Credores chumbam plano de recuperação do Boavista e abrem caminho à liquidação
Boavista Futebol Clube

Credores chumbam plano de recuperação do Boavista e abrem caminho à liquidação

Decisão tomada no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia inviabiliza a proposta apresentada pela direção do clube e determina a cessação imediata da atividade desportiva.
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O plano de recuperação do Boavista Futebol Clube foi rejeitado esta quarta-feira pela assembleia de credores, reunida no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, numa decisão que abre caminho à liquidação do histórico emblema portuense e à cessação imediata das suas atividades desportivas.

A deliberação diz respeito ao Boavista Futebol Clube e não deve ser confundida com o processo autónomo da Boavista SAD. No caso da sociedade desportiva, os credores já tinham rejeitado, em setembro, outro plano de recuperação e aprovado a respetiva liquidação. Agora, é o próprio clube que vê recusada a solução apresentada para tentar assegurar a sua viabilidade financeira, institucional e desportiva.

A direção liderada por Rui Garrido Pereira tinha apresentado, em julho, um plano de insolvência com finalidade recuperatória, procurando evitar a alienação total do património e garantir a continuidade do clube. A proposta assentava na geração de receitas futuras através da utilização do Estádio do Bessa, das modalidades, das quotas, do licenciamento da marca e da exploração de espaços, além de estabelecer um calendário de pagamentos aos credores.

O plano previa o pagamento integral das dívidas ao Estado em 150 prestações mensais, enquanto fornecedores e credores hipotecários receberiam uma parcela dos créditos reconhecidos, em prazos distintos. A votação desfavorável inviabiliza esse modelo de recuperação e deixa o Boavista sem a solução que a direção considerava essencial para a continuidade da instituição.

O clube atravessa uma grave crise financeira, com um passivo superior a 150 milhões de euros e vários ativos imobiliários envolvidos no processo de insolvência. A atividade já tinha sido suspensa em julho, devido ao incumprimento das condições financeiras impostas no processo, antes de o tribunal autorizar, em agosto, uma retoma condicionada ao pagamento regular das despesas correntes até ao final da época 2026/27.

A rejeição do plano representa um novo e profundo golpe para um clube fundado em 1903, campeão nacional em 2000/01 e uma das referências históricas do futebol português. Com a liquidação novamente no horizonte e a atividade desportiva interrompida, o futuro do Boavista, das suas modalidades e dos atletas ligados ao emblema axadrezado entra numa fase de máxima incerteza.

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