Morreu Luís Represas, aos 69 anos, uma das vozes mais marcantes da música portuguesa
Foto: Leonardo Negrão

Morreu Luís Represas, aos 69 anos, uma das vozes mais marcantes da música portuguesa

O músico dos Trovante morreu aos 69 anos vítima de doença prolongada. O primeiro-ministro recorda Luís Represas como "uma das nossas maiores referências musicais".
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O cantor Luís Represas, um dos fundadores dos Trovante, morreu esta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos. Uma das vozes mais marcantes da música portuguesa, morreu vítima de doença prolongada, de acordo com a agência que o representava, Sons em Trânsito.

O velório do músico, marcado para esta quinta-feira, na Basílica da Estrela, em Lisboa, será público entre as 16h00 e as 22h30. O funeral realiza-se na sexta-feira, depois de uma cerimónia religiosa às 15h00, naquela basílica, e é reservado à família, disse à Lusa fonte da agência do cantor e compositor.

Em 1976, juntamente com João Gil, Manuel Faria, Artur Costa e João Represas, foi um dos fundadores do grupo responsável por vários êxitos como Balada das Sete Saias, Perdidamente e 125 Azul.

Após o fim dos Trovante, em 1992, Luís Represas seguiu uma carreira a solo, com Feiticeira e Da Próxima vez entre os principais sucessos do cantor e compositor. Este ano, em março, o grupo voltou a reunir-se para concertos esgotados no Meo Arena, em Lisboa, e no Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

Luís Represas tinha agendado para abril de 2027 concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto para comemorar os 50 anos de carreira.

Com os Trovante dá voz a Timor e, em 2000, na sequência do apoio que deu à causa timorense, Luís Represas foi convidado por Jorge Sampaio, na altura Presidente da República, a deslocar-se a Timor-Leste, em visita oficial. A 20 de maio de 2016, foi condecorado com a Ordem de Timor Leste, pelo presidente do país, Taur Matan Ruak.

Antes, em 2005, foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem de Mérito - grau de Comendador e, em 2011, o grupo Trovante recebeu a medalha de ouro de mérito municipal pela Câmara de Lisboa.

Ao longo da carreira, lembra a Sons em Trânsito, Luís Represas colaborou com vários artistas, como Fausto, José Afonso, Carlos do Carmo, Bernardo Sassetti, Pablo Milanés, Ivan Lins, Martinho da Vila, Simone, Jorge Palma, Phil Collins, Compay Segundo, Gilberto Gil e Carlinhos Brown.

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Luís Represas deixa 50 anos de canções entre os Trovante e em nome próprio

"Partiu o homem. Ficou a voz", lamenta o Presidente da República

"Há vozes que não pertencem apenas a quem as canta. Pertencem ao tempo, à memória e ao coração de um povo", começa por afirmar o Presidente da República, em reação à morte do cantor e compositor.

"Hoje perdi um amigo. Choro, em Cabo Verde, a sua partida. Recordo a noite fantástica no passado dia 21 de março. Recordo tantos momentos bons ao longo dos anos. Saudades do futuro, Luís... Talvez um dia te encontre...", resume António José Seguro.

Para o chefe de Estado, "a partida do Luís Represas não encontrará silêncio". "Encontrará as canções que deixou acesas, como pequenas luzes sobre a vida de tantas gerações de portugueses. Encontrará melodias que continuarão a nascer em cada reencontro, em cada saudade, em cada instante em que alguém voltar a cantar as palavras que ele nos ofereceu", lê-se na nota divulgada no site da Presidência da República.

"Partiu o homem. Ficou a voz", diz o chefe de Estado.

"Há vidas que terminam. Há músicas que pertencem à eternidade. As músicas do Luís Represas são dessas. Porque há artistas que deixam discos. Outros deixam memória. Os maiores deixam um país a cantar. O Luís Represas será sempre um dos nossos maiores. E Portugal, em dor, canta as suas canções", acrescenta Seguro, defendendo que "enquanto houver quem cante as suas canções, Luís Represas continuará a regressar".

"Uma das nossas maiores referências musicais", destaca primeiro-ministro

O primeiro-ministro recorda Luís Represas como "uma das nossas maiores referências musicais". "A sua partida é uma perda para o país e para a nossa cultura, mas o seu legado permanecerá tão contagiante como numa vida cheia de 'sede de infinito… e dizê-lo cantando a toda a gente'", escreveu Luís Montenegro na mensagem divulgada nas redes sociais, fazendo referência à música Perdidamente.

O chefe de Governo expressa "à família, aos amigos e a todos os que foram tocados pela sua obra" as "mais sentidas condolências".

Também a ministra da Cultura, Juventude e Desporto lamentou a morte de Luís Represas "no ano em que celebrava 50 anos de carreira".

"Desaparece uma das vozes mais icónicas da música portuguesa contemporânea, além de um talentoso compositor. A solo e com os Trovante, deixa uma marca inesquecível na nossa memória coletiva", destacou Margarida Balseiro Lopes.

Líder do PS realça a música de Luís Represas que "uniu pessoas" e "despertou causas"

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, refere que "hoje despedimo-nos de um grande artista". "Fica a sua obra, que continuará a emocionar e a inspirar", escreveu na mensagem publicada no Facebook.

"Há artistas cuja obra passa a fazer parte da nossa vida. Luís Represas foi um deles", salienta Carneiro, adiantando que a música de um dos Trovante "uniu pessoas, despertou causas e mostrou que a cultura também é uma forma de cidadania" .

"Com a sua voz, a sua escrita e a sua forma de olhar o país e o mundo, ajudou a construir uma banda sonora que atravessou várias gerações de portugueses", lê-se na nota, que termina com "um abraço solidário" e as "mais sentidas condolências" à família e amigos de Luís Represas.

Carlos Moedas: "Uma das vozes mais inesquecíveis da nossa música"

Num "momento de profunda tristeza", o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas recorda Luís Represas como "uma das vozes mais inesquecíveis da nossa música". O país despede-se "de um dos homens mais generosos e admiráveis da cultura portuguesa. Luís Represas cantou o amor, a paz e a liberdade com uma sensibilidade e elegância ímpares", realçou.

"Foi um lutador incansável pela independência de Timor, um embaixador inesgotável da língua portuguesa e um promotor inexcedível da lusofonia não só enquanto músico, mas também como escritor", acrescentou o autarca.

Na nota que divulgou nas redes sociais, destaca também a "paixão" do músico pela cidade que o viu nascer. "A sua paixão por Lisboa, onde nasceu, que tanto o inspirou e que celebrou através das suas canções e de concertos que fazem parte da história da cidade, faz igualmente parte do legado que nos deixa", refere Moedas.

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Luís Represas: o amigo, o senhor e a voz que fica
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