Os gémeos, Afonso e Guilherme Reis, deram que falar nos últimos Nacionais de Juniores de judo. Após um percurso irrepreensível, vencendo combate após combate e apoiando-se um ao outro, os dois atletas da Gualdim Pais encontraram-se no último combate da prova na categoria de -60 kg. Uma final inédita em que Afonso, que gosta de um judo mais físico, levou a melhor e se sagrou Campeão Nacional, enquanto o irmão apreciador de um judo mais ágil e tático terminou como Vice-campeão.Tinham 9 anos quando começaram. Dizem que não gostaram lá muito da modalidade, mas, por insistência da mãe, foram-se mantendo. Hoje já são uma referência. “Ganhámos o gosto da competição. A competitividade entre os dois, se calhar, foi um motor para continuarmos a treinar”, na opinião de Guilherme. Mas, para Afonso, é “complicado” e “um pouco estranho” competir com o irmão.E ambos admitem que lhes falta frieza e distanciamento competitivo para se verem como adversários, mas Guilherme é mais extrovertido na resposta: "Vê-se que a nossa forma de combater, às vezes, parece mecanizada, porque estamos muito habituados ao jogo um do outro. Isso não é a mesma coisa que enfrentar um adversário que nunca tínhamos visto, em que entramos com a nossa tática específica, estratégia específica. Muitas vezes já sabemos a tática um do outro e por isso é que acaba por ser um bocado mecanizado."Afonso gostaria de continuar a competir até onde os estudos o permitirem - quer estudar Economia - e Guilherme quer cursar Imagem Médica e Radioterapia, e continuar a treinar e a competir para chegar tão ou mais longe do que o irmão. Afonso Reis já está no Programa do Alto Rendimento e prepara-se para o Campeonato da Europa, mas Guilherme ainda precisa lutar para lá chegar.Fazem parte do grupo de elite do judo da Associação Filarmónica Gualdim Pais, onde treinam juntamente com Vicente Silva e a medalhada olímpica, Patrícia Sampaio. Por vezes auxiliam o mestre e treinador, Igor Sampaio, na aula de judo a miúdos e adolescentes e percebem que também já fora assim, reguilas e irrequietos."Éramos muito reguilas, mas quando entrámos no judo, não foi preciso muito tempo até apanharmos alguma disciplina", confessa o campeão nacional júnior, sorrindo na direção do irmão gémeo, que lhe completa o raciocínio: "Acho que foi por isso que a nossa mãe nos meteu no judo e também deve meter o nosso irmão mais novo, o Gabriel, que tem 4 anos. Nós ficámos na ordem, ele agora vem também."isaura.almeida@dn.pt.No ‘tatami’ da Gualdim Pais cabem castores, gaivotas e campeões de judo