As coisas boas do jogo com a Colômbia ainda são poucas para quem quer fazer o que ainda não foi feito
CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH

As coisas boas do jogo com a Colômbia ainda são poucas para quem quer fazer o que ainda não foi feito

Portugal empatou (0-0) e vai jogar com a Croácia nos 16-avos-de-final do Mundial2026. Diogo Costa foi o homem do jogo e Renato Veiga fez uma grande segunda-parte.
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Se a seleção estivesse a jogar à hora que a maioria dos portugueses estava a ver o jogo com a Colômbia, que começou às 00h30 da manhã, em Lisboa, admitia-se a sonolência e apatia mostrada pela equipa das quinas. Assim, só mesmo o facto de já estar apurada para os 16-avos-de-final podia explicar a falta de frescura física e mental que resultou num simpática empate com o Colômbia (0-0).

O empate sem golos dita que a seleção portuguesa encerra a fase de grupos no segundo lugar e encontrará então a Croácia na primeira ronda a eliminar, no dia 3 de julho (madrugada de quinta para sexta) às 00h00, em Toronto. Já a Colômbia vai enfrentar o Gana de Carlos Queiroz. A RD Congo qualificou-se como um dos melhores terceiros, com quatro pontos, ao vencer, por 3-1, o Usbequistão, que concluem a estreia sem pontuar.

Mas há bons indicadores a reter da terceira jornada do Grupo K do Mundial2026. Que Diogo Costa está lá quando for preciso e que Renato Veiga, apesar da primeira parte com uma exibição algo errática, a jogar como o fez no segundo tempo dá garantias e ganha o lugar ao lado do imperial Rúben Dias. O patrão da muralha portuguesa fez um jogo modesto, mas ainda assim foi decisivo quando aos 88 minutos tirou uma bola quase em cima da linha de golo, impedindo dessa forma que Luis Suárez pudesse fazer estragos.

Em defesa da equipa, o calor que, se fazia sentir em Miami, e que era visível no rosto dos jogadores e nas encharcadas camisolas, tolheu a criatividade da equipa que sentiu, e muito, a falta do cérebro Bernardo Silva, que não saiu do banco no jogo com a Colômbia. O jogo com os cafeteros (assim conhecidos por serem de um país produtor de café) é a prova que Roberto Martínez confia tanto no talento e desempenho dos seus jogadores, que encarou a fase de grupos como um teste para a fase a eliminar e não para deslumbrar o Mundo e os adversários com um futebol vistoso e convincente de quem se perfila como candidato a se campeão mundial.

Só assim se explica que ele tenha visto coisas "positivas" nos empates com a RD Congo (1-1) e a Colômbia (0-0), para lá das coisas boas que viu na goleada aos Usbequistão (5-0). E é bem verdade que Portugal tem um histórico de empates a defender - foi campeão europeu em 2026, depois de uma fase de grupos em que desiludiu com três empates -, mas as coisas boas do jogo com a Colômbia ainda são poucas para quem quer "fazer o que ainda não foi feito" - o lema da seleção portuguesa para este Campeonato do Mundo de Futebol.

Mas voltando ao Mundial2026 e aos EUA, como o selecionador admitiu à RTP1, após jogo, passar em primeiro ou em segundo lugar do grupo tanto fazia (apesar de significar menos um dia entre jogos) e que precisava ver Rúben Neves em contexto de jogo. Deu-lhe a titularidade, mas a verdade é que o médio defensivo fez apenas 45 minutos. Não voltou do intervalo e deu lugar a João Neves, assim como João Cancelo deu lugar a Rafael Leão, que estava fresco para correr, mas desinspirado no capítulo da finalização.

FIFA

Sair ileso e em segurança

Esta madrugada (28 de junho), No Hard Rock Stadium, Portugal permitiu ao adversário a iniciativa do jogo – Colômbia teve mais posse de bola (55%) e o dobro dos remates de Portugal no jogo (24 contra 13) – e expôs Diogo Costa ao perigo por demasiadas vezes. Apesar de não ter feito defesas para a fotografia, o número 1 nacional mostrou que podem contar com ele e foi mesmo eleito o melhor em campo. Jhon Córdoba, titular no lugar do leão Luis Suárez, testou-lhe os reflexos por duas vezes no primeiro tempo.

Do lado português, João Félix (39') e Bruno Fernandes (2') tiveram a oposição de Vargas para frustração dos adeptos portugueses que se preparavam para os festejos mesmo antes do intervalo.

O 0-0 no marcador iria manter até ao fim.

No segundo tempo o ritmo de jogo diminuiu, mas a Colômbia fez questão de ir atrás dos três pontos em vez de se manter na expectativa do empate que lhe daria a liderança na mesma. E foi essa atitude que lhe valeu mais oportunidades para chegar ao golo. E quase era bem sucedida. Aos 90'+1' um golo anulado a Davinson Sánchez por um fora de jogo milimétrico fez justiça ao homem do jogo. Diogo Costa não merecia perder, mas Portugal também não merecia ganhar.

Os portugueses podem até ter evitado encontrar Carlos Queiroz - Gana vai jogar com a Colômbia -, mas ficando em segundo lugar, o possível caminho até à final pode contemplar um confronto com a Espanha, nos oitavos de final, e um duelo com a França, nas meias-finais.

isaura.almeida@dn.pt

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