Até ao final do ano haverá mais de 60 novos discos de música portuguesa

Está previsto o regresso de artistas como Boss AC, Carlos do Carmo, Manel Cruz e Luísa Sobral

Mais de 60 discos de música portuguesa, do rock ao fado, são editados até ao final do ano, incluindo mais de uma dezena de estreias e os regressos de Boss AC, Carlos do Carmo, Manel Cruz e Luísa Sobral.

Numa ronda por várias editoras e agências que representam músicos e bandas, a agência Lusa contabilizou mais de 60 trabalhos discográficos a editar nas próximas semanas até ao final do ano.

Entre as estreias, contam-se os projetos Montanhas Azuis, que junta os guitarristas Norberto Lobo e Bruno Pernadas e o multi-instrumentista Marco Franco, ainda sem data definida, e Canções de Roda, com os cantores Ana Bacalhau, Jorge Benvinda, Sérgio Godinho e Vitorino, previsto para outubro.

Já esta semana são editados os primeiros álbuns de Selma Uamusse, Mati; do trio luso-americano de música eletrónica de dança Niagara, Apologia; de Cacilhas, projeto que junta Casper Clausen (Liima) e Shela (Riding Pânico), Cacilhas; e dos Grand Sun, The Plastic People of the Universe.

Ainda para setembro são esperados novos discos de Carlão (Entretenimento), do baterista João Pais Filipe (homónimo), da guitarrista Luísa Amaro (Mar Magalhães), do projeto dedicado ao cante alentejano Magano (homónimo), dos Cave Story (Punk Academics) e dos Madrepaz (Bonanza).

O quarteto de concertinas Danças Ocultas lançará também em setembro Dentro desse mar, gravado no Brasil com produção do violoncelista brasileiro Jaques Morelenbaum.

Ao fim de seis anos de ausência, Boss AC regressa aos discos em outubro, no mesmo mês em que o pianista Júlio Resende lança Cinderella Cyborg, Manel Cruz edita Cães e ossos e Gimba desvenda Ponto G.

Também em outubro haverá novidades discográficas do guitarrista Flak (Cidade Fantástica), de Old Jerusalem (Chapels) e registos de Anaquim (O quarto de Anaquim), Salto (Férias em família), Keep Razors Sharp (Overcome), dos D'Alva, de António Zambujo e de Luísa Sobral, estes ainda sem título anunciado.

É em outubro que Lince, nome artístico da cantora Sofia Ribeiro, edita o álbum de estreia, tal como Palas, o projeto a solo de Filipe Palas, dos Smix Smox Smux e Máquina Del Amor, e se estreia o projeto infantil Rosebobon.

Para novembro, estão previstos os novos trabalhos de veteranos como Carlos do Carmo e Pedro Abrunhosa, de Tony Carreira, e de projetos mais recentes como First Breath After Coma, Jasmim e Jibóia.

Este ano, é esperada ainda a edição de uma coletânea dedicada a José Mário Branco, a cumprir 50 anos de carreira, com Ermo, Batida, Osso Vaidoso, Primeira Dama, João Grosso, Guta Naki, Marfa, Luca Argel, Suzana Ralha e os Gambozinos.

Entre os vários discos que deverão chegar às lojas antes de 2019 estão o disco de estreia de Joana Espadinha, a edição integral do repertório de Maria Teresa de Noronha e novos trabalhos de Stereossauro, Tape Junk, Conjunto Corona, do contrabaixista João Hasselberg, em dose dupla, de Tiago Cavaco, S. Pedro e dos Belle Chase Hotel, 18 anos depois de terem lançado "La toilette des étoiles".

Ainda até ao final de 2018 deverá ser editado um álbum do projeto Oupa, criado em 2015 como uma residência artística no bairro do Cerco, no Porto, enquanto iniciativa do pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Porto e que contou com a participação de artistas como Capicua, D-One, André Tentúgal e Vasco Mendes, entre muitos outros.

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