Exclusivo "As gerações futuras desapareceram dos nossos radares e vivem numa clandestinidade estranha"

O antigo ministro da Cultura acaba de lançar o livro Sem Retorno, em que defende que o "fascínio com o ilimitado conduz as sociedades ao colapso". Dá exemplos de já se ter atingido ponto do não retorno da civilização que se tem vindo a construir e que alimentam este paradigma: "O do ilimitado no crescimento, na dívida, nos direitos, no consumo e na própria vida".

Em duas palavras, Sem Retorno, Manuel Maria Carrilho alerta para o "presentismo" em que se vive, como se só existisse o agora, a par de uma "atualidade alimentada pelo infotretenimento torrencial das televisões" que deixa "o que lá vem" para os que se seguem. Para o filósofo, "as gerações futuras desapareceram dos nossos radares e vivem numa clandestinidade estranha, silenciadas pela apologia cínica de um juvenilismo completamente balofo". Quanto à Cultura, define estes tempos como "muito duros" e prevê que "sairá muito abalada da pandemia sanitário-comunicacional em todo o lado, mas em Portugal será pior dado o lastro de incompetência e de negligência com que a Cultura já vinha sendo tratada desde a devastação socrática, que este governo infelizmente não foi capaz de inverter, limitando-se a sucessivos paliativos sem imaginação".

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