O encontro anual do Fórum Económico Mundial, em Davos, é um bom rival. O SuperBowl, festa do futebol americano, idem. O festival de Cannes, também. No Kentucky Derby, corrida de cavalos, há muitos. A Art Basel, principal feira de arte moderna e contemporânea, e o Grande Prémio do Mónaco, em Fórmula 1, são concorrentes de peso. Mas ninguém supera o Masters, um dos quatro majors do golfe profissional.Realizado todos os anos no início de abril no Augusta National Golf Club, em Augusta, na Georgia, Estados Unidos, o evento atrai o maior número de jatos do planeta ao longo do fim-de-semana de campeonato e nos dias imediatamente antes e depois. Em 2026, a Netjets, líder global da indústria, realizou 775 voos de e para Augusta, mais quase 40% do que em 2025. A Flexjet chegou a 400 voos e a Vista realizou 20 por dia ao longo da semana. “O Masters não tem comparação com nada, a procura é fora do normal”, resumiu Mike Silvestro, CEO da Flexjet à edição online da CNBC. Nem os aeroportos em redor de Davos, da sede variável do Superbowl e de outras reuniões de ultra ricos, têm o mesmo fluxo do que Augusta Regional Airport, o mais pressionado do mundo por alguns dias com quase 3500 voos, muitos deles de jatos privados, razão pela qual os diretores expandiram a pista de estacionamento para ir abrigando 200 jatos de cada vez. Mas não chega: a “guerra” entre Netjets, Flexjets e outras obriga os aeroportos de Thomson e Aiken, longe de Augusta, a estarem de prevenção.A Netjets anunciou, por isso, a construção de um terminal de 432 metros quadrados no aeroporto Augusta Regional só para estacionar os seus jatos porque, disse Pat Gallagher à CNBC, presidente da líder global da indústria, “nada se compara ao fluxo de voos do Masters”.Para convencer os clientes a voar consigo e não com a concorrente, as empresas de jatos, entretanto, não se limitam a ofertas pelo ar. Em terra, alugam mansões onde oferecem refeições com chefs Michelin, festas de arromba e até concertos exclusivos para atrair jogadores e patrocinadores. “Queremos manter-nos conectados com os clientes além do ar”, resumiu Gallagher. “Somos um negócio de estilo de vida, de luxo, quando me perguntam em que área trabalho, nunca respondo ‘área de aviação’ e sim ‘área de hospitalidade’”. A Netjets permite aos clientes (ou hóspedes) períodos de relaxamento e descanso nas citadas mansões, com refeições e bebidas, e eventos com os craques mundiais do golfe.A Vista, aliás, é especialista nesse segmento, abrigando, segundo Leona Qi, a presidente da empresa, “clientes de Singapura, Japão, Coreia do Sul, Índia e Brasil“. “Porque não é um evento a que se vem só para ver o golfe, é um evento para se criar conexões e para se fechar negócios.”Por entre os voos de jatos constantes e os negócios milionários fechados, houve também espaço para desporto em Augusta de 9 a 12 de abril. Rory McIlroy, o campeão norte-irlandês de 36 anos que já completou o Grand Slam, isto é, já venceu os quatro principais torneios do golfe, conquistou o torneio e levou para casa os 4,5 milhões de dólares, de um total de 22,5 em prémios, destinados ao primeiro classificado. McIlroy juntou-se a Jack Nicklaus, Nick Faldo e Tiger Woods no restrito grupo de vencedores consecutivos em Augusta.NÚMEROS40% Número de voos de jatos em Augusta cresceu muito em 2026 face a 2025432Metros quadrados do terminal de aeroporto que a Netjets, líder do segmento, está a construir 4O vencedor Rory McIllroy juntou-se às lendas Nicklaus, Faldo e Tiger como únicos a vencer em Augusta duas vezes seguidas