Imagem da taça Jules Rimet original
Imagem da taça Jules Rimet originalFIFA

Da caixa de sapatos ao desaparecimento: a incrível história da Taça Jules Rimet

Escondida debaixo de uma cama durante a II Guerra Mundial, roubada em Londres e desaparecida no Rio de Janeiro, a primeira taça do Mundial de futebol teve um percurso tão improvável quanto lendário.
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Antes de desaparecer para sempre, a mais famosa taça do futebol mundial passou anos escondida numa simples caixa de sapatos, debaixo de uma cama, longe dos olhares do mundo e da ameaça nazi. Durante a Segunda Guerra Mundial, Ottorino Barassi, então vice-presidente da FIFA, retirou discretamente a Taça Jules Rimet do banco onde estava guardada, em Roma, e escondeu-a em sua casa para impedir que fosse confiscada pelas forças de Adolf Hitler. A Itália detinha então a posse do troféu, depois de vencer o Campeonato do Mundo de 1938, e Barassi decidiu protegê-lo da forma mais improvável: numa caixa de sapatos, escondida debaixo da cama.

Criada para a edição inaugural do Campeonato do Mundo, em 1930, a Jules Rimet tornou-se rapidamente um dos símbolos mais reconhecidos do desporto mundial. A estatueta, desenhada pelo escultor francês Abel Lafleur, media 35 centímetros, pesava cerca de 3,8 quilos e era feita em prata dourada, assente numa base de lápis-lazúli. Representava Niké, a deusa grega da vitória, segurando uma taça octogonal.

Mas sobreviver à guerra não livrou o troféu de novas ameaças. A 20 de Março de 1966, apenas quatro meses antes do Mundial de Inglaterra, a taça desapareceu de uma exposição filatélica no Westminster Central Hall, em Londres. O troféu encontrava-se sob custódia do Brasil, campeão do mundo em 1962, e estava exposto ao público quando foi roubado, apesar da presença de vigilantes no edifício.

O desaparecimento desencadeou uma investigação internacional e causou embaraço às autoridades britânicas. Scotland Yard mobilizou dezenas de agentes, enquanto crescia o receio de que o troféu pudesse ter sido destruído ou levado para o estrangeiro.

Mas o desfecho seria tão improvável quanto o episódio da caixa de sapatos. Sete dias depois do roubo, um cão chamado Pickles encontrou a taça embrulhada em jornal, escondida junto a uma sebe no sul de Londres, durante um passeio com o dono, David Corbett. O animal tornou-se uma celebridade instantânea, apareceu em programas de televisão e entrou para a história do futebol como o improvável herói do Mundial de 1966.

O capítulo final da história da Jules Rimet seria, porém, mais sombrio. Depois de conquistar o tricampeonato mundial em 1970, o Brasil ficou definitivamente com a posse da taça, de acordo com as regras da FIFA. Exposta na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, a estatueta voltou a ser roubada, desta vez em Dezembro de 1983.

Ao contrário do que aconteceu em Londres, a taça nunca mais foi encontrada. A hipótese mais aceite pelas autoridades brasileiras é a de que tenha sido derretida pouco depois do furto, embora isso nunca tenha sido comprovado de forma definitiva. Mais de quatro décadas depois, o destino da Jules Rimet continua a ser um dos maiores mistérios da história do desporto

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