A Feira do Livro de Lisboa regressa amanhã, mais um vez no Parque Eduardo VII e com muitos milhares de livros para todos os gostos.
A Feira do Livro de Lisboa regressa amanhã, mais um vez no Parque Eduardo VII e com muitos milhares de livros para todos os gostos.Arquivo

Uma dúzia de livros a não perder na Feira do Livro de Lisboa

A 96ª edição da Feira do Livro de Lisboa regressa amanhã, 27 de maio, mais um vez no Parque Eduardo VII e com muitos milhares de livros para todos os gostos.
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Faltam poucas horas para se abrirem amanhã, 27 de maio, as portas da 96ª edição da Feira do Livro de Lisboa e os leitores terem acesso a mais de dois mil eventos agendados até dia 14 de junho no Parque Eduardo VII, passar entre os 350 pavilhões com 900 editoras e chancelas com novidades literárias e um enorme fundo de catálogo, por onde também passarão centenas de autores nacionais e dezenas de escritores estrangeiros. São dezanove dias para pôr em dia as leituras, como as de alguns dos livros a seguir sugeridos.

SIMONE DE BEAUVOIR

Julia Korbik e Julia Bernhard

Iguana

LIVRO FUNDAMENTAL

Apesar de serem poucas as cores utilizadas nas mais de duzentas páginas desta biografia desenhada sobre Simone de Beauvoir – preto, branco, cinzento e tons de amarelo -, o que não falta neste relance da vida da autora é uma enorme paleta de histórias. Desde o célebre pacto entre Beauvoir e Sartre sobre uma vida amorosa paralela mas não de fidelidade, o que leva à sua relação com o americano Nelson Algren. Mas bastaria toda a revolução criada com a publicação do seu ensaio O Segundo Sexo para se ler esta novela gráfica com todo o prazer.

O ÚLTIMO INSTANTE

Salman Rushdie

D.Quixote

UM QUINTETO DE HISTÓRIAS

Bastam as primeiras nove linhas sem ponto final do texto que abre esta recolha de cinco histórias para se avaliar a força literária continuada da prosa de Salman Rushdie. Tendo habituado os seus leitores a livros espessos, decerto estes ficarão surpreendidos como pode dizer tanto em histórias mais ou menos curtas. É preciso experimentá-las para se compreender o valor do amor face à morte, entre outras avaliações emocionais, que aqui ficam mais do que nunca demonstradas.

HISTÓRIAS DE VER E ANDAR

Teolinda Gersão

Porto Editora

CATORZE CONTOS

Tendo publicado nos últimos anos dois romances de uma inesperada inventividade sobre Julia Mann e Martha Freud, a escritora regressa às livrarias com uma nova edição, a quinta, de um seu premiado livro, Histórias de Ver e Andar, que, como diz, deve o seu título a uma expressão árabe para as narrativas de viagem. Nesta coletânea de contos estão vários textos que confirmam a genialidade da sua prosa breve, como o intitulado Big Brother isn’t watching you – sempre elogiado, apesar da concorrência dos restantes treze contos.  

LX90

Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes

D.Quixote

ALMANAQUE DE MEMÓRIAS

Entre a capa e a contracapa deste álbum de eventos, acontecimentos, aparecimentos e desaparecimentos, tudo muito ilustrado e bem explicado, repleto de detalhes, está a história da década de 1990, alegadamente tendo por base Lisboa, mas refletindo também muito do que acontecia ou que influenciava o país inteiro. Do folclore social, à vida artística, intelectual e boémia, até ao susto anunciado pelo bug informático do milénio, que não chegou a dar-se, ao contrário de quase tudo o que está relatado nestas duzentas e tal páginas.

25 DE NOVEMBRO DE 1975

Luís Pinheiro de Almeida

Documenta

UM JORNALISTA NO COPCON

A literatura sobre a Revolução de Abril continua a florescer todos os anos e entre o que foi publicado neste último aniversário está o volume de Luís Pinheiro de Almeida, jornalista que esteve no Gabinete de Imprensa do COPCON durante o Verão Quente de 1975. Repleto de entrevistas e de depoimentos com protagonistas da época, militares e políticos entre outros, sendo muitos destes textos inéditos, torna-se numa importante contribuição para se entender mais um pouco os meses extremamente conflituosos que levaram ao grande confronto entre militares no pós-25 de Abril e que devolveu à sociedade portuguesa o que as eleições tinham apurado ser o caminho desejado. É também um livro de solidariedade para com Otelo Saraiva de Carvalho, a figura mais polémica do golpe dos Cravos.   

