O IndieLisboa está a chegar, ainda e sempre como um acontecimento multifacetado, recheado de propostas tão sugestivas como contrastadas. A 23ª edição — com um total de 241 filmes — arranca na quinta-feira, com The Loneliest Man in Town, da dupla italo-austríaca Tizza Covi/Rainer Frimmel, a servir de abertura oficial (Culturgest, 19h00). O festival prolonga-se até 10 de maio, com sessões repartidas por seis locais: Culturgest, Cinema São Jorge, Cinema Ideal, Cinemateca Portuguesa, Cinema Fernando Lopes e Piscina da Penha de França.A parte da programação concebida em colaboração com a Cinemateca afigura-se especialmente atual, quer em termos cinematográficos, quer através das suas ressonâncias sociais e políticas. Trata-se de uma retrospetiva dedicada a um género (ou talvez faça mais sentido dizer: um “anti-género”) consagrado com a designação de “mockumentary”. Que é como quem diz: os filmes que se apresentam como documentários “fingidos”, jogando com o próprio efeito documental que não deixam de produzir. Os dois primeiros títulos anunciados, ambos refletindo movimentos ideológicos da década de 1970, são memórias clássicas disso mesmo: Punishment Park (1971), de Peter Watkins, espelhando convulsões da sociedade americana durante a guerra do Vietname, e Real Life (1979), de Albert Brooks, título premonitório das falsidades e horrores da Reality TV..Uma vez mais, o cinema português ocupa um espaço fundamental no alinhamento do festival, uma grande montra que começa na secção competitiva. Entre os títulos anunciados incluem-se as novas longas-metragens de João Nicolau e Susana de Sousa Dias, respetivamente A Providência e a Guitarra e Fordlândia Panacea - no primeiro caso, propondo uma viagem temporal inspirada em Robert Louis Stevenson; no segundo, percorrendo a cidade fundada por Henry Ford em 1928. Serão apresentados 29 filmes portugueses a concurso, 8 longas e 21 curtas-metragens.A produção portuguesa surge também noutras zonas, incluindo os “Novíssimos”, “casa comum de jovens cineastas”, e “Rizoma”, conjunto de sessões especiais em que serão revelados títulos recentes como Auto da Casa, de Tiago Bartolomeu Costa e Joana Cunha Ferreira, uma história artística e política do Teatro Nacional D. Maria II, e O Velho Salazar, retrato “nos 100 anos da revolução militar de 1926” que o realizador, João Botelho, apresenta como a segunda parte de um díptico iniciado com a sua abordagem de Álvaro Cunhal “nos 50 anos do 25 de Abril”. Ainda na secção “Rizoma” haverá uma homenagem a João Canijo com a exibição de Noite Escura - Versão do Realizador (2004), filme que integrou a competição da primeira edição do IndieLisboa - a respetiva sessão será de entrada livre (Culturgest, 9 maio, 21h30)..Para lá competição internacional, destacam-se ainda as secções “Silvestre”, com propostas de carácter experimental, “IndieMusic”, celebrando as relaçõs cinema/música, “Smart7”, competição itinerante resultante da cooperação de sete festivais de outros tantos países europeus, “Boca do Inferno”, com propostas da área do terror, “IndieJunior”, para crianças, escolas e famílias, e “Director’s Cut”, com títulos mais ou menos “antigos” em novas cópias digitais. Na sessão oficial de encerramento (Culturgest, 10 maio, 21h30), será projetado The History of Concret, primeira longa-metragem do humorista norte-americano John Wilson.