Lídia Jorge publicou o seu primeiro livro, O Dia dos Prodígios, em 1980, um ano depois de António Lobo Antunes ter publicado o seu primeiro romance Memória de Elefante, em 1979. Dois escritores da mesma geração, a escritora vencedora do Prémio Pessoa diz ao DN que "António Lobo Antunes faz parte de uma geração que alterou o cânone da literatura portuguesa e ele foi à frente. Ele foi o mais produtivo, o mais criativo, o mais doado à literatura. Aquele que fez da escrita a vida absoluta. Foi aquele que, do ponto de vista deontológico, deu tudo. Deu tudo até o último momento e hoje deixa uma obra gigantesca".A escritora realça a sua influencia sobre outros escritores, e considera que foi "uma obra pioneira também, porque conseguiu associar aquilo que foi o método do romance psicológico com a memória, o testamento, o testemunho de uma mudança histórica que aconteceu no nosso país e que aconteceu na Europa. E ele foi o repositório dessa mudança".Foi porta-voz, considera, "dessa mudança que se traduziu sobretudo naquilo que nós podemos chamar a narrativa do colapso dos ibérios. Ele falou sobre o colapso dos ibérios e disso ele foi o mais dedicado ao tema, o mais criativo e o mais forte".António Lobo Antunes morreu sem receber um Nobel, mas para Lídia Jorge, "o Nobel não importa nada, importa quando se tem. Quando não se tem, não importa. Ele é reconhecido, a obra dele está aí e é conhecida em toda a parte e é traduzida por toda a parte", sublinha Lídia Jorge. .“Portugal perdeu uma das melhores vozes do romance do século XX”, diz João Céu Silva.Manuel S. Fonseca: “Imagino António Lobo Antunes ao lado de Marcel Proust, James Joyce ou Jorge Luis Borges”