FELICIDADE CLANDESTINA

Clarice Lispector  

Companhia das Letras

HISTÓRIAS (IN)COMUNS

Lê-se sobre o novo volume das obras da escritora brasileira o seguinte: “Clarice Lispector escrevia como se nunca ninguém tivesse escrito antes. Foi um dos génios do século XX, como Flannery O’Brien, Borges ou Pessoa.” Quem o disse foi o sisudo escritor irlandês Colm Tóibín, situação que a introdução de Luísa Costa Gomes reforça e vai mais além ao descrever a clarividência de Lispector.

VIZINHOS

Ana Bárbara Pedrosa e Nuno Saraiva

Edições ASA

RETRATO SOCIAL

O traço de Nuno Saraiva é inconfundível e agora junta-se à prosa também bastante distinta de Ana Bárbara Pedrosa, num refazer de realidades sociais que pareciam ir acabar com o passar das décadas mas que, afinal, continuam bem presentes. Inicia-se com o regresso de um presidiário ao dia-a-dia, continua com outras histórias que estão demasiado próximas do que se escuta nas redondezas de onde se mora e nos noticiários sobre, por exemplo, imigração. Termina com uma pergunta, que é também a grande metáfora da atualidade, a de se apontar o dedo para o lugar errado: “O problema somos nós?”.    

MAIS ALÉM

Gonçalo Cadilhe

Contraponto

CINCO CONTINENTES

Se há um nome de autor que é sinónimo de viagem é o de Gonçalo Cadilhe, de quem há décadas se leem relatos de expedições pelos cinco continentes e, neste caso, por cinquenta países e vários milénios de História. Desta vez reúne numa única narrativa as duas faces de um viajante: a do caminho feito e a da interpretação da História por onde passou. Inicia com o capítulo “Uma espécie destinada a viajar” e termina com “A tua viagem”; pelo meio, vai correndo por uma paisagem que muda com uma frequência e inalcançável ao leitor sedentário.

TEMPLÁRIOS

Dan Jones

Penguin

TEMPLÁRIOS E CRUZADOS

O divulgador inglês de História Dan Jones teve recentemente publicados dois espessos volumes sobre períodos que continuam a despertar bastante interesse nos leitores. Primeiro, a narrativa sobre a Ordem dos Templários, que retrata numa extensa e pormenorizada descrição o percurso de ascensão e de queda dos guerreiros sagrados de Deus. Investigação bastante aprofundada e que, após a sua leitura, confirma que não existem muitos acontecimentos em torno destes cavaleiros que fiquem por contar, tal é a imensidão de detalhes e de história geral sobre a Ordem, inclusive a sua ligação a Portugal. Em muito ligado ao título Templários, está um segundo, Cruzados, que investiga e descreve a história épica das guerras pela Terra Santa. 

O PREÇO DA VIDA

Jenny Kleeman

Zigurate

COMO SOBREVIVER

O primeiro capítulo da investigação de Jenny Kleeman tem o seguinte título: 15 180 libras – Preço médio de um assassino a soldo. Está lançado o repto para dar substrato a um livro que se chama O Preço da Vida. A primeira frase do livro também é muito elucidativa: Todos temos a cabeça a prémio. A autora decidiu quantificar o que as pessoas valem e divide-as em doze avaliações, de que resultam dilemas éticos que o leitor não está à espera e que a autora vai demonstrado na análise que faz em função da idade, sexo, raça, de situações e do desejo de cada um se salvar ou ser salvo da morte.   

AS FILHAS DO TERRAMOTO

Domingos Amaral

Casa das Letras

A TRAGÉDIA PÓS 1755

O autor já publicou um romance sobre o terramoto de 1755 intitulado Quando Lisboa Tremeu mas ainda ficou muito por contar, situação que deu origem a um novo livro passado três anos depois, em 1758, quando as consequências do terramoto ainda se fazem sentir no dia a dia da capital portuguesa. As Filhas do Terramoto descreve o desaparecimento de sete raparigas e a conspiração que o Marquês de Pombal quer desvendar com a ajuda do intendente Pina Manique.

O DRAGÃO CHINÊS

Song Chao & Shangshang

Guerra & Paz

UMA ENCICLOPÉDIA

A primeira explicação inscrita neste álbum sobre a simbologia e significado do dragão para os chineses diz: “É uma criatura misteriosa e poderosa, que simboliza prosperidade e boa sorte”. Feita a apresentação, garante-se que “o dragão é uma criatura divina e não um monstro”. De seguida, viaja-se pela história e descreve-se como o “espírito do dragão vive em muitos aspetos da vida chinesa e une milhões de pessoas” porque esta cultura “foi transmitida de geração em geração”. Se o leitor tem curiosidade em partilhar o conhecimento que interessa a mil milhões de pessoas, então esta é a enciclopédia certa.

A Feira do Livro de Lisboa regressa amanhã, mais um vez no Parque Eduardo VII e com muitos milhares de livros para todos os gostos.
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A Feira do Livro de Lisboa regressa amanhã, mais um vez no Parque Eduardo VII e com muitos milhares de livros para todos os gostos.
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