‘Debaixo de água, contigo’: Nena mergulha num mar de emoções
Nena tinha mais de 60 músicas escritas para este terceiro álbum de originais, debaixo de água, contigo, e entraram dez. “Tentei escolher aquelas canções que se ligavam a esta ideia do disco, de ‘debaixo de água’”, diz a artista ao DN. O conceito surgiu depois de um curso de mergulho que ela fez há uns anos. “Uma coisa que me interessou muito no mergulho foi eu sentir que estava a ir para um espaço que me deixava completamente desconfortável, mas ao mesmo tempo acabei por encontrar muito conforto no facto de estar num ambiente a que eu não estava habituada. E este disco nasce dessa ideia de que, de vez em quando, é preciso irmos para debaixo de água ou ficarmos mais desconfortáveis para encontrarmos calma e paz. E por isso fala sobre podermos sentir muita coisa ao mesmo tempo. Podemos sentir-nos felizes e tristes. Podemos sentir-nos com saudades e felizes ao mesmo tempo. Fala muito sobre este coexistir de várias emoções. Todas as canções procuram falar um pouco sobre isto”.
A artista aponta ainda mais camadas neste ‘debaixo de água’: “É uma oportunidade para podermos parar, respirarmos de outra maneira e ouvirmos aquilo que normalmente não conseguimos ouvir tão bem. Porque quando vamos para debaixo de água, há uma calma, só ouvimos a nossa respiração. Acabamos por dar atenção a coisas a que normalmente não damos atenção”.
Estar atenta ao que se passa à sua volta e dentro de si no dia a dia faz parte do processo criativo de Nena. “Gosto de reparar naquelas coisas a que as pessoas nem sempre prestam atenção e de apontar logo ideias a partir das quais podem surgir canções.”
Escrever canções é mesmo o que ela mais gosta de fazer, diz a artista, e talvez assim se explique a enorme produção no último ano, desde que lançou Um Brinde ao Agora, em maio de 2025. A canção mais antiga é Nada é do Acaso, com Os Quatro e Meia, música que acabou por não entrar no álbum lançado no ano passado.
Nena compõe habitualmente à guitarra, mas neste terceiro álbum diz que também utilizou muito o piano. “Escrevo logo a melodia e a letra toda e quando chego ao estúdio já tenho a canção feita. Mas depois todo aquele momento mágico de ver a canção a transformar-se e a ganhar vida de outra forma, é incrível. É ver o nosso bebé crescer”. Neste terceiro álbum de originais Nena trabalhou com os produtores João Só, João Andrade e Feodor Bivol.
A música de Nena enquadra-se no género pop, mas no segundo álbum de originais houve um uma deriva para algum rock. Neste terceiro disco destacam-se também outras sonoridades. “É um álbum que tem muitos synths [sintetizadores], pads e muitos teclados. Não se inclina tanto para o pop-rock como Um Brinde ao Agora se inclinava, mas acho que tem canções que também vão para aí. O que eu tento sempre trazer nos meus discos é um bocadinho de tudo, porque é também o que eu ouço, gosto de ouvir todo o tipo de música. Acho que há uma canção para cada pessoa ”.
Das dez faixas do álbum, duas já tinham sido lançadas em single: Tenho Saudades de Casa e O Amor Existe. Nena dedica uma das músicas à sua avó - Não foi isto que combinámos (para a minha avó) - que faleceu este ano. “Senti que tinha que escrever alguma coisa para a minha avó. Tinha uma grande ligação com ela. Dá para perceber na letra da canção, porque há muitos pormenores do que é que foi a nossa vida juntas e de que forma é que ela me marcou. E foi a última canção que eu pus no disco. Foi aquela parte final que me estava a faltar, ficou perfeita no disco”.
O álbum intitula-se debaixo de água, contigo, e falta explicar o “contigo”. “Qualquer pessoa que esteja a ouvir este disco pode definir quem é que é o seu ‘contigo’. Pode ser um amigo, alguém da família, uma pessoa que nós amamos, pode até ser nós próprios. O que eu gostava com este ‘contigo’ é que cada pessoa definisse quem é o seu”.
O título do álbum é também o nome da digressão que passará pelo Teatro Tivoli, em Lisboa, no próximo dia 24 de novembro e pelo Super Bock Arena, no Porto, no dia 13 de março de 2027. Nena vai também fazer o seu primeiro concerto fora do país. Será no Jazz Café, em Londres, no dia 13 de dezembro.
“Estou curiosa para ver quem é que vai ser o meu público, se vão ser mais portugueses, se vão ser também estrangeiros. Espero que tenhamos um bocadinho de tudo.”
