"Jojo Rabbit" vence em Toronto e os Óscares começam a definir-se

"Jojo Rabbit", de Taika Waititi, brilhante hino contra o anti-semitismo venceu o prémio maior do Festival de Toronto, confirmando-se como um dos favoritos aos Óscares, juntamente com Tom Hanks, Joaquin Phoenix, Antonio Banderas, Scarlett Johansson, Sterling K. Brown e Renée Zelwegger.

Não foi com surpresa que a grande aposta da Fox para a temporada dos prémios venceu o Grolsch People's Choice Award do Festival de Toronto. Jojo Rabbit, de Taika Waititi, levou para casa o prémio mais relevante do festival, aquele que é um indicador geralmente muito fiável para o caminho para os Óscares. Será agora muito difícil que esta sátira ao regime de Hitler no final da Segunda Guerra Mundial não seja um dos favoritos em fevereiro próximo. Nos últimos anos, obras como 12 Anos Escravo, La La Land ou Green Book venceram este prémio e foram felizes com a Academia americana.

O filme do neozelandês é um pouco o novo A Vida é Bela, fazendo uma farsa da máquina de propaganda nazi na Alemanha de Hitler, contando a epopeia de um menino da juventude nazi e a sua relação improvável com uma menina judia escondida no seu sótão. Há ainda Adolf Hitler como amigo imaginário do respetivo protagonista. Jojo Rabbit terá dividido muito boa gente em Toronto, mas é uma comédia que irradia uma ousadia inovadora no panorama do cinema de Hollywood, testando os limites das linhas transgressivas de humor. Usando a inspiração de Mel Brooks e um visual para competir com o design de Wes Anderson, Waititi oferece um filme que faz piruetas tangenciais entre a gargalhada e o nó na garganta. Um acontecimento que foi aplaudido de pé na sessão de gala e que em Portugal já tem distribuição garantida.

Marriage Story, produção da Netflix para Noah Baumbach, foi o runner up (na prática, o segundo mais votado), tendo The Plattform, de Galder Gatzelu-Urrutia vencido o mesmo prémio referente à secção Midnight Madness.

Mas mesmo sem o palmarés, o hype do festival já nos deu outros favoritos nesta temporada dos prémios. Por exemplo, Scarlett Johansson, que é brilhante em Jojo Rabbit, deverá estar na corrida dos prémios de melhor atriz em Marriage Story, de Noah Baumbach, obra que também saiu reforçada de Toronto com grandes níveis de favoritismo, embora seja a Judy Garland de Renée Zelwegger quem esteja na pole position em Judy, o tal biopic que narra o último ano de vida da atriz e cantora Judy Garland.

A colheita forte do TIFF deverá garantir também favoritismo a Tom Hanks como Mr. Rogers em A Beautifull Day in the Neighborhood, a história de Fred Rogers, o criador do mais mítico programa infantil da televisão americana, bem como a Adam Sandler em Uncut Gems, dos irmãos Safdie, uma das estreias mundiais mais felizes do festival e Eddie Murphy em DolemiteHis my Name, onde interpreta uma figura contagiante do submundo do anedotário afro durante os anos 1970. Craig Brewer é o realizador que dirige Murphy com uma energia notável.

Ainda assim, o desempenho que parece à frente da competição já vinha de Veneza: Joaquin Phoenix, assustador em Joker, de Todd Philips, filme que repensa a matriz da fórmula do blockbuster de super-heróis. As boas línguas colocam ainda Adam Driver em Marriage Story garantido neste lote. Se ainda houver vagas, os efeitos de Toronto podem ser bons para Antonio Banderas em Dor e Glória, Jonathan Pryce e Anthony Hopkins, ambos em The Two Popes, Michael B. Jordan em Just Mercy e Christian Bale em Le Man's 66- O Duelo. Nos secundários, palavra para Sterling K. Brown, em Waves e Chris Cooper em A Beautifull Day in the Neighborhood.


Para lá da sensação Jojo Rabbit, Waves, de Trey Edward Shults, encantou pela refrescante abordagem a uma tragédia americana e poderá também surpreender na temporada dos prémios, sobretudo depois de ter sido adquirido por um estúdio como a Universal. A forma como Joker foi elogiado também o colocam em órbita direta para muitas nomeações e prémios. Terá sido o filme vindo de Veneza que melhor captou todo o estado de graça da imprensa norte-americana.

Os perdedores deste jogo de influências foram sem dúvida O Pintassilgo , de John Crowley, que logo depois do TIFF estreou em Portugal e nos EUA com resultados nada aceitáveis e The Laundromat, de Steven Soderbergh.

Agora, depois de Toronto, para esta corrida há ainda três títulos que podem intrometer-se nas contas: O Irlandês, de Martin Scorsese; 1917, de Sam Mendes e Mulherzinhas, de Greta Gerwig.

Por categorias, o que Toronto poderá dar à temporada de prémios passa por esta lista:

Filme

Jojo Rabbit, de Taika Waitiki
Waves, de Trey Edward Shultz
Joker, de Todd Phillips

Realizador

Taika Waitiki com Jojo Rabbit
Trey Edward Shultz com Waves
Todd Phillips com Joker
Pedro Almodóvar com Dor e Glória

Ator

Adam Sandler em Uncut Gems
Eddie Murphy em Dolemite is My Name
Christian Bale em Le Man's 66 - O Duelo
Tom Hanks em A Beautiful in The Neighborhood
Joaquin Phoenix em Joker
Anthony Hopkins em The Two Popes
Antonio Banderas em Dor e Glória
Jonathan Pryce em The Two Popes
Michael B. Jordan em Just Mercy
Adam Driver em A Marriage Story

​​​​​​Atriz

Susan Sarandon em Blackbird
Scarlett Johansson em Marriage Story
Renée Zelwegger em Judy
Cynthia Erivo em Harriet

Ator secundário

Sterling K. Brown em Waves
Chris Cooper em A Beautiful Day in The Neighborhood
Jamie Foxx em Just Mercy

Atriz secundária

Jennifer Lopez em Ousadas e Golpistas
Thomasin McKensie em Jojo Rabbit
Taylor Russell em Waves
Annette Bening em The Report

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