Graffiti, música, performance, skate e a melhor vista de Lisboa: este é o Festival Iminente

Festival de arte urbana volta a ocupar o Panorâmico de Monsanto, em Lisboa, de quinta a domingo.

Para um dos cantos da cave Maria Imaginário trouxe o seu mundo em tons de rosa e pastel. Na praça da alimentação, o coletivo Thunder inspirou-se na série de televisão Stranger Things para criar um enorme mural com o título Thunder Things. A artista Sara Moreira pintou uma parte da parede e, do outro lado, Ana Aragão colou posters com uma Torre de Babel. Estas serão algumas das obras de arte que o Festival Iminente se prepara para deixar no Panorâmico de Monsanto e que se vão juntar às obras criadas no ano passado e aos vários graffiti e inscrições que foram sendo feitos naquele espaço ao longo dos anos. Umas são mais artísticas, outras são apenas marcas de quem ali passa - mas todas fazem parte desta história.

"Este é um espaço único, que casa muito bem com a identidade do nosso festival", explica o diretor do Iminente, Tiago Silva. Localizado em pleno Parque Natural de Monsanto, no ponto mais elevado da cidade, o edifício nasceu de uma ideia de Keil do Amaral ainda nos anos de 1930 mas só foi construído em 1961, com projeto do arquiteto Chaves da Costa e vários painéis de azulejos de artistas da época. Foi um restaurante, depois passou a discoteca e a bingo até encerrar em 2001. A Câmara de Lisboa reativou-o como miradouro em 2017.

"O edifício esteve abandonado quase 20 anos, não se passava aqui nada, e nós viemos para cá no ano passado e quisemos dar-lhe um pouco mais de vida mas respeitando o espaço. Não alteramos nada, somos nós que nos adaptamos. Toda esta arte que já estava aqui faz parte, abraçamos essa identidade e vamos sempre acrescentando novas obras, que valorizam o espaço. Vamos criando camadas." O retrato de Marielle, de autoria de Vhils, as letras REAL no topo do edifício, de Miguel Januário (+/-), a cúpula invertida, no espaço exterior, dos FAHR 021.3, e os graffiti de RAM e Mar foram algumas das obras que ficaram da edição anterior.

O festival Iminente, criado por Vhils, teve duas primeiras edições em Oeiras e também já teve edições no estrangeiro (Londres, Xangai e Rio de Janeiro) mas parece ter encontrado o seu lugar ideal aqui. "Este ano já é um bocadinho mais fácil porque já conhecemos os problemas do espaço", explica Tiago Silva. O Iminente tem cinco palcos - outdoor, cave, escadas, mezzanine e panorâmico. "Temos duas semanas para criar tudo do zero." Este ano, o festival passa de três para quatro dias - de quinta a domingo - e aumenta a sua lotação para receber 5 mil pessoas por dia (mais 500 do que no ano passado).

Trata-se de um festival de arte urbana - com destaque para a música e as artes visuais mas que abrange também a performance e terá demonstrações de b-boys e skaters, e ainda um espaço de debates. "O que nós queremos é dar um espaço a todos os artistas para mostrarem a sua criatividade e os seus projetos, tudo o que está iminente, e dar-lhes visibilidade", explica Tiago Silva. "Estão sempre a acontecer coisas e são coisas muito diferentes."

Há outras intervenções artísticas que não vão ficar permanentemente no espaço - como por exemplo o enorme mural do coletivo Rua, intitulado Pseudónimos, o retrato que Vhils criou desta vez com lâmpadas tubulares, as bandeiras que Francisco Vidal colocou logo à entrada e que evocam vários bairros da periferia de Lisboa ou os múpispublicitários criados por Abdel Queta Tavares. No topo do edifício está uma estrutura de lâmpadas led no onde o coletivo Error-43 e o Pedrita Studio vão "passando conteúdos e estabelecendo uma conversa com o público".

No que toca à música, a diversidade também é a grande marca da programação que inclui, entre outros, o norte-americano Common, os cabo-verdianos Bulimundo e Mayra Andrade, a brasileira Linn da Quebrada, os portugueses Dealema, Pedro Mafama, Classe Crua (projeto que junta Sam the Kid e Beware Jack), Beatbombers (DJ Ride e Stereossauro), David Bruno, Fado Bicha, Filho da Mãe, Mynda Guevara, Kappa Jotta, Fred e Omiri. A brasileira Mariana Barros, a cabo-verdiana Melissa Rodrigues, os portugueses Orchiadacae e Odete são alguns dos nomes mais fortes no programa de performances.

"Este não é festival tão comercial como os outros que existem, as pessoas não saem daqui cheias de brindes. As marcas estão presentes mas de uma forma mais orgânica, sempre com uma intervenção artística", garante o diretor. Além disso, este "é um espaço confortável, só para vir desfrutar do espaço já é agradável." E deixa o conselho: se puderem, venham mais cedo e aproveitem para ver o pôr-do-sol. "É incrível."

Festival Iminente
Panorâmico de Monsanto
de 19 (quinta) 22 (domingo) de setembro
das 15.00 às 02.00 (no último dia termina às 22.00)

Como chegar?
Tal como no ano passado, o Iminente estabeleceu uma parceria com a Carris, que garante transporte gratuito aos portadores de bilhete a partir de Sete Rios e do Polo Universitário da Ajuda.

Como pagar?
No festival há locais de venda de comida e bebida, bem como uma loja da galeria Underdogs. Este ano, será introduzido um sistema cashless - ou seja, à entrada cada espectador recebe um cartão que pode ser carregado com dinheiro, Multibanco ou MBway. O dinheiro que sobrar no cartão será doado à associação Passa Sabi (expressão que em crioulo significa um sítio em que se está bem) que foi criada por um grupo de jovens do bairro do Rego e que promove projetos sociais e culturais.

Ainda há bilhetes?
Muito poucos mas ainda há bilhetes para quinta-feira e domingo. Os bilhetes diários custam 15 euros.

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