Lin-Manuel Miranda à conversa com  equipa portuguesa do In The Heights
Lin-Manuel Miranda à conversa com equipa portuguesa do In The HeightsDN-Leonardo Negrão

Lin-Manuel Miranda à conversa com portugueses do musical 'In The Heights'

O criador do fantástico 'Hamilton' e deste também icónico 'In The Heights', que estreia em Lisboa, no Teatro Variedades, dia 25, surpreendeu com uma video-chamada a partir de Nova Iorque.
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“O momento foi incrível, esta conversa por videochamada com o Lin-Manuel Miranda. O Lin queria ter vindo cá, mas não conseguiu pessoalmente. Portanto, acho que esta foi a forma perfeita, e o momento certo, para estarmos ligados com ele”, diz Martim Galamba, da MTL – Music Theater Lisbon, a empresa que traz a Portugal o musical In The Heights, ainda a recuperar emocionalmente da conversa minutos antes com o genial criador americano de origem porto-riquenha.

In The Heights estreia em Lisboa, no Teatro  Variedades, dia 25 de março (e fica em cena até 3 de maio), e o elenco e os outros elementos da equipa tiveram oportunidade esta terça-feira, dia 18, antes de mais um ensaio, de conversar com Lin-Manuel Miranda. Foi uma enorme surpresa, pois Martim Galamba não tinha dito nada, de propósito. Queria mesmo surpreender. Quem sabia eram muitos poucos, caso de Sissi Martins e Rúben Madureira, os outros fundadores da MTL e, tal como Martim Galamba, diretores artísticos da peça. Que mesmo estando de sobreaviso, confessam ter ficado emocionados. E até houve palavras tremidas e algumas lágrimas. Afinal, a conversa foi com o grande nome de hoje dos musicais americanos, o autor deste In The Heights e também do incrível Hamilton.

“Há uma frase no espetáculo original que diz, “what do you do when your dreams come true?” E foi isso exatamente o que aconteceu hoje. “O que é que fazes ou o que é que dizes quando acontece alguma coisa extraordinária na tua vida?” E isto foi um momento desses. Acho que é de uma partilha e generosidade muito grande uma das pessoas mais ocupadas deste mundo estar a dar-nos o tempo dele. Isto é generosidade e humanidade”, diz Sissi Martins, que também é responsável pela encenação deste In The Heights, pela primeira vez numa versão oficial em português.

“O que acabou de acontecer, esta conversa, além de um sonho tornado realidade, acho que é a verdadeira realização de que os génios sobrevivem nas coisas simples. Sentimos que o Lin, a genialidade dele, se traduz na simplicidade com que olha o mundo, na maneira como vê a música, como assume os erros, na maneira como ama na vida. Acho que isso faz com que o In The Heights seja um espetáculo muito especial”, diz Rúben Madureira.

Martim Galamba, Sissi Martins e Rúben Madureira
Martim Galamba, Sissi Martins e Rúben MadureiraDN-Leonardo Negrão

“Eu sinto que este espetáculo é muito sobre o que é a casa e quem são as pessoas que fazem a casa e eu sinto que aqui encontrámos a nossa casa com as pessoas certas. A Sissi fala muito na ilha. Quem é que se leva para a ilha? E estas pessoas, cada uma delas que está neste espetáculo e neste projeto, são pessoas incríveis que estão aqui mais do que apenas por um trabalho, movidas pela sua paixão. Por isso, foi para todos tão especial este momento com Lin”, sublinha Martim Galamba.

In The Heights, que estreou nos Estados Unidos em 2005 e chegou à Broadway em 2008, foi escrito por Lin-Manuel Miranda e Quiara Alegria Hudes. Recebeu quatro Tony Awards, incluindo Melhor Musical, e um Grammy. O musical tem como cenário Washington Heights, uma bairro nova-iorquino muito latino, sobretudo de gente oriunda da República Dominicana, como a personagem principal, Usnavi, dono de uma mercearia, que sonha com a sua ilha. É também uma história de vizinhança.

Lin-Manuel Miranda é nova-iorquino, mas com raízes em Porto Rico, também nas Caraíbas, como a República Dominicana. O tema da diversidade cultural, e das migrações, também lhe é muito querido. Hamilton, recordo, é a fantástica história do primeiro secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, também das Caraíbas e o único dos País Fundadores dos Estados Unidos que nasceu fora das 13 colónias inglesas originais.

Na conversa à distância, a partir da sua casa em Nova Iorque, Lin-Manuel Miranda contou que a primeira visita que fez fora dos Estados Unidos foi a Portugal, ainda adolescente, com os pais. Também teve algumas frases mais políticas, como “a imigração está a ser usada como o bode expiatório dos problemas das instituições”.

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