Batizada por pilotos e jornalistas como a “Catedral dos Ralis em Portugal”, Fafe tem a “melhor classificativa do mundo”, muito por culpa do mítico troço de Fafe/Lameirinha e do icónico salto da Pedra Sentada.Assim chamado por percurso passar junto a uma rocha de grandes dimensões, que se assemelha a uma pedra sentada ou poltrona gigante, o local tem proporcionado imagens espetaculares, como aquela do voo protagonizado por Armin Schwarzm, em 2000. A fotografia que retrata o robusto Škoda Octavia WRC a pairar no ar como que a desafiar as leis da física tornaram o salto da Pedra Sentada no lugar mais procurado para ver o rali e lançou o Škoda para um longo reinado no mundial de construtores..“Recordo-me perfeitamente desse salto, mas dentro do carro não fiz a mínima ideia de quantos metros saltei! Posso apenas dizer que aquele foi de facto um grande salto, e isso deveu-se a eu estar muito confiante naquele troço por ali ter testado exaustivamente com o Toyota Celica em 1995 (...) Quando o fiz com o Octavia WRC notei que o salto estava um pouco diferente, parecia que tinha uma pequena rampa no final, o que projetou o carro de forma incrível. Foi uma imagem espetacular mas estava tão absorvido na pilotagem que nem me apercebi do quão longe tinha saltado”, revela o piloto numa entrevista. Um revista inglesa, especializada em desportos motorizados, a Motoring News, considerou o voo de Schwarzm, como o mais longo de sempre da história do Mundial de Ralis, mas nem todos ficaram convencidos - para a maioria dos especialistas, o salto de Markko Martin no Rali da Finlândia de 2003 é o maior de sempre.No Rali de Portugal, Mads Østberg também protagonizou um voo memorável, em 2017, ano em que Quentin Gilbert mostrou que abordar o salto a mais de 120 quilómetros por hora não é para todos, tendo ficado na memória pelo capotanço frontal, que deixou o seu Skoda Fabia R5 muito maltratado. Em 2016, o voo de Andreas Mikkelsen foi eleito como o melhor salto do ano no mundial de ralis e fixou Fafe no calendário dos ralis.."Não me passa pela cabeça que uma organização prescinda do histórico que Fafe oferece ao Rali de Portugal"“Quando há apresentações do WRC, as imagens que aparecem são de Fafe e do salto da Pedra Sentada. Os pilotos referem-se sempre aos nossos traçados como apetecíveis e prazeirosos ao nível da condução e isso têm muito a ver, não só como o salto, mas com a passagem pelo Confurco”, segundo presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa.Eleito em 2021, o autarca herdou um investimento, que atualmente anda na ordem dos 200 mil euros, que defende ser “plenamente justificado”. O evento gera uma verdadeira peregrinação à cidade com 48 mil habitantes, “que por estes dias recebe perto de um milhão de espectadores ao longo dos 20 quilómetros do traçado”, gerando ganhos para a economia local, regional e nacional. Segundo um estudo do ACP, cada município envolvido pode ter ganhos até cerca de 15 milhões de euros, sendo que o impacto nacional, em 2025, foi de 193 milhões.O Rali de Portugal integra o WRC desde a criação do campeonato mundial, em 1973, mas entrou e saiu do calendário desde então. Fixou-se ininterruptamente em 2009 e está garantido até 2028. “Não consigo imaginar um Rali de Portugal sem Fafe. Não me passa pela cabeça que uma organização prescinda do histórico que Fafe oferece ao Rali de Portugal, que este ano tem a particularidade de também receber a cerimónia da entrega dos prémios”, confessou ao DN, Antero Barbosa, lembrando que a cidade já alberga o Museu do Rali.A ideia é alargar o projeto museológico, e já houve várias conversas com o Governo nesse sentido, para captar ainda mais amantes do automobilismo e dos ralis para a cidade e para a região norte, que tem acarinhado e alimentado a organização do evento, que, segundo o Automóvel Club de Portugal, tem custos na ordem dos quatro milhões de euros. "O Rali de Portugal tem-se posicionado no norte porque o norte se entrega muito ao Rali de Portugal e também pelo esforço das câmaras e da Câmara de Fafe em particular, que suportam, ou que suportaram até agora, a sua realização, uma vez que até este ano não houve apoios estatais."Por isso, segundo o autarca, "há que reconhecer o papel das autarquias na promoção dos territórios através das provas desportivas”, como o Rali de Portugal. E no caso de Fafe, também com o Mundial de Enduro e a Volta a Portugal, no próximo verão, "num investimento global à volta dos 600 mil euros".Na 59.ª edição, o heptacampeão Sébastien Ogier procura reforçar o estatuto de maior vencedor da prova portuguesa do WRC, com o líder do mundial de pilotos, Elfyn Evans a ter honras de abertura.isaura.almeida@dn.pt.Evans quer alargar liderança e impedir Ogier de reforçar estatuto de maior vencedor do Rali de Portugal