Andrea Agnelli é bisneto de Giovanni Agnelli, fundador da construtora automóvel Fiat.
Andrea Agnelli é bisneto de Giovanni Agnelli, fundador da construtora automóvel Fiat.Filipe Amorim/Global Imagens

Agnelli, 'persona non grata' no futebol europeu, está de volta

Ex-presidente da Juventus, ideólogo da fracassada Superliga da Europa, lança empresa de investimentos ao lado do herdeiro da marca Benetton e de Chiellini.
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Com o objetivo de investir em propriedade intelectual desportiva, como clubes e competições, e em tecnologia, como dados e inteligência artificial, foi fundada no final da semana passada a Gamma Waves Partners. A Gamma Waves, no entanto, não é apenas mais uma empresa de investimentos desportivos: é o fundo de Andrea Agnelli.

O italiano, 50 anos, natural de Turim, como a maior parte do clã que administra a Juventus há mais de cem anos, estava “fora de combate” desde que em 2021, na qualidade de vice-presidente, arquitetou a Superliga Europeia, uma competição fechada para a elite do futebol do continente, mas fracassou poucos dias após, devido à reação negativa de adeptos e políticos, o que forçou os clubes promotores da ideia a se retirarem.

Na sequência, o bisneto de Giovanni Agnelli, fundador da Fiat, e neto de Edoardo Agnelli, o primeiro da família a presidir à Juve, de 1923 a 1935, deixou o clube pela porta dos fundos, em 2022, acusado de inflar lucros com a venda de jogadores e sentenciado a 20 meses de pena suspensa – ele mantém a inocência.

Pois bem: é esse Agnelli, persona non grata do futebol europeu em geral e italiano em particular, que se dispõe agora a mudar o desporto por outros meios. “Não estou a tentar provar nada”, disse ao Financial Times, “mas acabei de completar 50 anos e sinto haver espaço para escrever outra página emocionante através da Gamma Waves”.

Com sede em Amesterdão, cidade onde Agnelli reside atualmente, a Gamma vai gerir o dinheiro investido pelo ex-patrão da Juventus e pelos seus cofundadores: Rocco Benetton, como o nome denuncia, outro herdeiro de uma dinastia, no caso da marca de moda homónima, e Giorgio Chiellini, o ex-capitão da seleção italiana e da Vecchia Signora.

Por ora, a Gamma já recebeu 55 milhões de euros em compromissos firmes de financiamento de uma meta de 100 milhões mas Agnelli recusou-se a especificar o valor do seu próprio compromisso. “Todos têm um capital significativo em risco“, afirmou ao FT.

O diretor de investimentos da empresa, Kyang Yung, revelou que a meta é uma taxa interna de retorno de 25%, métrica de desempenho utilizada pelo setor de private equity. As empresas-alvo serão startups consolidadas e as diligências para o primeiro investimento já estão em andamento. “Na verdade, estruturamos a empresa com proprietários, operadores, atletas e investidores de tecnologia trabalhando juntos, esperamos que isso nos dê uma vantagem competitiva”, disse Yung.

O ramo está em alta no mundo: no início deste ano, a Bruin Capital, fundo especializado em desporto, captou mil milhões de dólares para investir em fornecedores de dados e tecnologia; a Left Lane Capital, investidora de capital de risco, apostou em ligas iniciantes, incluindo a Kings League, competição fundada pelo ex-capitão do Barcelona, Gerard Piqué; e a EQT, grupo de private equity, apoiou a Baller League, uma competição concorrente.

Depois da travessia do deserto, por causa da “gananciosa” Superliga Europeia e da suspeita de fraude na Juventus, Agnelli, que, registe-se, conquistou o título da Série A italiana nove vezes e foi vice-campeão da Liga dos Campeões em duas ocasiões como presidente do clube, está de volta.

Números:

20: Meses de pena suspensa a que o dirigente foi condenado por inflar lucros da Juventus.

55: Milhões de euros que a empresa, a Gamma Waves, já recebeu em financiamento de um total pretendido de 100 milhões.

9: Títulos seguidos ganhos pela Juventus sob a presidência de Andrea.

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