"Ainda aqui estou na terra dos vivos". Uma canção para o Armistício

Sinéad O'Connor, Brian Eno, o rolling stone Robin Wood e o pink floyd Nick Mason juntam-se em homenagem aos homens caídos nas trincheiras da I Guerra Mundial

À voz grave do ator Cillian Murphy, que nos lê uma carta do tenente Michael Thomas Wall, do regimento real irlandês, junta-se a voz inconfundível da cantora Sinéad O'Connor, para nos trazerem o sofrimento dos homens que, há 100 anos, celebraram a paz nas trincheiras da Europa. Michael não sobreviveu à guerra, mas as suas palavras inspiraram o projeto da nova editora Evamore, que homenageia todos aqueles que caíram tombados.

"Deus me conceda que chegue em segurança", escreve o jovem irlandês à sua mãe, que esperava regressar a casa. "Ainda aqui estou na terra dos vivos", nota Michael. "Eu vi os olhos cansados de homens duros cheios de lágrimas e nunca vi uma carnificina como esta, nem um único corpo humano foi deixado intacto", descreve numa leitura comovente de Cillian Murphy, o ator de Dunquerque.

A papoila da capa não engana: este é um disco de homenagem aos homens mortos na I Guerra Mundial, assinado por Sinéad O'Connor, com o produtor e músico Brian Eno, o guitarrista dos Roling Stones, Ronnie Wood, o baterista dos Pink Floyd, Nick Mason, os coros de Imelda May e a narração de Cillian Murphy, numa produção de John Reynolds.

Editado em EP, que disponibiliza quatro versões para o tema One More Yard - uma expressão que era usada pelos soldados nas suas cartas e diários referindo-se aos avanços através da chamada terra de ninguém - este projeto conta com a composição de Brian Eno para as palavras lidas por Murphy e o poema da canção interpretada por Sinéad inspira-se também nas palavras do soldado morto.

As verbas angariadas com a venda deste disco serão para apoiar a investigação de cancro. No jornal britânico The Independent , Nick Mason explicou que o projeto One More Yard (disponível nas plataformas de streaming, como o Spotify) "permite que pessoas como eu prestem homenagem aos jovens que há 100 anos lutaram pela nossa liberdade, mas também para fazer algo para ajudar os jovens que enfrentam hoje o cancro".

Já Ronni Wood invocou a sua própria experiência com a doença. "Como alguém que teve de lidar com o cancro, estou muito feliz por fazer parte desta nova iniciativa de consciencialização - é uma ótima ideia apoiada por algumas pessoas científicas brilhantes", disse. Eu adoro a canção One More Yard, uma triste história verdadeira com uma melodia assombrosa. Foi um prazer tocar neste tema."

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