Maycon Douglas Normanha Cardozo, 17 anos, ainda tem uma trajetória curta de vida e de carreira, mas nem por isso menos curiosa. Nascido no Brasil e descendente de portugueses, o futebolista do Bayern Munique foi criado na Tailândia e, hoje, tenta afirmar-se no futebol profissional bem longe dos relvados de São Paulo, onde nasceu, ou de Buri Ram, província onde deu os primeiros toques na bola.A trajetória no mundo do futebol vem do berço. Já com as seleções de Portugal e Brasil de olho na nova joia do clube alemão, que se estreou pelos profissionais da equipa treinada por Vincent Kompany há pouco mais de um mês – vitória por 4-1 sobre o Borussia Mönchengladbach, no dia 6 de março –, Maycon tem no sangue o ADN de “boleiro”, como chamam os brasileiros.“Com oito, nove anos, o Maycon já fazia muita diferença no meio dos meninos tailandeses”, conta Douglas Cardozo, pai do atleta, em entrevista ao DN/DN Brasil. “Quando ele tinha dez anos, fui a Santos de férias e coloquei-o para treinar com a molecada de lá, que já era de alto nível. Foi logo aprovado”, recorda. Douglas, que como jogador teve passagem de sucesso pela Vila Belmiro, tendo sido campeão brasileiro pelo Santos em 2002 ao lado de jogadores como Diego Ribas – posteriormente campeão mundial pelo FC Porto –, não pôde no entanto deixar Maycon no Brasil. Após construir carreira na Europa, o antigo jogador mudou-se para a Tailândia, onde atuou por mais de uma década e onde Maycon e a irmã gémea Yasmin cresceram, depois de nascerem no Brasil em 2008.Em solo tailandês, o jovem médio de 17 anos que, de acordo com o pai, é comparado no Bayern como alguém que tem “características que lembram Philippe Coutinho”, antigo jogador da seleção brasileira e atualmente no Vasco da Gama, conseguiu cedo credenciais para fazer parte da Bayern World Academy, em Banguecoque. Chamou a atenção de membros ligados diretamente ao clube alemão e, aos 15 anos, mudou-se para a Baviera, onde conseguiu recentemente dar os primeiros passos na equipa profissional. “Quando não está no time principal [já fez três partidas], joga na quarta divisão, contra jogadores experientes, e isso ajuda muito na maturidade. Recentemente fez um golo importante, cortando da esquerda para dentro, que é a principal característica dele. Esses momentos dão confiança e ajudam no crescimento”, diz Douglas, que dá mais detalhes do estilo de jogo de Maycon: “Pode jogar na esquerda vindo para o meio, mas também vai muito bem mais centralizado, pois tem visão de jogo, ou mesmo pelo lado direito. Tem muita versatilidade, até porque o Bayern treina muito isso com os meninos desde cedo. Acredito que vá ser um jogador muito especial”, sublinha.Irmã gémea já representa PortugalAliás, não foi só o irmão que se destacou desde cedo com a bola no pé. “Quando o meu filho começou a jogar, a Yasmin começou a ficar inspirada por esse universo do futebol também. Eu até lhe perguntava se não queria fazer outra coisa, virar modelo, mas ela falava que queria jogar como o Maycon. Não deu outra.”O investimento em Yasmin, assim como em Maycon, deu frutos. Tal como o irmão, decidiu seguir a carreira nos relvados e, após uma curta passagem pelo Sporting e uma “quase ida” para o PSG, firmou contrato com o Flamengo. Depois de representar a seleção brasileira no Mundial sub-17, optou por agora, noutro escalão (sub-20), representar o país dos avós: Portugal..“A minha mãe é da ilha da Madeira, sou cidadão português, passei isso aos meus filhos e nós sentimos essa proximidade cultural com Portugal”, conta Douglas, que viu na última semana a filha ser convocada pela primeira vez para a seleção portuguesa. “Já tínhamos contacto com a federação há algum tempo, então quando surgiu a convocatória, foi com muita honra que ela aceitou. A ala portuguesa da família ficou muito emocionada”, afirma.Após a escolha de Yasmin por Portugal, os olhos agora viram-se para Maycon, também já seguido de perto pela FPF. Segundo Douglas, a decisão sobre por qual seleção atuará depende exclusivamente do filho, que não fecha portas. “O sonho dele é vestir a camisa amarela da seleção brasileira”, admite Douglas. “E acho que, enquanto ainda estiver representando categorias inferiores, sub-17 ou sub-20, é algo que tem de aproveitar: a possibilidade de defender duas seleções, como fez a Yasmin. Mas depois disso será hora de decidir uma das duas e, aí, acredito que a escolha tenha de ser a mais profissional possível. Creio que ele estará em 2030 [próximo Mundial], seja por qual seleção for”, finaliza..Como o Flamengo se tornou o destino favorito dos treinadores portugueses no Brasil.Portugal deixa de ser escala obrigatória para promessas brasileiras