Credores do Boavista disponibilizam verbas para pagar ao Fisco e aos trabalhadores
O Boavista tem verbas disponíveis para regularizar dívidas fiscais e laborais, numa altura em que os credores procuram viabilizar uma solução para a continuidade do clube. O dinheiro corresponde ao sinal da adjudicação do Estádio do Bessa, dos terrenos adjacentes e do campo de treinos e já foi depositado na conta da massa insolvente.
Segundo informação transmitida à agência Lusa por uma fonte ligada ao processo, o montante destina-se a pagar encargos da massa insolvente, créditos garantidos da Autoridade Tributária relativos ao Imposto Municipal sobre Imóveis e os créditos laborais reconhecidos, que totalizam 734.805,85 euros. A informação disponível confirma a entrada do dinheiro, mas não a conclusão de todos estes pagamentos.
A mobilização dos credores acompanha uma nova tentativa de evitar o encerramento. O Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia suspendeu por 30 dias o fecho da atividade, previsto para 31 de outubro, após um pedido do Boavista e de credores que representam mais de metade dos créditos reconhecidos. Entre os requerentes estão a Frozenpark, a Merecida Narrativa, a Ágora e a empresa municipal Águas e Energia do Porto.
A autorização tem condições: o clube deve depositar até 8 de novembro o valor estimado das despesas correntes desse mês e apresentar o comprovativo até dia 10. O incumprimento, ou a criação de novas dívidas sobre a massa insolvente, determina o fim automático da autorização, permitindo à administradora avançar para o encerramento sem outro despacho judicial.
Este prazo surge depois de os credores terem rejeitado, em 7 de outubro, o plano de recuperação apresentado pela direção de Rui Garrido Pereira. Na altura, o Boavista reconheceu a gravidade do resultado e anunciou que continuaria a negociar uma alternativa. O problema de fundo mantém-se: o clube precisa de reunir apoio para uma solução que assegure a sua continuidade e sustentabilidade financeira.
No comunicado divulgado em 27 de outubro, a direção explicou que o pedido de adiamento resultou de uma reunião realizada no dia 20, no Bessa, com os principais credores hipotecários e os respetivos mandatários, autorizada pela administradora da insolvência. A iniciativa recebeu pareceres favoráveis dos principais credores, da Comissão de Trabalhadores, da Ágora e das Águas do Porto. O clube comprometeu-se a aproveitar o mês adicional para aprofundar as negociações e procurar um entendimento que permita a recuperação.

