A Taça do Mundo de velocidade arranca esta quinta-feira, em Szeged, na Hungria, e marca o início de um novo ciclo competitivo para a canoagem portuguesa, agora já com os olhos postos em Los Angeles 2028. Mais do que uma simples primeira prova internacional da temporada, esta etapa assume um peso acrescido devido ao novo modelo de qualificação olímpica, que transforma praticamente todas as competições internacionais dos próximos dois anos em etapas decisivas para o acesso aos Jogos.Portugal apresenta-se na Hungria com uma seleção que cruza experiência e renovação, mantendo nomes consagrados da modalidade e integrando uma nova geração que começa a ganhar espaço nas embarcações nacionais.Fernando Pimenta volta a assumir o papel de principal referência da equipa portuguesa, competindo em K1 1000 e K1 5000. Pedro Casinha estará em K1 200 e também num dos K4 500 masculinos. André Moreira e Duarte Cerdeira alinham no K1 500 e completam igualmente uma das embarcações coletivas de K4 500. Bruno Brasileiro competirá em K1 5000, além de integrar o K2 500 e o K4 500.Portugal terá dois K4 500 masculinos em competição. Um deles junta Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha, enquanto o segundo será formado por Iago Bebiano, Bruno Brasileiro, Duarte Cerdeira e André Moreira. Em K2 500, Portugal apresenta as duplas João Ribeiro/Messias Baptista e Iago Bebiano/Bruno Brasileiro.No setor feminino de kayak, destaque para o K4 500 composto por Ana Brito, Teresa Portela, Ana Rodrigues e Maria Gomes, bem como para o K2 500 de Clara Duarte e Teresa Portela. Já na canoa feminina, Beatriz Fernandes e Inês Penetra estarão em C2 500, com Beatriz Fernandes também inscrita em C1 500 e Inês Penetra em C1 200.Para o selecionador nacional, Hélio Lucas Araújo, esta nova realidade competitiva obriga a uma abordagem diferente da gestão dos atletas e das embarcações. “Agora é durante estes próximos dois anos. Vamos ter cinco provas por ano, três Taças do Mundo, Campeonato da Europa e Campeonato do Mundo. Conta tudo para o ranking olímpico”, explicou, sublinhando que o novo sistema torna o apuramento “muito apertado”. O técnico recorda que o modelo atual difere completamente do ciclo anterior, no qual o apuramento olímpico passava sobretudo por uma grande competição mundial realizada no ano anterior aos Jogos. “Agora já não é uma prova para medir e preparar daqui a dois anos. Já conta. O apuramento olímpico é quase tão difícil como a própria participação nos Jogos”, frisou. .A presença portuguesa em Szeged reflete também uma estratégia de renovação gradual da seleção nacional, sem abdicar da competitividade imediata. Hélio Lucas Araújo admite que a experiência dos atletas mais consagrados está a ser usada como base para acelerar o crescimento dos mais jovens. “Temos alguns atletas já com muita experiência e queremos aproveitar isso para passar aos mais novos. É isso que estamos a tentar fazer”.O selecionador destaca particularmente o equilíbrio que procura construir no setor feminino, onde Teresa Portela assume um papel importante na integração das atletas mais novas. “A Teresa é uma atleta muito experiente, mas toda a outra equipa é jovem, praticamente atletas sub-23. É uma equipa que começa agora a dar os passos no alto rendimento com resultados”, explicou. Apesar da forte renovação, Portugal chega à Hungria depois de uma temporada de 2025 particularmente positiva, com títulos europeus e medalhas mundiais em várias embarcações. O selecionador lembra que os resultados recentes demonstram a evolução sustentada da modalidade em Portugal. “Tivemos campeões europeus em barcos individuais e de equipa. No Mundial tivemos um primeiro, um segundo e um terceiro lugar. Na canoa feminina tivemos pela primeira vez uma final em C2”, recordou. O objetivo para esta primeira etapa da Taça do Mundo passa, acima de tudo, por garantir consistência competitiva e começar a somar pontos importantes no ranking internacional. “O objetivo é entrar com o pé direito, fazer uma avaliação importante antes do Europeu e perceber se conseguimos ter regularidade ao longo da época”, explicou Hélio Lucas Araújo. Depois de Szeged, a seleção portuguesa seguirá diretamente para Brandemburgo, na Alemanha, onde disputará a segunda etapa da Taça do Mundo, num mês de maio particularmente intenso para a velocidade portuguesa.Apesar da exigência crescente do novo modelo de qualificação, o selecionador nacional acredita que Portugal pode continuar a afirmar-se entre as principais potências internacionais da modalidade. “O objetivo é que os atletas ganhem experiência e ritmo competitivo para chegarem aos Jogos confiantes. Acho que temos capacidade para lutar por mais de uma medalha”, assumiu. .Fernando Pimenta conquista mais um título de campeão do mundo de canoagem.João Ribeiro e Messias Baptista trazem ouro e prata para Portugal nos mundiais de canoagem