O Grande Buda de Leshan tem 71 metros de altura e encontra-se esculpido na encosta da montanha,  sendo frequentemente descrito como “a montanha que é um Buda e o Buda que é uma montanha”.
O Grande Buda de Leshan tem 71 metros de altura e encontra-se esculpido na encosta da montanha, sendo frequentemente descrito como “a montanha que é um Buda e o Buda que é uma montanha”.D.R. / Macao Daily News

Grande Buda de Leshan: o guardião milenar da montanha

O Grande Buda de Leshan situa-se no sudoeste da província de Sichuan, na confluência de três rios. Esculpido no século VIII, é a maior estátua do mundo talhada em penhasco. Em 1996, juntamente com o Monte Emei, foi inscrito como Património Cultural e Natural da Humanidade na Lista da UNESCO.
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Na província de Sichuan, na China, três rios - o Minjiang, o Qingyi e o Dadu - confluem junto à cidade de Leshan. Sobre a imponente falésia da montanha Lingyun, permanece sentada há mais de 1300 anos uma colossal estátua de Buda. Trata-se do Grande Buda de Leshan, uma escultura em pedra do Buda Maitreia com 71 metros de altura, a maior do mundo esculpida em penhasco.

Em 1996, a UNESCO incluiu o Grande Buda e o Monte Emei na Lista do Património Mundial, reconhecendo-os como Património Cultural e Natural da Humanidade.

Um projeto de séculos nascido de compaixão

A construção do Grande Buda teve origem num voto de compaixão. Há muitos séculos, a confluência dos três rios gerava correntes violentas que provocavam frequentes naufrágios, pelo que um monge chamado Haitong fez o voto de esculpir uma imensa estátua de Buda na face do penhasco, na esperança de apaziguar as águas turbulentas e proteger as populações locais.

Sob a direção de Haitong, esta obra monumental teve início em 713 d.C. e prosseguiu com apoio imperial e popular ao longo de quatro reinados. Foram necessários 90 anos para a conclusão do projeto, em 803 d.C. Mais do que uma criação artística, esta obra foi uma maratona de fé, perseverança e esforço coletivo ao longo das gerações.

A engenhosidade escondida por trás da estátua

O que impressiona não é apenas a imponência da estátua, mas também a sofisticada engenharia interna que a protegeu das intempéries por mais de mil anos. Em 2020, Leshan enfrentou uma inundação de grandes proporções, mas a estátua permaneceu intacta graças a um engenhoso sistema de drenagem oculto, cuidadosamente concebido pelos artesãos da Dinastia Tang.

Os artesãos escavaram discretos canais de drenagem e cavidades de ventilação quase impercetíveis entre as espirais do cabelo, nas pregas das vestes e atrás das orelhas do Buda, tendo integrado ainda sistemas distintos para o escoamento das águas subterrâneas no interior da estátua.

De perto, destacam-se as mais de mil espirais de cabelo no topo da cabeça do Buda, onde se escondem engenhosos sistemas de drenagem que permitiram à estátua permanecer de pé durante mais de um milénio.
De perto, destacam-se as mais de mil espirais de cabelo no topo da cabeça do Buda, onde se escondem engenhosos sistemas de drenagem que permitiram à estátua permanecer de pé durante mais de um milénio.D.R. / Macao Daily News

O conjunto destas soluções constitui uma rede sofisticada de ventilação e controlo da humidade, assegurando a proteção eficaz da estátua contra a infiltração das chuvas e a erosão. É essa sabedoria ancestral que permitiu ao Buda atravessar os séculos e manter, até hoje, a sua presença solene e majestosa.

Uma experiência que impressiona os sentidos

Para sentir verdadeiramente a grandiosidade do Buda, podemos descer até aos seus pés pelo passadiço à esquerda da estátua. De lá, ao erguer o olhar para os seus 71 metros de altura, sente-se de imediato um assombro quase físico - a materialização da ideia de que “a montanha é um Buda e o Buda é uma montanha”.

Pode ainda percorrer-se o íngreme “Caminho das Nove Curvas”, do lado direito, subindo até ao miradouro junto à cabeça do Buda, onde é possível apreciar de perto os detalhes esculpidos em pedra do rosto sereno e das 1021 espirais de cabelo.

Os visitantes podem contemplar a estátua num passeio de barco  ou percorrer o passadiço ao longo da falésia, do lado direito do Buda, para observar os seus detalhes.
Os visitantes podem contemplar a estátua num passeio de barco ou percorrer o passadiço ao longo da falésia, do lado direito do Buda, para observar os seus detalhes.D.R. / Macao Daily News

Já a partir do rio, num passeio de barco, a visão panorâmica da estátua transporta-nos através do tempo para o esplendor da Dinastia Tang.

Do Grande Buda ao diálogo global

Visitar o Grande Buda de Leshan é mais do que contemplar uma obra-prima de dimensão mundial; é testemunhar o extraordinário esforço da Humanidade em busca de fé e serenidade. Cada detalhe da escultura narra uma história milenar de compaixão, perseverança e sabedoria. Diante dela, não se sente apenas a frieza e a magnitude da rocha, sente-se igualmente o calor de uma herança que atravessou mais de dez séculos e a marca intemporal de um engenho excecional. É uma experiência profunda, que merece ser vivida em pessoa.

Curiosamente, o Grande Buda tornou-se também um símbolo de amizade entre povos. Para celebrar o estabelecimento de laços com a cidade francesa de Issy-les-Moulineaux, a cidade de Leshan ofereceu uma réplica requintada do Buda, que hoje parece contemplar, à distância, a Torre Eiffel - um belo símbolo do encontro entre as civilizações do Oriente e do Ocidente.

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