Bruno Torres, o treinador que só sabe ganhar vai assumir a seleção de futebol de praia
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Bruno Torres, o treinador que só sabe ganhar vai assumir a seleção de futebol de praia

Antigo capitão da equipa das quinas foi, aos 45 anos, nomeado selecionador nacional. A estreia será no México.
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Em 2018 o clube onde jogava, o Sporting de Braga, lançou-lhe o desafio: ser jogador-treinador de futebol de praia. O sucesso foi imediato: Bruno Torres conquistou três Europeus, dois Mundialitos, seis Campeonatos Nacionais, três Supertaças e cinco Taças de Portugal.

Venceu tudo o que era possível, mas foi derrotado por uma decisão administrativa. Em 2024, o Sp. Braga terminou com a Secção de Futebol de Praia e foi nessa altura que o agora selecionador nacional deu valor à aposta que fez nos estudos, que lhe permitiu ter um plano B para uma carreira que sabia ser incerta. Licenciou-se em Educação Física e Desporto, mostrando o mesmo empenho no papel de professor, instrutor de fitness ou trabalhador num ginásio.

Filho do ex-jogador e treinador José Alberto Torres, Bruno herdou do pai a paixão pelo futebol... o jogado em pelados e relvados até aos 26 anos, nos Distritais do Porto (para poder estudar durante o dia), e o jogado na areia da praia. Por volta dos 14 anos, passou a ser mais confortável jogar descalço nas praias da Póvoa de Varzim. Organizava viagens e peditórios com os amigos para poder ir a torneios de verão em Portugal e Espanha.

Em 2006 aceitou o desafio de Pinto da Costa para ser rosto do projeto de futebol de praia do FC Porto e criou assim uma alavanca para uma carreira de sucesso. Jogou ainda no V. Guimarães e no Sp. Braga, mas nunca conseguiu viver apenas e exclusivamente da modalidade, nem quando emigrou para representar Barcelona, AS Roma, Lokomotiv Moscovo, Lignano Sabbiadoro, Besiktas, Alanya, Seferihisar Cittaslow.

Foi um dos primeiros a ser chamado à seleção nacional e, desde que entrou, não mais saiu das convocatórias, tendo chegado a capitão de Portugal e erguido dois troféus de Campeão do Mundo (2015 e 2019). Fez 355 jogos, marcou 31 golos e, em 2020, em entrevista ao MaisFutebol, definiu-se assim: “Quando se fala no Torres, fala-se de uma carreira de muito trabalho, muita dedicação e muito sacrifício.”

No início do mandato de Pedro Proença, em conversa com o DN, Bruno Torres desafiou o presidente da Federação Portuguesa de Futebol a dar o passo que faltava na construção de um “campo de areia na Cidade do Futebol”. O antigo internacional defendeu que o trabalho da FPF estava a ser “bem-feito”, mas era preciso lidar com a sazonalidade da modalidade e, por isso, defendeu a ideia de ter estádios cobertos, para se poder jogar durante todo o ano. “O futebol de praia tem de fazer o dobro ou o triplo para continuar a ganhar e continuar a crescer”, disse também.

Anunciado no dia 24 de março no cargo de selecionador nacional, prometeu dar “seguimento a um enorme legado deixado” por Mário Narciso, que deixou o comando da equipa das quinas ao fim de 13 anos, muitos deles tendo Bruno Torres em campo. A primeira prova da era Bruno Torres será a Acapulco Beach Soccer Cup, de 5 a 13 de abril, no México.

isaura.almeida@dn.pt

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