Calendar”, integra competições desportivas de referência, festivais de música e iniciativas culturais, numa estratégia de diversificação económica que o DN acompanhou de perto durante o Tourise 2025, em Riade.O calendário arranca logo no início de janeiro com o Rali Dakar, entre os dias 3 e 17. A prova contará com nomes como Sébastien Loeb, Carlos Sainz e Nasser Al-Attiyah, além de uma presença portuguesa significativa, com 27 participantes, entre os quais João Ferreira, Maria Gameiro e a dupla Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira, apontada como favorita na categoria SSV.Poucos dias depois, entre 8 e 12 de janeiro, Jeddah recebe novamente a Supertaça de Espanha, com Real Madrid, Barcelona, Athletic Bilbao e Real Mallorca. A competição volta a ser disputada fora de território espanhol, opção que tem alimentado críticas no seio do futebol europeu.Em recente entrevista ao programa El Chiringuito, o jogador do Athletic Bilbao, Iñaki Williams, foi direto na contestação à realização da Supertaça no país. “Para mim, jogar na Arábia Saudita é uma merda!", desbafou o jogador. "Ter que levar uma competição nacional para outro país não é fácil para os torcedores fazerem a viagem”, afirmou. .O avançado disse ainda sentir que joga “fora de casa” e lamentou a deslocação num momento pessoal delicado: “Vou ser pai nos próximos dias, e ter que deixar a minha esposa e o meu filho aqui é péssimo, mas faz parte do trabalho", complementou.Entre outros desportos com protagonismo na Arábia estão, em fevereiro, a Fórmula E em Jeddah, com a presença do português António Félix da Costa, enquanto Riade acolhe uma etapa do LIV Golf. Já em abril, o Grande Prémio de Fórmula 1 da Arábia Saudita regressa ao circuito urbano noturno de Jeddah, uma das provas mais rápidas do calendário.A agenda na Arábia Saudita inclui ainda eventos culturais como o Festival de Artes de AlUla, o torneio AlUla Desert Polo e o festival de música Balad Beast, no centro histórico de Jeddah, classificado como Património Mundial da UNESCO. As iniciativas dão ainda mais força a aposta saudita na chamada economia dos eventos, ao mesmo tempo que continuam a levantar reservas e críticas por parte de atletas e setores do público ocidental, que acusam o país de usar o desporto e a cultura como instrumentos de projeção internacional, num contexto marcado por críticas recorrentes à situação dos direitos humanos e às restrições políticas no Reino.nuno.tibirica@dn.pt.Cristiano Ronaldo volta a dar rosto à promoção turística da Arábia Saudita.Leoa na economia, Arábia Saudita ainda gatinha enquanto destino turístico