A história pessoal de Luandino Vieira (nascido em Vila Nova de Ourém, em 1935) envolve um novelo de factos em que coexistem a ditadura salazarista, a literatura angolana e, como uma ferida central, os oito anos que passou na prisão do Tarrafal, em Cabo Verde. Chão Verde de Pássaros Escritos, escrito e realizado por Sandra Inês Cruz, é um filme apostado em inventariar múltiplas memórias, pessoais e políticas, de todo esse trajeto. Com um núcleo dramático muito especial: a revisitação, por Luandino, do campo em que esteve preso.Resta saber se tais referências bastam para fazer um filme, a ponto de podermos perguntar também se, nas suas inequívocas boas intenções, Chão Verde de Pássaros Escritos quis, realmente, ser um filme. Na certeza de que ninguém discute o valor factual e simbólico do conhecimento das formas de repressão do Estado Novo.Deparamos, afinal, com um modelo de documentário televisivo que, em boa verdade, a história moderna da televisão há muito discute e, nas suas variações mais interessantes, tenta superar. Tudo acontece, aliás, como uma “ampliação” da lógica rotineira das notícias de dois ou três minutos que continuam a dominar os mais diversos telejornais. Dito de outro modo: tudo depende de um longo e sistemático texto off, cruzando informações com derivações que se querem poéticas, que existe como algo que se basta a si mesmo.Dir-se-á que esse texto não deixa de possuir méritos jornalísticos — o certo é que o seu “peso” sobre as imagens não envolve nenhuma forma de pensamento cinematográfico, normalizando o dramatismo das evocações, incluindo a presença de Luandino Vieira nos espaços do Tarrafal. O efeito é tanto mais desconcertante quanto o uso de imagens de drones (correspondendo a uma “moda” que também está a contaminar muita informação televisiva) banaliza aquela presença, a ponto de vermos o Tarrafal como um monumento abstrato. O que nos conduz a uma pergunta incómoda: como estabelecer alguma relação com o espetador, não através de um ecrã caseiro, mas numa sala de cinema?.'Aprender'. Estar na escola e aprender, eis a questão.'A Mulher Mais Rica do Mundo'. O dinheiro contra o romantismo.Celebrando a utopia de Michael Jackson