Bola de Ouro. Kane recorreu a médico especialista em prevenção de dor via acupuntura para superar lesões nos tornozelos
Harry Kane atingiu aos 33 anos o maior feito da carreira: a Bola de Ouro. Figura proeminente da seleção inglesa há uma década - destronou Rooney no final da carreira do ex-United - passou dez anos no Tottenham, tornou-se o oitavo jogador com mais jogos no clube e o melhor marcador de sempre do clube. Mas é a prova dada no Bayern, nas últimas três épocas, que o colocou como integrante de um top-3 de avançados-centro no mundo. A saída para outros emblemas, principalmente britânicos, foi aventada desde 2019 - Arsenal e United aproximaram-se da contratação, mas apareceu a dúvida sobre a condição física do atleta.
Uma rotura muscular da coxa antes da pandemia de covid-19 afastou-o de 15 encontros pelos spurs e menos de um ano depois somou problemas contínuos no tornozelo. Lançaram-se alarmes na altura e, escreveram os meios ingleses, a saída dos londrinos ficou adiada justamente devido à suspeita de problemas crónicos no tornozelo.
Foi depois da rotura completa do tendão do músculo posterior da coxa esquerda que apareceu Alejandro Elorriaga, clínico que o aconselhou à cirurgia, e que acompanharia, a partir daí, o atleta. Na segunda-feira, na entrega da Bola de Ouro, Kane dedicou-lhe palavras de agradecimento. O trajeto com o médico começou em 2020/21, quando Kane chegou aos 33 golos, e em 2021/22 a relação aprofundou-se com Kane a chegar aos 27 golos apesar do tratamento constante com o clínico.
O madrileno, com várias décadas a exercer medicina e a lecionar no Canadá, passou a visitar Kane mensalmente. Passava uma semana com o jogador quando ia Londres, anunciou o avançado em 2022.
Elorriaga dirige o programa de Acupuntura Médica Contemporânea na Universidade McMaster, no Canadá, desde 1998, onde também atua como professor clínico no Departamento de Anestesia. Especializou-se no controlo da dor e na recuperação funcional, dedicando-se ao alto rendimento. Kane escolheu-o depois de saber que o golfista Justin Rose tinha recorrido aos seus serviços de acupuntura em 2013, antes de vencer o US Open. “Alejandro teve um papel extremamente importante no meu sucesso. Trabalhamos muito nos bastidores”, explicitou Kane em 2025 ao jornal Marca.
O artilheiro inglês foi até visto em Madrid noutras alturas, avançando-se, em 2023, que o Real poderia estar na corrida pelo jogador. Numa das vezes, um relato noticioso conseguiu, sim, precisar que Kane tinha ido ao encontro de Elorriaga, para assistir a um encontro de futebol do Ferro, que é dado como quarto clube mais antigo de Madrid (1918) e que milita na oitava divisão espanhola. Elorriaga é um dos maiores acionistas do emblema local e por várias vezes terá levado Kane ao clube, tal a relação umbilical que têm.
Este acompanhamento dedicado é cada vez mais comum no desporto de alto rendimento, mas mais assinalável nas modalidades individuais. Rafael Nadal, recordista em Roland Garros, e segundo tenista com mais títulos em Grand Slams (22), fez-se acompanhar duas décadas pelo ortopedista Ángel Cotorro, que investigou soluções para contrariar a Síndrome de Müller-Weiss num dos pés do atleta, mitigando o impacto ao longo dos anos na anca. Tornou-se depois médico da Federação Espanhola de Ténis e da equipa da Taça Davis.


