Será possível tratar uma canção, não apenas como objeto musical, mas também como uma entidade que gerou o cruzamento de muitos intérpretes e culturas? A resposta é afirmativa, pelo menos no caso de My Way. Aliás, os contrastes da respetiva história começam no facto de a celebrarmos quase sempre através da imagem de um cantor, Frank Sinatra, que não foi, afinal, o seu intérprete original... Em My Way – A História de uma Canção, o realizador Thierry Teston, com a colaboração de Lisa Azuelos, aposta na possibilidade de reconstruir o mapa geográfico e simbólico de um tema que, sem ambiguidades, justifica o rótulo de património universal.De facto, My Way nasceu em França, com o título Comme d’Habitude, na voz de Claude François, co-autor da canção com Jacques Revaux. A sua consolidação como fenómeno realmente popular transcendeu as fronteiras francesas quando Paul Anka teve a possibilidade de a adaptar para o público dos EUA. A partir daí, My Way adquiriu o valor de um hino de múltiplas culturas, tendo sido recriada por uma avalanche de cantores tão diferentes como Sinatra, o seu principal “embaixador”, Elvis Presley, Shirley Bassey, Nina Simone ou Sid Vicious (dos Sex Pistols).Seguindo a lógica tradicional deste género de evocações, o documentário de Teston combina muitos materiais de arquivo com os mais diversos depoimentos, tudo ligado pela voz off de Jane Fonda, exprimindo-se na primeira pessoa, não em seu nome, mas como se fosse a própria canção a contar a sua história (o que, convenhamos, não será a ideia mais brilhante para este tipo de abordagem). Através dos contrastes dos sucessivos intérpretes de My Way — o documentário recorda que a canção gerou mais de quatro mil versões —, vamos descobrindo um “coro” de muitas vozes, e outras tantas sensibilidades, desembocando na interpretação de Janelle Monáe, criada para o próprio filme. É pena que algumas das versões relembradas surjam reduzidas a brevíssimos apontamentos, mas é um facto que My Way existe como uma fascinante tapeçaria de sons..'Aprender'. Estar na escola e aprender, eis a questão.'A Mulher Mais Rica do Mundo'. O dinheiro contra o romantismo