Sandra Vieira Jürgens, a curadora da CACE, nas reservas da coleção pública de arte contemporânea no CACE - Centro, em Alcabideche.
Sandra Vieira Jürgens, a curadora da CACE, nas reservas da coleção pública de arte contemporânea no CACE - Centro, em Alcabideche.Foto: Paulo Spranger

CACE - Centro abre portas e mostra reservas da coleção pública de arte contemporânea

Coleção de Arte Contemporânea do Estado tem 3200 obras e 1300 estão em reserva no CACE - Centro. Sandra Vieira Jürgens diz que a concentração do acervo em Alcabideche poupa 600 mil euros ao Estado.
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O CACE - Centro abriu esta semana com uma equipa de seis pessoas nas instalações que pertenciam à Fundação Ellipse, em Alcabideche, cuja coleção de 860 obras de arte foi comprada pelo Estado português no final de 2022 e integrada na Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE). É neste centro, que cumpre padrões internacionais de conservação preventiva, que está agora depositada grande parte da coleção pública de arte contemporânea. A coleção começou a ser criada em 1976 pela então secretaria de Estado da Cultura (era conhecida como Colecção SEC) e tem nesta altura 3200 obras. Destas, 1300 estão agora nas reservas do CACE - Centro. As restantes estão dispersas por outras entidades.

Sandra Vieira Jürgens, a curadora da CACE, assegura que com este depósito das obras no mesmo espaço o Estado poupa 600 mil euros anuais em rendas. Há também outros “ganhos”, diz. “Ter o acervo centralizado permite-nos claramente trabalhar melhor a gestão da coleção. Por outro lado, aliado a isso, há esta possibilidade de termos as reservas visitáveis e de aumentar a democratização do acesso a elas.” A curadora considera também que o Centro vai potenciar a programação própria da CACE, “que é fora de portas”.

Sandra Vieira Jürgens diz que a a missão da CACE é descentralizar mostrando a coleção ao país.
Sandra Vieira Jürgens diz que a a missão da CACE é descentralizar mostrando a coleção ao país.Foto: Paulo Spranger

O CACE -Centro, além de seis salas de reservas, tem três espaços expositivos, que acolhem neste momento a mostra Dual Sim, com curadoria de Filipa da Rocha Nunes e Sofia Montanha. São 23 obras compradas pelo Estado entre 2019 e 2025, no valor de 4,6 milhões de euros. Em 2019 retomaram-se as compras para a coleção que tinham sido interrompidas no ano 2000, e o orçamento anual é agora de 800 mil euros. Durante duas décadas não houve aquisições. Em 2021 foi criado o cargo de curador da CACE com a responsabilidade de gerir a coleção.

O programa expositivo no CACE - Centro, sublinha Sandra Vieira Jürgens, não é a prioridade. “Isso é secundário. Ou seja, é só porque nós temos salas e, portanto, podemos mostrar também o acervo. Aquilo que continua a ser a nossa missão é descentralizar. Nós continuamos a ter muitas ações programadas. Só este mês vamos estar em Sines, com uma exposição chamada Chuva de Verão, no Centro de Arte de Sines, a 11 de julho, e depois também a 25 de julho nos Açores. É a primeira vez que nós vamos aos Açores com a Coleção de Arte Contemporânea do Estado”.

Estas exposições descentralizadas decorrem tanto em entidades do universo da Museus e Monumentos de Portugal (a que pertence a CACE), quer noutras, nomeadamente sob a alçada dos municípios.

“Trabalhamos com parcerias, com protocolos que fazemos diretamente com estas entidades, ou então através da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, que é uma iniciativa da Direção-Geral das Artes”, diz a curadora. “Essa é a missão da CACE, é a nossa marca identitária mais importante e nós vamos continuar a tê-la. Não nos vamos fechar aqui no acervo”.

Estantes deslizantes numa das salas de reservas do CACE - Centro.
Estantes deslizantes numa das salas de reservas do CACE - Centro.Foto: Paulo Spranger

Sandra Vieira Jürgens diz que no início ela fazia a curadoria das exposições, mas agora trabalham com curadora externa. “Queremos estar em diálogo com o próprio setor e impulsionar a visão dos jovens curadores. É muito importante isto, porque a coleção tinha um peso muito grande do passado. Era como se nós só víssemos aqui a coleção SEC. Queremos muito convidar outros curadores, mais jovens, a olhar para esta coleção, ver o que é que eles selecionam, ver qual é a sua narrativa, ver como é que eles pensam a própria coleção. Isso é muito interessante, mesmo aqui neste espaço.”

Com a criação deste centro, a CACE passa também a oferecer um serviço educativo para públicos diversos. “Serve o território mais próximo, mas por outro lado também nos permite ensaiar e experimentar coisas que nós levamos para a descentralização. Permite-nos explorar boas maneiras de oferecer atividades. Queremos levar toda esta nossa experiência para os serviços educativos com quem depois vamos trabalhar”.

Para Sandra Vieira Jürgens, a visita às reservas da coleção pública de arte contemporânea pode interessar “ao público em geral, a investigadores, alunos e pessoas de meio artístico. No fundo, estamos a complementar a oferta de outras instituições e de outras entidades. É um novo modo de olhar para a arte contemporânea. É muito positivo valorizar o trabalho técnico que muitas vezes não é valorizado. Só olhamos para os artistas e para os curadores. Neste caso também estamos a mostrar aquilo que está por trás”.

As reservas da coleção pública de arte contemporânea no CACE - Centro, em Alcabideche.
As reservas da coleção pública de arte contemporânea no CACE - Centro, em Alcabideche.Foto: Paulo Spranger

Para visitar as reservas é preciso agendar por telefone ou email, individualmente ou em grupo. O CACE - Centro fecha ao fim de semana, mas abre no primeiro sábado de cada mês e nesses dias não é preciso fazer agendamento. Este sábado, 4 de julho, estará aberto das 10h às 17 horas, com visitas às reservas e à parte expositiva às 10h e depois às 14h30.

Desde que saiu a notícia da abertura do Centro, e de que as reservas podem ser visitadas, que “o telefone não pára de tocar", assegura a curadora da CACE. "As pessoas vão tendo conhecimento pela comunicação social e estamos nas redes socais também. Têm essa curiosidade”.

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