O filme sudanês Nothing Happens After Your Absence, de Ibrahim Omar, venceu o Grande Prémio Internacional do Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema, e From Silence to Word foi eleito Melhor Filme Nacional. Os vencedores foram anunciados esta noite, 25 de julho.Nothing Happens After Your Absence (2026), com 15 minutos, foi distinguido pelo júri com o principal prémio da 34.ª edição do festival. O galardão para o melhor filme nacional foi para a obra do realizador João Pedro Barriga.O tema principal do filme do realizador sudanês Ibrahim Omar é a luta pela sobrevivência perante a eclosão da guerra civil no Sudão, cruzada com os temas do exílio, da memória, da identidade frágil e do impacto da burocracia e das tradições locais.Por seu turno, a curta portuguesa From Silence to Word centra-se na memória do cinema português, na criação artística interrompida, e na ligação poética com a paisagem transmontana, assumindo o formato de um filme-ensaio estruturado através de uma narrativa mitológica, de acordo com as sinopses do festival.Na Competição Internacional, “Oh Boys”, de Antonio Donato, recebeu, a par de “How to Cook a Chicken Underground”, de Nacho Sánchez e Olivia Delcán, o prémio de Melhor Filme de Ficção e foi também selecionado para os European Film Awards Short Film Prix Vimeo Candidate 2027.O anúncio do palmarés da 34.ª edição do Curtas Vila do Conde, que reuniu um total de 244 filmes de 44 países, entre estreias nacionais e mundiais, novos talentos e autores consagrados, marca o fim da competição desta edição "marcada pela pluralidade de linguagens, pela descoberta e pelo diálogo entre cinema, sociedade e liberdade", sublinha a organização, em comunicado, lembrando o espaço o papel do certame na divulgação e reflexão sobre a curta-metragem em Portugal.Mais vencedoresNa Competição Internacional, o prémio de Melhor Documentário foi atribuído a Plan Contraplan, de Radu Jude e Adrian Cioflâncă, enquanto Dernier Printemps, de Mathilde Bédouet, recebeu o prémio de Melhor Animação. O filme À quoi rêvent les Maknines, de Sarra Ryma, foi o mais votado pelo público e recebeu o Prémio Audiência Internacional.Na secção Take One!, dedicada a filmes realizados em contexto escolar, Quelle Soif!, de Francisco João, venceu o prémio de Melhor Filme, enquanto o prémio de Melhor Realização foi atribuído a Clara Vieira, por Onde Nascem os Pirilampos, e o filme Morgenkreis, de Basma Alsharif, venceu a Competição Experimental.Na secção My Generation, o Prémio do Público foi atribuído a Kiss Kiss Bang Bang, de Ollie Launspach, conquistando a preferência dos espetadores numa secção dedicada a novas vozes e diferentes olhares sobre o cinema contemporâneo.Inaugurado a 17 de julho, o certame, que tem o seu último dia no domingo, teve o realizador iraniano Mohammad Rasoulof em destaque na secção In Focus (‘Em Foco’) do Curtas, sendo-lhe dedicada uma retrospetiva de uma filmografia “profundamente marcada pela censura, pela repressão política e pela defesa da liberdade de expressão”.O iraniano conquistou o Urso de Ouro em Berlim com There Is No Evil (2020), filmado clandestinamente no seu país, e tem sido alvo de críticas e perseguição pelo regime iraniano, desde pena de prisão à proibição de filmar.A longa-metragem A Semente do Figo Sagrado (2024), a sua obra mais recente, foi incluída na programação, assim como Iron Island (2005) e A Man of Integrity (2017).O programa ainda contou com uma sessão especial, “Irão, Cinema e Liberdade”, com o jornalista Ricardo Alexandre, autor de “Tudo sobre o Irão”, no contexto da ofensiva norte-americana e israelita neste país do Médio Oriente.Ao todo, o Curtas programou 244 filmes, 224 curtas-metragens e, de resto, 'longas', de 6.178 candidaturas, vendo representados 44 países diferentes nas 91 sessões programadas, com 59 produções portuguesas, a que acresceram conversas, oficinas e outras atividades, incluindo para o público mais jovem.A seleção oficial nacional incluiu filmes de Rita Barbosa, Pedro Ramalhete, Filipe Melo, Daniel Soares, João Pedro Barriga, Maria Novo, Ana Fernandes e Joana Vieira da Costa, Ala Nunu, Matilde Camacho, Gonçalo Pina, Inês Pedrosa e Melo, Carlos Conceição, João Niza Ribeiro e Susa Monteiro, variando entre ficção, animação e documentário..Mais de 330 crianças foram mortas em seis meses na guerra no Sudão, alerta Unicef.Sudão. Dois anos de guerra e mais de metade da população tem fome aguda