Marcelo: "Lobo Antunes no Panteão? Gostaria, mas quem tem de decidir não sou eu"
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Marcelo: "Lobo Antunes no Panteão? Gostaria, mas quem tem de decidir não sou eu"

"Não sei o que é que a família pensa, e o que é que pensa que ele gostaria que acontecesse, mas é daqueles nomes óbvios de estar há muito tempo no nosso Panteão", defendeu Presidente da República.
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O (ainda) Presidente da República foi esta sexta-feira, 6 de março, depositar o Grande-Colar da Ordem de Camões junto ao caixão de António Lobo Antunes e confessou que gostaria que o escritor fosse para o Panteão Nacional.

“No Panteão, tal como eu o concebo, gostaria, mas quem tem de decidir não sou eu”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

“Não sei o que é que a família pensa, e o que é que pensa que ele gostaria que acontecesse, mas é daqueles nomes óbvios de estar há muito tempo no nosso Panteão, dos grandes da escrita em Portugal”, reforçou.

“Contou-nos a História de Portugal no fim do império e na transição para a democracia”, prosseguiu o chefe de Estado.

Para Marcelo, Lobo Antunes “foi dos grandes escritores portugueses, não só em toda a nossa literatura, mas em particular no final do século passado, na transição para este século”, salientando que o vencedor do Prémio Camões em 2009 foi “dos mais traduzidos em todo o mundo”.

O Presidente da República recordou que o igualmente poeta começou a “escrever muito tarde” e que tocava “gente muito diferente” com a sua escrita, “porque contava histórias do quotidiano, era, além também, cronista". "Mas, sobretudo, contou a História de Portugal no fim do império e na transição para a democracia", frisou.

Marcelo lembrou que Lobo Antunes “era de um brilhantismo, de uma inteligência e de uma rapidez únicas” e que contava as histórias a partir de “uma experiência vivida”: “Ele esteve lá, ele viveu, ele trocou cartas sobre aquilo que sentia, o que pensava, o que sonhava."

“Era muito irreverente, era muito iconoclasta, era muito heterodoxo. Como pessoa, era fascinante, porque era um contador de histórias único, porque era um ótimo crítico da realidade social, do dia-a-dia e da comunidade como um todo. Sempre irreverente, sempre independente, nunca envelhecendo”, especificou, referindo-se ao escritor, como um dos "dois ou três grandes nomes da nossa literatura, nos últimos 60, 70 anos".

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O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, nasceu em Lisboa, em 01 de setembro de 1942.

Licenciado em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, especializou-se em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda.

Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar e, no ano seguinte embarcou para Angola, tendo regressado em 1973.

Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.

O seu primeiro livro, “Memória de Elefante”, surgiu em 1979, logo seguido de “Os Cus de Judas”, no mesmo ano, sucedendo-se “Conhecimento do Inferno”, em 1980, e “Explicação dos Pássaros”, em 1981, obras marcadamente biográficas, muito ligadas ao contexto da guerra colonial, e pelo exercício da psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.

Foi Prémio Camões em 2007.

Morreu esta quinta-feira, 5 de março, aos 83 anos.

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