Lídia Jorge é a primeira mulher ficcionista a ganhar o Prémio Pessoa.
Lídia Jorge é a primeira mulher ficcionista a ganhar o Prémio Pessoa. Foto: Paulo Alexandrino

Escritora Lídia Jorge vence Prémio Camões 2026

A escritora portuguesa acumula mais um importante prémio cultural, depois de ter ganhado o Prémio Pessoa no ano passado.
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O Ministério da Cultura, Juventude e Desporto (MCJD) anunciou a escritora Lídia Jorge como vencedora do Prémio Camões 2026, "o mais importante galardão da literatura em língua portuguesa".

Em comunicado, o MCJD adianta que o júri esteve reunido esta tarde, 2 de julho, em formato online e deliberou por unanimidade atribuir o prémio a Lídia Jorge. O júri destaca "o diversificado conjunto da sua obra e o grande contributo para o enriquecimento do património literário e cívico-cultural da língua portuguesa».

Os júri realça uma escrita «marcada por uma prosa poética densa» e os temas abordados, como "a transição democrática em Portugal, a condição feminina, a emigração, os conflitos geracionais, as transformações sociais e o papel da memória coletiva na construção da identidade contemporânea".

O júri do Prémio Camões é composto por duas personalidades portuguesas, duas brasileiras, e dois representantes dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). Este ano integraram o júri os portugueses José Carlos Seabra Pereira e Ana Mafalda Leite, os brasileiros José Bessa e Lúcia Santaella, e Odete Semedo e Lopito Feijóo dos PALOP.

A Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, citada em comunicado, diz que «o Prémio Camões 2026 reconhece uma das mais relevantes vozes da literatura portuguesa contemporânea. Ao longo de décadas, Lídia Jorge construiu uma obra de enorme exigência intelectual e literária, contribuindo para afirmar a língua portuguesa como espaço de criação, pensamento e diálogo entre culturas».

Lídia Jorge acumula assim mais um importante galardão na sua longa e muito premiada carreira literária. No ano passado a escritora recebeu o Prémio Pessoa 2025 atribuído pelo Expresso e Caixa Geral de Depósitos.

Nascida em Boliqueime, no Algarve, em 1946, Lídia Jorge estreou-se como romancista com a obra O Dia dos Prodígios, em 1980. É autora de uma vasta e diversificada obra literária, que inclui títulos como O Cais das Merendas (1982), Notícia da Cidade Silvestre (1984), A Costa dos Murmúrios (1988) e, mais recentemente, a Estuário (2018) e Misericórdia (2022). Só este último livro, editado pela Dom Quixote, recebeu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Urbano Tavares Rodrigues, o Prémio do PEN Clube Português, o Prémio Fernando Namora e o Prémio Médicis Estrangeiro, em França, em 2023.

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