A um mês do arranque do Mundial2026, reinam as polémicas à volta do preço dos bilhetes para os jogos, do revolucionário acordo estratégico da FIFA com a Google para a transmissão do início de todos os jogos no YouTube, e a presença da seleção iraniana. Devido à guerra no Médio Oriente, Donald Trump sugeriu mesmo trocar o Irão pela Itália e a federação iraniana falou em boicote, o que levou a FIFA a convocar uma reunião para o próximo dia 20. Fazendo jus ao lema, em Roma sê romano, que é como quem diz, nos EUA rege-te pelas (boas) práticas americanas, a FIFA adotou o modelo de “preço dinâmico”, usado na NBA, Super Bowl e MLS, para a venda de bilhetes, o que levou a um brutal aumento do preço dos ingressos. Apesar do chamado “bilhete de adepto” custar apenas 60 dólares (51 euros), a maioria tornou-se inacessível ao comum adepto. Em média, um ingresso para ver um jogo nos EUA custa 600 euros (3400 para a final), mas há pacotes VIP de 13 mil euros. De acordo com o Wall Street Journal, o Portugal-Colômbia foi o mais requisitados da primeira fase, com um valor médio de 2125 euros (quase três ordenados mínimos) por bilhete.Os valores geraram uma anormal revenda na plataforma oficial da FIFA, onde já há bilhetes para a final à venda por mais de 1,6 milhões de euros e levaram a organização europeia Football Supporters Europe a acusar a FIFA de afastar o adepto comum do futebol com os “preços ultrajantes dos bilhetes” para obter lucro. Um estudo da FIFA em parceria com a Organização Mundial do Comércio prevê um impacto económico na ordem dos 80 mil milhões de dólares e sustentar mais de 800 mil postos de trabalho.A organização defende-se com a procura e garante que mais de 200 países estão representados na bilhética, o que indica o interesse global no evento. Mas ir ao estádio parecer ser um privilégio para poucos. Segundo algumas associações de adeptos, serão precisos 7000 dólares para despesas básicas, sem contar com as viagens e a estadia nos EUA.YouTube e Geração Z A FIFA acordou com a Google uma parceria estratégica que irá transformar o YouTube no centro das atenções do Planeta futebol. Quem comprar os direitos pode transmitir nos respetivos canais do YouTube os primeiros 10 minutos de cada partida grátis, atraindo assim a Geração Z para os canais tradicionais. Se tem ou não o efeito desejado é esperar para ver, mas, segundo alguns especialistas, esta aliança representa um avanço enorme na forma como o conteúdo futebolístico é distribuído sem barreiras geográficas, mas países como a China e a Índia ainda não têm acordos de transmissão dos jogos por exemplo e há quem tema que os youtubers tomem conta do jogo. E os amantes das teorias da conspiração veem nesta acordo, mais uma forma de Infantinno agradar a Trump, uma vez que a sua grande apoiante, Gerelyn Gilbert-Soto é namorada de Sergey Brin, cofundador da Google.Em Portugal a revolução nos direitos televisivos também se faz sentir. Apenas a Sport TV, a Live Mode - canal digital brasileiro que anunciou a transmissão no YouTube dos jogos da seleção - e a Rádio Renascença garantiram os direitos. A RTP, SIC e TVI pediram uma posição da ERC sobre o valor “justo” a pagar, depois da FIFA pedir 430 mil euros por jogo. O acordo da FIFA com uma empresa de cromos norte-americana também está a dar que falar e promete ser o início do fim de uma ligação de 60 anos com a Panini. Gianni Infantino fechou um acordo com a Topps, que pertence à Fanatics, conhecida pelas coleções de beisebol. O Mundial de 2030, que será co-organizado por Portugal, Espanha e Marrocos, será o último da Panini.Portugal e Ronaldo na lutaDentro das quatro linhas, a bola começa a rolar no dia 11 de junho, com a FIFA a garantir o “maior e mais espetacular mundial de sempre”, com 48 seleções, 104 partidas em 16 cidades anfitriãs em três países diferentes - EUA, México e Canadá -, onde são esperados 6,5 milhões de adeptos até 19 de julho. Portugal está no Grupo K, com Colômbia, Uzbequistão e a República Democrática do Congo, o primeiro adversário, no dia 17 de junho. A equipa de Roberto Martínez vai assentar arraiais em Palm Beach, Miami, e espera regressar com o troféu de campeão do mundo nas mãos do capitão Cristiano Ronaldo, que aos 41 anos tem uma meia dúzia de recordes ao seu alcance num torneio que batizará Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Uzbequistão. Todos na equipa nacional querem dar a CR7 o troféu que lhe falta na despedida dos grandes palcos.O poder competitivo e a mais valia de jogadores como Bernardo Silva, Vitinha e Bruno Fernandes ajudam Portugal a figurar em quase todos as listas dos favoritos à conquista do mundial, juntamente com a França, a Espanha, a Inglaterra e os crónicos candidatos, Argentina e Brasil.A força física e a qualidade técnica de jogadores como Kylian Mbappé, Dembelé e Rabiot, aliada ao poderio tático de Didier Deschamps, levou a França a às duas últimas finais (em 2018 ganhou e em 2022 perdeu), os franceses são mais favoritos do que qualquer outros. A Inglaterra foi a primeira selção da Europa a apurar-se e tem sido apontada como uma das favoritas. Repetir a conquista de 1966 é o sonho. Liderada por Jude Bellingham, esta geração combina talento ofensivo e maturidade competitiva com Phil Foden e Bukayo Saka Com Julián Álvarez, Enzo Fernández e talvez com Nicolás Otamendi e Lionel Messi, a campeã do Mundo em título tem de ser tida em conta. Mas para o camisola 10, a Argentina, não é favorita à revalidação do título. Com cinco títulos mundiais, é difícil excluir o Brasil da luta pelo seu hexacampeonato às ordens de Carlo Ancelotti e com Vinicíus Jr. ao leme dentro das quatro linhas.A campeã Europeia Espanha vive na dúvida sobre a recuperação de Lamine Yamal, mas Luis de la Fuente tem muitas e boas opções para levar La Roja ao triunfo.isaura.almeida@dn.pt