Lee Ufan, de 90 anos, na Casa de Serralves.
Lee Ufan, de 90 anos, na Casa de Serralves. Foto: Diogo Baptista

Lee Ufan expõe em Serralves e cria pintura mural numa das paredes da Casa

'Fragmentos do Infinito' reúne pinturas e esculturas das séries 'Response' e 'Relatum' do artista sul-coreano. Está patente na Casa e Parque de Serralves de 16 de outubro a 7 de março de 2027.
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É a primeira grande exposição em Portugal do pintor e escultor sul-coreano, anuncia a Fundação de Serralves — Museu de Arte Contemporânea sobre Lee Ufan: Fragmentos do Infinito, que abriu esta sexta-feira, 16 de outubro, na Casa de Serralves e no Parque circundante.

Ao ar livre são exibidas três esculturas, "criando encontros diretos entre pedra, aço e o ambiente envolvente", diz a instituição em comunicado. No interior da Casa estão outras três esculturas e quatro "pinturas meditativas". O artista fará também uma obra nova para a Casa de Serralves, uma pintura mural.

"Durante a sua permanência em Serralves, Lee Ufan irá criar uma nova obra concebida especificamente para o espaço, numa das salas da Casa. Executada diretamente sobre a parede, a pintura resulta de um exercício disciplinado em que respiração e ritmo são harmonizados, dando corpo à prática meditativa do artista", anuncia a Fundação de Serralves.

Uma das esculturas da série 'Relatum', feitas com grandes pedras naturais e material industrial, como aço e vidro.
Uma das esculturas da série 'Relatum', feitas com grandes pedras naturais e material industrial, como aço e vidro. Foto: Diogo Baptista

A curadoria desta exposição é de Philippe Vergne, e o que se propõe é "uma reflexão rigorosa sobre as relações entre interior e exterior, objeto e paisagem, e sobre a experiência percetiva que o artista tem vindo a desenvolver ao longo do seu percurso, reafirmando a arte como um diálogo contínuo e ativo com o mundo", sublinha o comunicado.

Philippe Vergne realça o "rigor filosófico e estético intransigente" de Lee Ufan. "A sua utilização dos materiais, a sua linguagem, a sua sintaxe, tornaram-se cada vez mais profundas, precisas e exigentes ao longo dos anos. As suas pinturas e esculturas fazem-nos ver aquilo que é impercetível: a natureza do espaço, da luz, do tempo. Convida-nos a valorizar e a proteger aquilo que é efémero, aquilo que é mais vulnerável. Estar perante a obra de Lee Ufan é uma lição de humildade, pois recorda-nos que somos, no espaço e no tempo, um pequeno fragmento do infinito", afirma o curador.

Já o artista revela que preparou esta exposição "tendo presente que, para além da riqueza da sua envolvente natural, Serralves é também um lugar imbuído de um espírito particular, onde o tempo se faz sentir". Citado no comunicado, Lee Ufan afirma ter querido "preencher o espaço expositivo com uma sensação da natureza primordial e mítica deste lugar, criando simultaneamente uma forma dinâmica de ver: isto é, uma realidade visual."

A quatro pinturas que podem ser vistas na Casa de Serralves são da série Response (2023, 2025), e enquandram-se no movimento de pintura coreano Dansaekhwa (dos anos 1970), com "pinceladas mínimas, muitas vezes únicas, sobre superfícies amplas e meticulosamente preparadas, explorando a respiração, o tempo, o vazio e a presença". As esculturas são da série Relatum, feitas com grandes pedras naturais e material industrial, como aço e vidro.

Pinturas da série 'Response'.
Pinturas da série 'Response'.Foto: Diogo Baptista

Lee Ufan nasceu na Coreia do Sul em 1936, mas tem ateliê no Japão - país para onde foi estudar Filosofia em 1956 -, e em Paris. Tornou-se, no final da década de 1960, "uma figura de destaque do Mono-ha (Escola das Coisas), um dos movimentos artísticos mais significativos do Japão do pós-guerra, tendo também influenciado o Dansaekhwa (Pintura Monocromática), um movimento artístico coreano que surgiu no início da década de 1970", explica a instituição, que descreve a obra de Lee Ufan - que além de pintor e escultor é filósofo, escritor e poeta - "como uma verdadeira arte do encontro". Sublinha-se ainda que "a relação espacial e física entre aquilo que produz e aquilo que não produz, ou entre aquilo que pinta e aquilo que não pinta, constitui a sua obra. É este campo de ressonância que nos permite designar a sua arte como 'a porta para o infinito'".

Organizada em colaboração com a galeria nipónica SCAI The Bathhouse, a exposição estará patente de 16 de outubro a 7 de março de 2027.

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