A cantora Bárbara Bandeira edita esta sexta-feira, 22 de maio, Lusa: ato II, a segunda parte de um projeto “de celebração da língua portuguesa”, que é dedicada à "portugalidade" e inclui um dueto com Amália Rodrigues, num tema da fadista nunca antes editado.No novo álbum, Bárbara Bandeira continua o projeto iniciado em março de 2025 com Lusa: ato I, que serviu de introdução, “para explicar o que vinha aí”.“Para explicarmos que isto vai ser uma fusão entre raízes portuguesas, raízes brasileiras, sendo que eu tenho um pouco dos dois mundos dentro de mim [a mãe é brasileira e o pai português], e vai passar pela lusofonia toda. É basicamente uma celebração da língua portuguesa e da música feita em português”, contou, em entrevista à agência Lusa.O projeto terá quatro atos, cada um com “uma estética, um conceito completamente diferente e uma sonoridade diferente também”.O ato II é o da “portugalidade”, o ato no qual Bárbara Bandeira se propôs a conhecer mais sobre si e a cultura portuguesa.“Acho que cada vez mais é importante, principalmente para a minha geração, questionar-se e querer saber o que é isto de ser português, o que é que faz de nós culturalmente tão ricos como somos. É uma pergunta que acabei por me fazer no decorrer deste processo e deste projeto, e que me tem enriquecido muito culturalmente”, disse.Bárbara Bandeira, de 24 anos, filha de uma brasileira, de Fortaleza, e de um português, o cantor Rui Bandeira, fala no projeto Lusa como “uma descoberta pessoal também, não só artística”.“Sinto que tenho aprendido muito sobre mim e sobre nós, portugueses num todo, à medida que vou fazendo este processo”, partilhou.Para a ajudar, contou com as cantoras Carolina Deslandes e Ella Nor, nas letras, e com os produtores Migz e Ariel, “que são uma constante ao longo deste projeto”.“São eles [Migz e Ariel] que acabam por desenvolver cada ato comigo e foram buscar também alguns dos elementos tradicionais portugueses”, referiu.Num álbum dedicado à portugalidade, não poderia faltar Fado, neste caso um dueto, em “Rapariga”, com aquela que é considerada a maior figura daquele género musical: Amália Rodrigues. .“Esta é uma canção que vai ser dada ao público pela primeira vez na voz da Amália. É a primeira vez que o público a vai ouvir, e daí, para mim, ser tão especial. Eu não quis ir buscar uma canção que as pessoas já conheciam ou que Amália já tinha lançado”, contou.O tema de Amália, da autoria da fadista e do guitarrista Carlos Gonçalves, foi gravado em 1989, mas nunca antes editado, e Bárbara Bandeira lembrou-se de tentar chegar a ele depois de ter ouvido que existiam várias gravações de canções que nunca foram editadas.“Quando fui falar com o Francisco Vasconcelos [diretor-geral da Valentim de Carvalho, editora de Amália], ele confirmou-me que sim, que essas gravações existiam. Algumas delas foram lançadas ao longo destes últimos anos, outras talvez venham a ser lançadas no futuro, acredito eu”, recordou.Antes de dar autorização para Bárbara Bandiera poder aceder às gravações, o diretor-geral da Valentim de Carvalho quis ouvir o álbum.“E depois de o ouvir e autorizar, acedi a algumas das gravações que Amália tinha, e esta foi a canção que me fez mais sentido. É uma canção que fazia tanto sentido quando foi gravada como faz sentido agora. Apaixonei-me totalmente pela canção, e acho que quando as pessoas a ouvirem vão gostar muito também”, disse.Bárbara Bandeira sente-se “extremamente honrada” pela confiança nela depositada, ao permitirem que gravasse um dueto com Amália, de um tema inédito da fadista.“Estou muito feliz. É uma questão pessoal, é uma conquista pessoal para mim. Acho que é daquelas coisas que se me dissessem há uns anos que ia acontecer, não acreditava. E é muito bonito, porque quando ouvimos a canção sentimos que ela está mesmo cá [Amália Rodrigues morreu em 1999, dois anos antes de Bárbara Bandeira nascer]. E isso é o que me deixa mais emocionada quando ouço a canção”, partilhou.Entre os sete temas que compõem “Lusa: ato II” há um, “Manel”, que conta com a participação de um grupo de cante alentejano feminino, e um outro, “Marcha”, inspirado na Procissão ao Mar, de Viana do Castelo, que se realiza anualmente em agosto durante a Romaria de Nossa Senhora d'Agonia.O primeiro concerto de apresentação de “Lusa: ato II” está marcado para 06 de junho nas Festas de Oeiras.O ano de 2026 será assim “o do ato do português de Portugal, raiz” do projeto Lusa. “Mais lá para o final do ano já começaremos a receber algumas pistas do que é que vem a seguir”, revelou.“Antes achava que conseguia fazer estas coisas de um dia para o outro, mas estas coisas não acontecem de um dia para o outro, e eu tenho prezado muito a qualidade e, portanto, as coisas demoram tempo. Aprendi que tenho de me dedicar em cada um dos anos a cada um dos projetos, porque acabo sempre por me propor a fazer coisas muito grandes”, partilhou.Num projeto que aborda a Lusofonia, a ideia de Bárbara Bandeira é que cada ato esteja, de certa forma, relacionado com cada um dos aspetos que lhe são “mais pessoais da lusofonia”.“O que significa que muito provavelmente vamos ter um ato dedicado exclusivamente ao Brasil, porque é muito importante para mim fazer o mesmo processo que fiz aqui, em Portugal, no Brasil, para perceber quem é que eu sou no Brasil, onde me revejo onde não me revejo, para eu me conhecer enquanto artista e enquanto pessoa”, explicou.Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) “também são super importantes” no projeto, até porque a cantora tem sido “muito acarinhada e muito bem recebida pelo público” de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.“A minha maior música, ‘Como Tu’ [um dueto com Ivandro, do álbum ‘Finda’, de 2023] foi número um em vários países dos PALOP, foi incrível. Portanto também sinto uma ligação muito forte com esse público, e gostava muito de fazer algo”, disse.Bárbara Bandeira iniciou a carreira em novembro de 2015, aos 14 anos, com a edição do primeiro 'single', embora antes disso já tivesse gravado um tema com o pai, “Tu és parte de mim”, no álbum “Chegou a hora”, de Rui Bandeira.O primeiro álbum da cantora, “Finda”, chegou em 2023, mas pelo caminho editou vários 'singles' e um EP.Em 2022 e 2024, foi distinguida com prémio Best Portuguese Act, dos MTV Europe Music Awards. Também em 2022 venceu o prémio de Canção do Ano dos PLAY – Prémios da Música Portuguesa, com “Onde Vais”, um dueto com Carminho. Voltou a ser distinguida nos PLAY em 2024, com o prémio de Melhor Artista Feminina.Em maio de 2023, fez a primeira parte dos quatro concertos dos Coldplay em Coimbra, a convite da banda.Em outubro do ano passado apresentou, num desfile na ModaLisboa, a sua marca de moda, 2B, apresentada na altura como “um território de liberdade, sem género, tempo ou tendências, 100% produzida em Portugal”.