Visita guiada por Monica Bellucci ao Museu de Arte Antiga

O MNAA convidou a atriz italiana a fazer o roteiro de agosto. Estas são as 12 peças que ela escolheu

A Adoração dos Magos, de Sequeira, e Presépio das Necessidades são duas das peças que Monica Bellucci destaca da extensa exposição do Museu Nacional de Arte Antiga, (MNAA), nas Janelas Verdes, em Lisboa.

A atriz italiana, que em 2016 comprou casa em Lisboa, é a convidada de agosto do programa do programa "MNAA 12 escolhas", depois de nos meses anteriores as escolhas terem sido da responsabilidade do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa (maio), o príncipe Amyn Aga Khan (junho) e o empresário André Jordan (julho). O programa tem a duração de 12 meses e o museu garante que os convidados têm "inteira liberdade" para escolher as peças do seu roteiro.

No desdobrável que está a partir de sábado para os visitantes do museu, Monica Bellucci explica assim a sua seleção: "As peças que escolhi encarnam, simbolicamente, a herança Clássica à qual pertenço e os meus ideais de convivência e de aprofundamento de relações com todos os seres vivos aqui representados pelo amor maternal, pela introspeção espiritual, pela partilha, diálogo, beleza natural... e não poderia ter deixado de lado os notáveis azulejos, símbolo do meu caro amor por Portugal e pela sua cultura."

Estas são as 12 peças escolhidas (veja-as na galeria em cima):

1 - Adoração dos Magos, de Domingos António Sequeira, óleo sobre tela, Portugal, 1826 (Sala 3)

2 - Aquamanil, autor desconhecido, faiança portuguesa com decoração a azul e amarelo, segundo quartel do século XVII (Sala 20)

3 - Presépio do Convento de Nossa Senhora das Necessidades, de clérigo desconhecido de Setúbal, presépio em barro, cortiça e madeira, Lisboa, 1775-1800 (Sala dos Presépios)

4 - Painel de Azulejos, Alfiz, Síria, Damasco, 1570-1580 (Sala 20)

5 - Virgem com o Menino, de Faustino José Rodrigues, peças em barro, Portugal, 1783 (Sala dos Presépios)

6 - Centro de Mesa, de Thomas Germain e François-Thomas Germain, peças em prata, Paris, França, 1729-1731 (Sala 69)

7 - Batismo de Cristo, autor desconhecido, Bruxelas, tapeçaria, primeiro quartel do século XVI(Sala 64)

8 - Conversação, de Pieter de Hooch, óleo sobre tela, Holanda, 1663-1665 (Sala 54)

9 - Tapete com árvores e animais, autor desconhecido, tapeçaria em pelo de lã, Irão, segunda metade do século XVI (Sala 49)

10 - Coroação da Virgem, de Domingos António de Sequeira, óleo sobre tela, Portugal, 1830 (Sala 1)

11 - Arcanjo São Miguel, atribuído a João Afonso, estátua em pedra de calcário, Portugal, século XV (Sala 1)

12 - Julgamento Final, de Mestre de 1549, óleo sobre madeira, Portugal (Sala 9)

Leia a entrevista que a atriz deu ao DN em 2016 quando visitou Lisboa e participou no Lisbon and Estoril Film Festival:

Estão previstas duas visitas guiadas ao roteiro de Monica Bellucci nos dias 30 de agosto, às 15:30, e 2 de setembro, às 11:30.

Museu Nacional de Arte Antiga
Rua das Janelas Verdes, Lisboa
Aberto de terça a domingo, das 10:00 às 18:00
Bilhete normal: 6 euros (há uma tabela de descontos)

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

O Brasil e as fontes do mal

O populismo de direita está em ascensão, na Europa, na Ásia e nas Américas, podendo agora vencer a presidência do Brasil. Como se explica esta tendência preocupante? A resposta pode estar na procura de padrões comuns, exercício que infelizmente ganha profundidade com o crescente número de países envolvidos. A conclusão é que os pontos comuns não se encontram na aversão à globalização, à imigração ou à corrupção política, mas sim numa nova era de campanhas eleitorais que os políticos democráticos não estão a conseguir acompanhar, ao contrário de interesses políticos e económicos de tendências não democráticas. A solução não é fácil, mas tudo é mais difícil se não forem identificadas as verdadeiras fontes. É isso que devemos procurar fazer.

Premium

João Almeida Moreira

1964, 1989, 2018

A onda desmesurada que varreu o Brasil não foi apenas obra de um militar. Não foi, aliás, apenas obra dos militares. Os setores mais conservadores da Igreja, e os seus fiéis fanáticos, apoiaram. Os empresários mais radicais do mercado, que lutam para que as riquezas do país continuem restritas à oligarquia de sempre, juntaram-se. Parte do universo mediático pactuou, uns por ação, outros por omissão. Os ventos norte-americanos, como de costume, influenciaram. E, por fim, o anticomunismo primário, associado a boas doses de ignorância, embrulhou tudo.