Chuva de críticas abala Itália após falhanço histórico no acesso ao Mundial 2026
Armin Durgut

Chuva de críticas abala Itália após falhanço histórico no acesso ao Mundial 2026

De políticos a antigos jogadores e treinadores, multiplicam-se os pedidos de demissões e reformas profundas depois da terceira ausência consecutiva da “squadra azzurra” em Campeonatos do Mundo
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A eliminação da seleção italiana do Campeonato do Mundo de 2026 desencadeou uma enorme polémica em Itália e uma onda de críticas raramente vista na história recente do futebol do país, envolvendo políticos, antigos internacionais, treinadores históricos e figuras institucionais do desporto. A derrota frente à Bósnia e Herzegovina no play-off de qualificação, decidida nas grandes penalidades depois de um empate a uma bola, confirmou a terceira ausência consecutiva da “squadra azzurra” em fases finais de Mundiais, um cenário considerado humilhante para uma seleção tetracampeã mundial e que mergulhou o futebol italiano numa crise profunda.

As reações surgiram de imediato e com enorme dureza. O antigo selecionador Fabio Capello classificou a eliminação como uma “vergonha” e uma “tragédia desportiva”, afirmando que não conseguiu dormir após o jogo e defendendo mudanças urgentes na estrutura da federação. Para o histórico treinador, o problema ultrapassa os resultados e revela falhas estruturais acumuladas ao longo dos últimos anos, sobretudo na formação de jogadores e na organização do futebol nacional. Capello foi claro ao exigir responsabilidades políticas e federativas, considerando incompreensível que ninguém tenha apresentado a demissão após um fracasso desta dimensão.

Também Alessandro Del Piero não poupou críticas, classificando a atual situação como “imperdoável” e admitindo que a Itália se tornou motivo de chacota no panorama internacional. Para o antigo capitão da Juventus e campeão do mundo em 2006, é inconcebível que uma potência histórica do futebol tenha falhado três Mundiais consecutivos, algo nunca registado por uma seleção com este estatuto. A ausência prolongada da azzurra das grandes competições internacionais tornou-se, segundo vários analistas, o sinal mais evidente de um declínio estrutural que já não pode ser explicado apenas por fatores pontuais.

No plano político, a pressão aumentou rapidamente sobre a liderança da federação italiana. O ministro do Desporto, Andrea Abodi, apelou publicamente à demissão do presidente federativo, defendendo que a reconstrução do futebol italiano deve começar com uma renovação da direção. A posição foi reforçada por deputados da maioria governamental, incluindo representantes do partido Irmãos de Itália, que exigiram uma sessão parlamentar dedicada à crise do futebol nacional e acusaram a atual liderança de falhar na proteção de um património desportivo considerado essencial para a identidade do país.

Apesar disso, nem todos os responsáveis políticos concordaram com a responsabilização exclusiva da federação. Alguns deputados da oposição lembraram que o governo também tem responsabilidades na falta de investimento em infraestruturas desportivas e programas de desenvolvimento juvenil, defendendo uma abordagem mais abrangente para resolver o problema.

Dentro de campo, Alessandro Bastoni tornou-se um dos rostos mais visados após a expulsão ainda na primeira parte do encontro decisivo frente à Bósnia, num momento em que a Itália vencia por 1-0. A inferioridade numérica acabou por comprometer a equipa durante o restante jogo e prolongamento, alimentando críticas intensas da imprensa e dos adeptos. O defesa foi alvo de ataques nas redes sociais, obrigando-o a limitar comentários nas suas plataformas digitais, enquanto vários jornais desportivos classificaram o lance como decisivo para o desfecho da eliminatória.

O selecionador Gennaro Gattuso, visivelmente abalado, pediu desculpa aos adeptos no final do encontro e reconheceu a gravidade do falhanço, sublinhando que a equipa demonstrou empenho, mas voltou a falhar nos momentos decisivos. Já o capitão Gianluigi Donnarumma revelou ter chorado após o jogo e apelou à união nacional para ultrapassar uma das maiores desilusões da história recente do futebol italiano.

Analistas e comentadores apontam para a perda de competitividade da Serie A, a dificuldade em integrar jovens talentos na seleção principal e a ausência de uma nova geração de jogadores capazes de substituir figuras históricas como Baggio, Totti ou Del Piero. A conquista do Euro 2020 surge agora como uma exceção num ciclo marcado por frustrações e oportunidades perdidas.

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